O QUE FAZ FALTA
Não há nada pior na política
portuguesa do que alguém vestir as vestes alheias e fazer-se passar por quem
não é.
Recordo que a seguir à queda do
Muro, por razões profissionais e outras, desloquei-me várias vezes a alguns países
do extinto Pacto de Varsóvia e não podia deixar de criticar a arrogância com
que alguns colegas se referiam à paisagem urbana de cidades como Berlim Leste, Praga
e Varsóvia entre outras.
Falavam e criticavam como se
fossem cidadãos de Munique, de Londres, de Paris ou até de uma qualquer cidade
modelo e esqueciam-se completamente que tinham a Baixa Pombalina numa situação
miserável, que no Largo de Camões havia pés de couves a nascer dos telhados em
ruínas, enfim, tomavam-se por quem não eram.
Infelizmente, esse mau hábito é
contagioso. Se eu tenho um programa político para executar, mas nem sequer
disponho no Parlamento de um décimo dos deputados, por mais justo e excelente esse
meu programa seja, eu não posso ter pretensão de o executar como faria se dispusesse
da maioria absoluta dos lugares. Claro, que os meus deputados são importantes
para construir uma maioria e nessa medida tem um valor superior ao seu peso
numérico isoladamente considerado, mas como, por outro lado, eu também estou
interessado numa nova solução (é suposto) aquele peso baixa na razão directa desse
meu interesse e obriga-me a ser comedido e moderado nas minhas exigências, sem
deixar de ser firme no que tenho de ser.
É tudo.
3 comentários:
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~ Muito bem, «POLITEIA».
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Quem viu, viu...
Concordo, plenamente, com os dois comentários.
O momento politico que vivemos é dramático e por vezes não deixa de ser caricato constatar que a direita sabe o que perde com este acordo e as forças de esquerda não queiram valorar aquilo que podem ganhar aqueles que eles representam.
È preciso ser racional , ponderado e agir com coragem,
A decisão a tomar é nuclear para o futuro das coisas da vida, para o nosso povo.
P.B.
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