sábado, 5 de maio de 2018

O PS NO SEU LABIRINTO





E NÃO ESTÁ SÓ
Resultado de imagem para SÓCRATES E CAVACO

A estratégia conjugada da acusação da "Operação Marquês" e a campanha em curso da direita, de que as transmissões da SIC são a sua mais visível manifestação, puseram o PS em pânico.
A representação política da direita, ou seja, o CDS e o PSD, mantiveram até há bem pouco tempo o "caso Sócrates" fora da agenda política. Recentemente, depois do efeito na opinião pública das transmissões da SIC e da "acusação pública" de Pinho pelo MP, a direita pela mão dos seus múltiplos comentadores de serviço começou a pôr em prática uma actuação que visa alastrar a todos os que participaram nos governos Sócrates e ao próprio Partido Socialista a responsabilidade pelo que se passou. Responsabilidade por terem silenciado o que tinham obrigação de ter visto e responsabilidade (objectiva) de terem participado num "Governo criminoso". E tudo indica que haverá uma intensificação dos meios em que esta estratégia assenta com a aproximação da data das eleições. Tanto o MP, como o PPD/CDS, tudo farão para que o tratamento judicial e para judicial do "caso Sócrates" coincida com o tempo eleitoral.
Enredado por esta estratégia da direita, o PS parece ter começado a agir casuisticamente num "salve-se quem puder" de que são exemplos mais significativos as propostas de Ana Gomes e as declarações de César e Galamba.
É cedo para antecipar as consequências de tudo isto, embora não seja difícil de estabelecer uma ligação muito íntima entre a corrupção e o populismo. O populismo que nos Estados Ocidentais, nomeadamente nos EUA e nos da Europa Comunitária, tem andado ligado a fenómenos identitários, e, em menor medida, a outros potenciados pelas políticas económicas e financeiras da UE, pode encontrar no fenómeno da corrupção um campo de fértil expansão.
Contra isto o PS pode fazer pouco e o PPD, se não estiver directamente interessado no populismo, ainda menos porque eles são realmente, juntamente com o CDS, o alfobre onde, desde o começo das privatizações e da recomposição dos grandes grupos económicos, medra a corrupção. Seja a corrupção de que alguns individualmente se aproveitam, seja a corrupção que leva à protecção e favorecimento ilegítimo das grandes empresas numa troca de favores e de influências escandalosas cujas vítimas indefesas são os que vivem honestamente do seu salário.
Neste movediço terreno tanto o PS como os partidos de direita que têm governado o país terão muito mais a esconder do que a exibir, cabendo aos que têm as mãos limpas prevenir a provável onda populista denunciando e investigando politicamente toda essa enorme teia de ligações entre o poder e as empresas de que são exemplos mais significativos as privatizações ruinosas, os contratos de longa duração destinados a transferir significativos recursos colectivos para o sector privado, como as concessões de exploração de bens e serviços essenciais, as PPP, os resgates bancários entre outros. Ou seja, somente contra atacando pelo lado certo se poderá desmontar a estratégia da direita.
Ponto é saber quem pode participar no contra ataque...

5 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Assino, por baixo
parágrafo a parágrafo

e a questão central passa agora
na resposta

"Aquele que nao tiver pecado atire a primeira pedra"

Anónimo disse...

Isto. Mas devia limpar o seu facebook de comentários de gente a chamar monhé a Costa. Não são admissíveis.

Abraham Chevrolett disse...

Por falar em ataques de algumas " personalidades",vou aqui desabafar sobre uma dessas, por sempre me indignar com os comentários que faz.Falo de Lobo Xavier,com púlpito na "Quadratura do Círculo". Há uma semana atrás dizia o Xavier das armações que os ministros do governo de Sócrates ou eram tótós ou cínicos,para não notarem as manigâncias do dito Sócrates e as do seu colega da Economia,o tal dos corninhos...
Nem queria acreditar no que ouvia já que Lobo anda pelas admnistrações dos bancos há um ror de anos,antes e depois das privatizações,passaram~lhe por debaixo do nariz dezenas de milhares de milhões de Euros,levantaram voo para paraísos fiscais quase outros tantos e o atento Lobo Xavier não tugiu nem mugiu (uma especialidade!)! Não viu,não soube,não estava lá! Nem lá havia tótós, nem cínicos! Só soube da história dos e-mails do Domingues para o Centeno,aí a sua visão de águia não tremeu! Logo foi dar parte ao Marcelo Rebelo de Sousa que,a julgar pelos resultados,obrou largamente sobre o pressuroso esclarecimento!
Assim se mede o estofo desta gente,a credibilidade que ela merece.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Citei-o
agora mesmo

Anónimo disse...

A dessacralização dos Partidos políticos?.
Em Portugal o poder político implantou-se e viveu, durante séculos, via uma poderosa igreja católica e a sua infabilidade papal. Não ocorreu, nem chegou cá, uma Reforma luterana ou outra. A igreja católica foi sobrevivendo entre o provincialismo e a indiferença. É dos nossos dias uma parcial e suave dessacralização do poder da igreja católica em Portugal. Um traço cultural que sobreviveu no "atento, venerando e obrigado".

O outro, mas menos perene, pilar do poder em Portugal, a Monarquia, dessacralizou-se via o constitucionalismo. E mais dessacralizada foi pelo republicanismo. No seu estertor o Rei D. Carlos tinha muito menos poder que um qualquer Primeiro Ministro da actual 3ª República.

Os partidos políticos vencedores, os donos de esta 3ª República -passado que foi o PREC- auto instilaram-se com foros de imaculada infabilidade no exercício do poder. Equacionaram uma grotesca democracia, dita representativa, com infabilidade e pureza de conduta política. Não mais.

Sem o suporte de tal artificialmente imposta imaculada conduta esta partidocracia dessacralizou-se, está destruída. O regime político, tal como o da 2ª repúblcia, cumpriu os seu meio século de prazo de validade.

Qual poderá ser agora o novo rumo para um Portugal costumeiramente atento, venerando e obrigado?.

Artificialmente inserido, e desatrozamente dependente de numa -em declínio União- qual, quem poderá ser o novo titular do poder?. Quem poderá ser o novo, tradicional, desejado D. Sebastião.
Uma minimamente bem implemnetada democracia representativa nunca rimou culturalmente com a tradição nacional, um misto de sobreserviência e oportunismo e autoritarismo.
Quem irá fingir que apanha os cacos?.