quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

TEXTOS PUBLICADOS NO FACEBOOK EM AGOSTO


 

ESPANHA

Se nem o rei nem o primeiro-ministro acreditam na unidade de Espanha em regime republicano é porque a Espanha não é uma nação. Se já todos sabíamos isso, o que passamos também a saber é que a Restauração Bourbon em Espanha (último quartel do século XIX) não só não conseguiu, desde que lhe concederam o poder, até hoje que o Estado consolidasse uma nação (à francesa) como, pelo contrário, contribuiu para que um acidentado percurso político de que nunca esteve ausente a violência institucional, frequentemente despótica, tivesse tornado mais difícil, ou quase impossível, aquele objectivo.

Então, como se compreende que o Partido Socialista Obrero Espanhol persista numa via que a História já demonstrou não corresponder às necessidades de Espanha? Como se compreende que um partido que tantos milhares de vítimas somou na defesa dos ideais republicanos esteja desde há quarenta anos a tentar aguentar uma monarquia sem prestígio, desacreditada e incapaz de perceber a realidade sobre a qual reina?

Sempre pela mesma razão: pelo "pecado original" sobre o qual assenta a actual solução política espanhola - a transição que é em si mesma a consequência de uma imensa covardia política!

10/08/20

WALDEMAR BASTOS

Xê menino, xê menino, Angola é independente e vive em paz!Todos os sonhos da velha Chica se concretizarão um dia. E tu, Waldemar, deste um importante contributo para que esse objectivo se vá concretizando. Com a tua arte, com a tua música e com a tua voz inconfundível!

11/08/20

O NOSSO MUNDO

Não sei se a vacina russa (Sputnik 5) é eficaz ou não. O que sei é como reagiu o mundo ocidental. Com desconfiança total e descredibilização da vacina. E sei também que se tivesse sido uma empresa americana a anunciar a descoberta e posterior fabricação de uma vacina não chegariam os adjectivos da nossa língua para qualificar o feito histórico da produção de uma vacina em tão curto espaço de tempo e em condições tão difíceis dadas as características e natureza do vírus.Continuem nessa que quando acordarem vão perceber que a famosa hegemonia ocidental não passa de um feito que a história registou numa época já passada.

11/08/20

MACAU, HONG KONG E A RTP

A RTP critica a China directa e indirectamente, mas ela é muito mais controleira que China.É preciso ter lata! Sobre uma hipotética situação a ocorrer em Macau, a velha prostituta, como lhe chamava o Castrim, ouviu um tipo que ninguém conhece (anti-chinês) e foi por ele que ficamos a saber que há quem pense exactamente o contrário da posição que ele defendeu.A RTP ouviu este opinador, mas não ouviu o outro. E depois vem-nos falar de democracia na China.Cá é que esse JAF, e seus parceiros, têm de respeitar as regras em vigor e não a China, país sobre o qual não temos qualquer jurisdição.Percebam isto, ó mentes obtusas da RTP!

11/08/20

REI EMÉRITO DE ESPANHA, ONDE ESTÁ?

Ninguém diz. Sánchez diz que cabe à Casa Real dizê-lo. E a Casa Real insinua que cabe ao "fugado" fazê-lo.

A razão deste jogo do empurra é óbvia. Como quem paga a estadia é o contribuinte, ninguém quer ficar com a responsabilidade de ter sido cúmplice da fuga.

Isto vai acabar mal...

13/08/20

PROTECÇÃO POLICIAL

Se for necessária, nenhuma dúvida. Mas o que não suscita qualquer dúvida é a ilegalização das forças políticas que fazem a apologia do racismo, sua incriminação imediata e subsequente prisão.

E a ambiguidade da posição dos partidos ou deputados sobre este tema também não deve ficar impune.

O racismo é hoje uma praga mais grave que o Covid19. É que para além dos casos óbvios, também aqui há os assimptomaticos que pululam pelos jornais e televisões, disfarçando a superioridade e hegemonia rácicas, que defendem, com a pretensa crítica política dos modelos que rejeitam, principalmente quando o que está em causa não tem nada a ver com isso.

14/08/20

MARCELO EM PRÉ CAMPANHA NO ALGARVE

Marcelo deu hoje no Algarve os primeiros sinais de que está preocupado com a votação do candidato do CHEGA nas presidenciais.

O candidato do CHEGA colherá, como é óbvio, a esmagadora maioria dos seus votos nos habituais eleitores da direita, principalmente no PSD por ser o partido que recolhe a maior parte daqueles votos.

