quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

SINAIS DOS TEMPOS



A REVOLUÇÃO E A SUBCULTURA

Foi com alguma mágoa que no passado fim-de-semana se assistiu ao quase silenciamento da morte de Vítor Alves, um revolucionário de Abril, suplantada na generalidade dos media pelo destaque dado a certos fenómenos de uma subcultura muito em voga nos nossos dias.
Já ontem Sousa Duarte, no Público, em artigo de opinião, tinha chamado a atenção para aquele relativo silenciamento em detrimento de outras notícias que hoje alimentam preferencialmente os famigerados “critérios jornalísticos” de que os detentores dos media e seus fiéis validos se prevalecem para nos fazer mergulhar numa subcultura social, política e até económica com que nos preenchem o dia e lavam o cérebro.
Não admira por isso que Marcelo Rebelo de Sousa, uma espécie de cronista "social" da política, tenha dedicado na sua pregação dominical mais tempo à lamentável morte de Nova York do que ao desaparecimento de Vítor Alves.
Felizmente, nem todos os maus exemplos fazem escola. Ainda ontem o El Pais dedicou quase uma página à morte de Vítor Alves.
ADITAMENTO
Sobre questões aqui abordadas incidentalmente, a não perder Carlos Amaral Dias na Grande Entrevista.

8 comentários:

  1. É realmente extraordinário! Tinha e tenho imenso apreço por Victor Alves, pelas razões que já invocou, um homem de Abril e um Senhor, cavalheiro e homem de bem, que em tempos cheguei até a conhecer, por razões profissionais.
    A sua memória prevalecerá.
    Não vi essa prelecção dominical. Mas, olhando para as nossas TVs, de facto, aquilo que vendo é o escândalo, a porcaria. E infelizmente a malta adere à coisa!
    Cordialidade,
    P.Rufino

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  2. Essa de o Rebelo de Sousa ser uma espécie de Carlos de Castro da crónica política está de morte!

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  3. Não te lembras de "panem et circenses"? Em tempos em que até o "pão" não é muito, fica o circo. Agora com aspetos bem perversos.

    Eu que não tenho nenhum apreço por Helena Matos, e até bem chateado com ela pelo inconcebível artigo sobre a nossa geração, não deixo de concordar com o seu artigo no Público, hoje, sobre o que estão a fazer aos jovens instilando-lhes nos neurónios "o glamour do mundo dos famosos".

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  4. ele era tão chato nos discursos

    e um militarista de primeira

    quando se falava na dissolução do exército

    era o velho discurso de ser o garante das liberdades democráticas

    nunca relembrando que tinha sido o responsável por todos os outros golpezitos de estado por aqui e lá fora
    um homem de Abril e um Senhor, cavalheiro e homem de bem,

    é isto define-o bem

    era o que se dizia dos que fizeram o 26 de Maio

    uns senhores

    somos um país cheio de senhores
    de boa vida e melhor morte

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  5. inconcebível artigo sobre a nossa geração,
    um país de gerações e não de indivíduos

    de senhores de esquerda e direita

    de salvadores da pátria

    de homens de Abril e Maio
    hoje, sobre o que estão a fazer aos jovens

    todas as gerações têm de tudo

    o que nunca tiveram foi bom-senso

    e capacidade para ser objectivo
    e não fazer grosseiras generalizações

    as neo-brigadas do reumático estão de volta

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  6. Esclarecimento
    Alterei o antepenúltimo parágrafo do texto, não porque tenha passado a ter uma ideia diferente da que tinha das crónicas de RS, mas porque, neste preciso tempo histórico, podia ser mal interpretado no modo como fulanizava a analogia.

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  7. Quanto aos dois últimos comentários, o mínimo que se pode dizer é que se está perante dois textos que irressistivelmente suscitam uma resposta.
    Em ambos perpassa uma indisfarsável vacuidade e um grande desconhecimento dos mais elementares eventos históricos. Além que sussurra neles uma vaguíssima brisa anarquista, sem graça, soprada num estilo porventura típico de uma anti-brigada insolidária sem projecto nem futuro que não é capaz de ver à frente do nariz outra coisa que não seja um grande EU!

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  8. Pode parecer espantoso que um jornal estrangeiro, como é El País, dedique mais atenção a Victor Alves do que a maior parte dos jornais portuguese. Mas é que El País está a anos de luz de boa parte da nossa imprensa.

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