quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

TEXTOS PUBLICADOS NO FACEBOOK EM AGOSTO


 

ESPANHA

Se nem o rei nem o primeiro-ministro acreditam na unidade de Espanha em regime republicano é porque a Espanha não é uma nação. Se já todos sabíamos isso, o que passamos também a saber é que a Restauração Bourbon em Espanha (último quartel do século XIX) não só não conseguiu, desde que lhe concederam o poder, até hoje que o Estado consolidasse uma nação (à francesa) como, pelo contrário, contribuiu para que um acidentado percurso político de que nunca esteve ausente a violência institucional, frequentemente despótica, tivesse tornado mais difícil, ou quase impossível, aquele objectivo.

Então, como se compreende que o Partido Socialista Obrero Espanhol persista numa via que a História já demonstrou não corresponder às necessidades de Espanha? Como se compreende que um partido que tantos milhares de vítimas somou na defesa dos ideais republicanos esteja desde há quarenta anos a tentar aguentar uma monarquia sem prestígio, desacreditada e incapaz de perceber a realidade sobre a qual reina?

Sempre pela mesma razão: pelo "pecado original" sobre o qual assenta a actual solução política espanhola - a transição que é em si mesma a consequência de uma imensa covardia política!

10/08/20

WALDEMAR BASTOS

Xê menino, xê menino, Angola é independente e vive em paz!Todos os sonhos da velha Chica se concretizarão um dia. E tu, Waldemar, deste um importante contributo para que esse objectivo se vá concretizando. Com a tua arte, com a tua música e com a tua voz inconfundível!

11/08/20

O NOSSO MUNDO

Não sei se a vacina russa (Sputnik 5) é eficaz ou não. O que sei é como reagiu o mundo ocidental. Com desconfiança total e descredibilização da vacina. E sei também que se tivesse sido uma empresa americana a anunciar a descoberta e posterior fabricação de uma vacina não chegariam os adjectivos da nossa língua para qualificar o feito histórico da produção de uma vacina em tão curto espaço de tempo e em condições tão difíceis dadas as características e natureza do vírus.Continuem nessa que quando acordarem vão perceber que a famosa hegemonia ocidental não passa de um feito que a história registou numa época já passada.

11/08/20

MACAU, HONG KONG E A RTP

A RTP critica a China directa e indirectamente, mas ela é muito mais controleira que China.É preciso ter lata! Sobre uma hipotética situação a ocorrer em Macau, a velha prostituta, como lhe chamava o Castrim, ouviu um tipo que ninguém conhece (anti-chinês) e foi por ele que ficamos a saber que há quem pense exactamente o contrário da posição que ele defendeu.A RTP ouviu este opinador, mas não ouviu o outro. E depois vem-nos falar de democracia na China.Cá é que esse JAF, e seus parceiros, têm de respeitar as regras em vigor e não a China, país sobre o qual não temos qualquer jurisdição.Percebam isto, ó mentes obtusas da RTP!

11/08/20

REI EMÉRITO DE ESPANHA, ONDE ESTÁ?

Ninguém diz. Sánchez diz que cabe à Casa Real dizê-lo. E a Casa Real insinua que cabe ao "fugado" fazê-lo.

A razão deste jogo do empurra é óbvia. Como quem paga a estadia é o contribuinte, ninguém quer ficar com a responsabilidade de ter sido cúmplice da fuga.

Isto vai acabar mal...

13/08/20

PROTECÇÃO POLICIAL

Se for necessária, nenhuma dúvida. Mas o que não suscita qualquer dúvida é a ilegalização das forças políticas que fazem a apologia do racismo, sua incriminação imediata e subsequente prisão.

E a ambiguidade da posição dos partidos ou deputados sobre este tema também não deve ficar impune.

O racismo é hoje uma praga mais grave que o Covid19. É que para além dos casos óbvios, também aqui há os assimptomaticos que pululam pelos jornais e televisões, disfarçando a superioridade e hegemonia rácicas, que defendem, com a pretensa crítica política dos modelos que rejeitam, principalmente quando o que está em causa não tem nada a ver com isso.

14/08/20

MARCELO EM PRÉ CAMPANHA NO ALGARVE

Marcelo deu hoje no Algarve os primeiros sinais de que está preocupado com a votação do candidato do CHEGA nas presidenciais.

O candidato do CHEGA colherá, como é óbvio, a esmagadora maioria dos seus votos nos habituais eleitores da direita, principalmente no PSD por ser o partido que recolhe a maior parte daqueles votos.

O candidato do CHEGA vai acusar Marcelo de ter feito o jogo da esquerda, de ter apoiado o PS e se ter esquecido, ou mesmo desprezado, a maior parte do eleitorado que o elegeu.