O candidato do CHEGA vai acusar Marcelo de ter feito o jogo da esquerda, de ter apoiado o PS e se ter esquecido, ou mesmo desprezado, a maior parte do eleitorado que o elegeu.

A Marcelo interessa uma vitória esmagadora, batendo, se possível, o record dos presidentes que na segunda volta obtiveram as maiores votações da democracia. Para o conseguir e, simultaneamente, desarticular o discurso da extrema-direita, só tem um caminho a seguir daqui até Dezembro: ir atacando o Governo nas questões sensíveis e de passagem as forças de esquerda que o têm viabilizado.

Os sinais de hoje vão nesse sentido. A responsabilização pelas mortes nos lares, indo assim ao encontro de uma das críticas mais demagógicas da direita, e a Festa do Avante, na proibição da qual toda a direita tem empenhado os seus esforços com vista a estrangular financeiramente o PCP, são dois exemplos indiciários do que vai fazer até à eleição.

Costa parece não ter antecipado este cenário, estando neste momento a correr o risco de ser a única força que explicitamente apoia Marcelo, apesar dos ataques que o candidato não vai deixar de continuar a fazer ao Governo.

Daí que duas opções lhe restem: ou ir ao encontro das críticas e reservas do Presidente, associando - se a elas para as desvalorizar ou fomentar informalmente o aparecimento de um candidato oriundo das suas hostes que levasse o Partido a seguir uma política semelhante à que pôs em prática na última eleição presidencial, ou seja, facilitar o aparecimento de alguém, suficientemente credível, que pudesse contribuir para o enfraquecimento da votação de Marcelo.

Seguir o primeiro caminho seria desprestigiante, o segundo tem alguns riscos, mas se for bem trabalhado assemelhar-se-á a uma posição de neutralidade que é a que mais interessa ao Governo e ao partido que o apoia.

16/08/20

A DIREITA E OS LARES

Ninguém de boa ou má memória poderá esquecer a política do Governo Passos Coelho/Paulo Portas relativamente aos "velhos" durante a crise financeira.

O Ministro da "motinha", do CDS, na pasta do trabalho e da segurança social, encarregou-se de fazer o trabalho sujo que os teorizadores da "peste grisalha", do PSD, queriam ver posto em prática sob a forma de política.

Pois são esses mesmos que agora estão muito "preocupados" com a situação dos lares, a ponto de falarem em "linhas vermelhas", como se tal situação não fosse também ela o resultado da própria forma como eles encaravam a acção do Estado nesse domínio.

De facto, todos nos fartámos de ouvir dizer que as IPSS poderiam na área de "terceira idade" substituir o Estado com vantagem, desempenhando bem, com menos recursos, o que o Estado faz mal, com mais recursos.

A experiência tem, porém, demonstrado que os actores deste e doutros sectores sociais apenas se distinguem dos do sector privado, que têm como objectivo o lucro, por trabalharem com mais subsídios públicos do que aqueles.

Na hora dos apertos já todos acham normal que o tal Estado, que actua mal, os substitua e se responsabilize pelo que, feito por eles, pelos vistos, corre mal ou mesmo muito mal.

Haja coerência ou alguém se encarregue de lembrar quem a não tem.

16/08/20

ELEIÇÕES AMERICANAS 

Se as eleições nos Estados Unidos foram desde sempre as menos sérias das democracias ocidentais, com "batota legal e ilegal" generalizada, este ano correm o risco de se transformarem na paródia do milénio.

16/08/20

POMPEO E OUTROS "FALCÕES" PROVOCAM A RÚSSIA.

As provocações americanas reactivaram-se nesta parte final do mandato deTrump, estando em vias de atingir níveis semelhantes às ocorridas durante os mandatos de Bush, filho, com a diferença de estas terem sido, quase todas, dirigidas a Estados de "segunda linha".

Actualmente, os EUA ameaçam a paz mundial nos mares da China, Taiwan incluído, no Médio Oriente e na Europa de Leste. Sem que o Estado americano seja ameaçado por quem quer que seja, dentro ou na proximidade das suas fronteiras, esta reactivação de provocações militares só se compreende pela decadência irreversível do "Império".

Hoje, os aliados americanos são o que de menos recomendável se pode encontrar na comunidade internacional - os extremistas islâmicos (Al Qaeda, Isis e Talibans), as ditaduras autocráticas do Golfo e Israel, um Estado pária que vive à margem do Direito Internacional, como uma espécie de delinquente contumaz, e a provocadora Polónia e os apêndices bálticos, que, apesar de se situarem na Europa, actuam como se nenhuma das conquistas históricas alcançadas neste continente nos últimos séculos lhes dissesse respeito, tal o desprezo com que tratam, de jure e de facto, uma parte considerável da sua própria população.

Desacreditados junto dos mais influentes Estados da Europa Ocidental, os Estados Unidos, apesar das simpatias que continuam a granjear nos círculos militaristas da NATO, estão hoje mais sós, muito mal acompanhados e à beira de poderem provocar uma catástrofe de proporções planetárias.

16/08/20

VARGAS LLOSA

Vargas Llosa é, como se sabe, um grande escritor. Politicamente alinhado, nestes últimos anos, com as teses neoliberais nem sempre os seus artigos são apetecíveis por quem perfilhe posições opostas às suas. No El Pais de hoje publicou um interessante artigo sobre o excelente livro de Edmund Wilson, (To the Finland Station), "Rumo à estação Finlândia", a propósito da recente tradução castelhana, já publicada ou a publicar. Não sei se há tradução do livro em Portugal, conheço-o por via de uma tradução brasileira, da Companhia das Letras, de 2006. É de facto um livro fascinante, talvez valesse a pena que o nosso Amigo Manel Valente, Manuel Alberto Valente, ponderasse a possibilidade de o publicar, caso não haja edição portuguesa, como penso que não há.


https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Felpais.com%2Fopinion%2F2020-08-15%2Fhacia-la-estacion-de-finlandia.html%3Fssm%3DFB_CC%26fbclid%3DIwAR3-rNOaUyUdQvINKl9DweJNun4vXy6EJ_dgEL9DWDt5zFMCRP3Ej3hMNtY&h=AT3UZZJXq7cXjVm4NC2dEKkydgIYmKgV8gMriT-tQZi_ElMC3u3WqEJTiZ_SGeFZptXY3j9FI6H6i6JCXzt7t04kHkajghZHsI9siWkeBgaqbcYV8vvz5F2qfgSgthENAw&__tn__=H-R&c[0]=AT31OvaojIqldtGvqYmuJxVPa60dKKJO3lboRw_1_FnY7E3ZHTrRbh2Tyacg0GDOMSmQd0XVDxSQmwegGKW_tKRL3fJ_o4L5P_55_vGan6Z6Pb5PMRvTgMLr5GXFvNvWqxBci56aUjv-cS5x31L4ZfL9-f3S2XHk-f30TSs

16/08/20

LARES

Face ao que se vai lendo não pode deixar de responsabilizar-se pelo que está a acontecer, em primeiro lugar, os responsáveis directos pela administração desses lares e logo a seguir todos aqueles que durante décadas andaram a fazer a propaganda das IPSS com o objectivo de afastar o Estado da administração directa das questões de natureza social, sem contudo deixar de as financiar. Entre estes estão o actual Presidente da República, cujo espírito caritativo o levou a defender sempre, incondicionalmente, o chamado sector social; depois os partidos de direita, PSD, CDS e os que no PS alinharam nessa conversa (e muitos foram, alguns dos quase tiveram como programa da candidatura presidencial as IPSS, sem contudo deixarem de servir o sector privado da saúde); e, finalmente, o Estado, ou seja, quem o representa (o Governo) por se ter deixado levar por aquela propaganda e por não ter tomado medidas draconianas sempre que o resultado da fiscalização as exigia.

Quem nada tem a ver com o que se está a passar são os que sempre defenderam um sector público de saúde forte e uma assistência social sob gestão directa do Estado, reconduzindo o dito sector social ao mínimo indispensável e apenas sob a direcção de quem já deu provas sobejas de competência e honestidade.

17/08/20

CONVERSA DE VELHO

Quando eu tiver uma conversa de velho sem saber que estou a ter uma conversa de velho, é porque estou mesmo velho.

Velho como sinónimo de ultrapassado, de incapacidade de compreensão do tempo presente.

Exemplos: porque me considero um "senador" fico muito incomodado quando alguém discorda do que eu digo ou escrevo e, mais ainda, se quem o faz age com vivacidade.

Ou porque, julgando me um sabichão, acho que tenho respostas para tudo, desprezando o saber dos mais novos e a sua maneira de pensar.

Ou porque acho que é uma manifestação de arrogância a discordância que a nova geração manifesta relativamente às gerações anteriores, como, por exemplo, a de repudiar a estatuária de falsos heróis erigidos em símbolos intocáveis do nosso passado histórico.

Ou as de continuar a manter na galeria das virtudes pátrias, feitos que não passam de actos criminosos qualquer que tenha sido a época em que foram praticados.

Em conclusão: sempre isto aconteceu em todas as épocas históricas, por vezes de forma muito mais dramática e traumática, sendo desta luta contra o velho que se alimenta o progresso e que civilizacionalmente se progride.

17/08/20

JOAO MIGUEL TAVARES

O artigo deste plumitivo no "Público" de hoje assemelha-se, para quem conhece os arquivos da PIDE, a um relatório de um bufo, os famigerados informadores do fascismo.

Com duas diferenças, antigamente eram secretos (era como se a própria polícia e os seus esbirros tivessem vergonha de os exibir publicamente), hoje são públicos e quem os faz vangloria-se do feito. E a segunda consiste em agora serem redigidos por gente mais instruída.

Este JMT não era o tal do "elevador social"? Então, continue que ainda vai chegar ao tecto...

20/08/20


ELEIÇÕES AMERICANAS II

Assistindo de longe à Convenção dos democratas algo me diz que Trump ainda tem fortes hipóteses de ganhar.

Os discursos dos Obamas são mais do mesmo, o de Biden é, como sempre, sonolento, o de Kamala tem contra si o seu passado e de tudo isto resulta que não me parece ter havido algo capaz de empolgar o eleitorado.

A ver vamos...

20/08/20

ELEIÇÕES AMERICANAS III

Acabei de ver um programa da CNN sobre a política externa dos Estados Unidos.

E repito o que disse há quatro anos. Se tivesse de votar nas eleições americanas não votaria em nenhum dos dois candidatos. Mas se como europeu, de esquerda, me perguntassem quem gostaria que ganhasse, a resposta seria clara: Trump.

Do mal, o menor. E se Trump "corresse" com Pompeo e mudasse de vice-presidente, então nenhuma dúvida subsistiria...

24/08/20

NAVALNI E O ENVENENAMENTO

Os médicos russos que trataram NAVALNI em Omsk declararam que não havia sinais de envenenamento. Os médicos alemães do hospital de Berlim, cidade para onde o doente foi transferido, entendem que Navalni pode ter sido vítima de envenenamento.

Quid júris? Nada mais fácil. Quem alinha pela política externa ocidental não tem a menor dúvida de que o veredicto dos médicos alemães é o que conta, por ter a sua origem numa fonte independente que não se deixa pressionar nem influenciar pelo poder político.

Quem, pelo contrário, desaprova a política imperialista do Ocidente e do cerco à Rússia pelas forças da NATO, entende que a opinião dos médicos alemães relativamente a um assunto relevante, do ponto de vista da política internacional, é tão credível ou tão pouco credível como a dos russos.

Estes têm porém a seu favor o facto de não terem tido qualquer problema em transferir o doente para a Alemanha.

Só mesmo uma junta médica verdadeiramente independente poderia apresentar um diagnóstico ou um resultado credível. Assim, fica sem se saber o que realmente se passou.

25/08/20

WUHAN

Aconselho a leitura de um artigo publicado no Le Monde de ontem sobre Wuhan

"Wuhan, vitrine chinoise d'un monde post-Covid"

Mantenho a opinião que desde o início exprimi: o combate a este vírus é, primeiro que tudo, um combate do foro político. E somente quem vencer este primeiro combate poderá depois vencer o combate sanitário.

A CRISE POLITICA

Sobre este assunto creio haver duas posições.

Uma seria apostar politicamente nessa crise, quer obrigando o PS a negociar à direita, quer aceitando correr o risco da dissolução do Parlamento, se o PS o não fizer.

Outra consistiria em negociar. Negociar pressupõe da parte de quem precisa do negócio aceitar incluir no seu programa objectivos que não são os seus e deixar cair alguns dos seus. E pressupõe também, da parte de quem aceita negociar, ter em conta a real correlação de forças, ou seja, não pode pretender desfigurar o programa de quem precisa de negociar nem tentar que o negócio se converta num meio de realização do seu próprio programa.

Em conclusão: tanto num caso como noutro quem fica a ganhar será sempre o PS. O PS só ficaria a perder se negociasse com a direita. Costa, já se percebeu, sabe disso. Este o drama da esquerda.

31/08/20

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