A Marcelo interessa uma vitória esmagadora, batendo, se possível, o record dos presidentes que na segunda volta obtiveram as maiores votações da democracia. Para o conseguir e, simultaneamente, desarticular o discurso da extrema-direita, só tem um caminho a seguir daqui até Dezembro: ir atacando o Governo nas questões sensíveis e de passagem as forças de esquerda que o têm viabilizado.

Os sinais de hoje vão nesse sentido. A responsabilização pelas mortes nos lares, indo assim ao encontro de uma das críticas mais demagógicas da direita, e a Festa do Avante, na proibição da qual toda a direita tem empenhado os seus esforços com vista a estrangular financeiramente o PCP, são dois exemplos indiciários do que vai fazer até à eleição.

Costa parece não ter antecipado este cenário, estando neste momento a correr o risco de ser a única força que explicitamente apoia Marcelo, apesar dos ataques que o candidato não vai deixar de continuar a fazer ao Governo.

Daí que duas opções lhe restem: ou ir ao encontro das críticas e reservas do Presidente, associando - se a elas para as desvalorizar ou fomentar informalmente o aparecimento de um candidato oriundo das suas hostes que levasse o Partido a seguir uma política semelhante à que pôs em prática na última eleição presidencial, ou seja, facilitar o aparecimento de alguém, suficientemente credível, que pudesse contribuir para o enfraquecimento da votação de Marcelo.

Seguir o primeiro caminho seria desprestigiante, o segundo tem alguns riscos, mas se for bem trabalhado assemelhar-se-á a uma posição de neutralidade que é a que mais interessa ao Governo e ao partido que o apoia.

16/08/20

A DIREITA E OS LARES

Ninguém de boa ou má memória poderá esquecer a política do Governo Passos Coelho/Paulo Portas relativamente aos "velhos" durante a crise financeira.

O Ministro da "motinha", do CDS, na pasta do trabalho e da segurança social, encarregou-se de fazer o trabalho sujo que os teorizadores da "peste grisalha", do PSD, queriam ver posto em prática sob a forma de política.

Pois são esses mesmos que agora estão muito "preocupados" com a situação dos lares, a ponto de falarem em "linhas vermelhas", como se tal situação não fosse também ela o resultado da própria forma como eles encaravam a acção do Estado nesse domínio.

De facto, todos nos fartámos de ouvir dizer que as IPSS poderiam na área de "terceira idade" substituir o Estado com vantagem, desempenhando bem, com menos recursos, o que o Estado faz mal, com mais recursos.

A experiência tem, porém, demonstrado que os actores deste e doutros sectores sociais apenas se distinguem dos do sector privado, que têm como objectivo o lucro, por trabalharem com mais subsídios públicos do que aqueles.

Na hora dos apertos já todos acham normal que o tal Estado, que actua mal, os substitua e se responsabilize pelo que, feito por eles, pelos vistos, corre mal ou mesmo muito mal.

Haja coerência ou alguém se encarregue de lembrar quem a não tem.

16/08/20

ELEIÇÕES AMERICANAS 

Se as eleições nos Estados Unidos foram desde sempre as menos sérias das democracias ocidentais, com "batota legal e ilegal" generalizada, este ano correm o risco de se transformarem na paródia do milénio.

16/08/20

POMPEO E OUTROS "FALCÕES" PROVOCAM A RÚSSIA.

As provocações americanas reactivaram-se nesta parte final do mandato deTrump, estando em vias de atingir níveis semelhantes às ocorridas durante os mandatos de Bush, filho, com a diferença de estas terem sido, quase todas, dirigidas a Estados de "segunda linha".

Actualmente, os EUA ameaçam a paz mundial nos mares da China, Taiwan incluído, no Médio Oriente e na Europa de Leste. Sem que o Estado americano seja ameaçado por quem quer que seja, dentro ou na proximidade das suas fronteiras, esta reactivação de provocações militares só se compreende pela decadência irreversível do "Império".

Hoje, os aliados americanos são o que de menos recomendável se pode encontrar na comunidade internacional - os extremistas islâmicos (Al Qaeda, Isis e Talibans), as ditaduras autocráticas do Golfo e Israel, um Estado pária que vive à margem do Direito Internacional, como uma espécie de delinquente contumaz, e a provocadora Polónia e os apêndices bálticos, que, apesar de se situarem na Europa, actuam como se nenhuma das conquistas históricas alcançadas neste continente nos últimos séculos lhes dissesse respeito, tal o desprezo com que tratam, de jure e de facto, uma parte considerável da sua própria população.

Desacreditados junto dos mais influentes Estados da Europa Ocidental, os Estados Unidos, apesar das simpatias que continuam a granjear nos círculos militaristas da NATO, estão hoje mais sós, muito mal acompanhados e à beira de poderem provocar uma catástrofe de proporções planetárias.

16/08/20

VARGAS LLOSA

Vargas Llosa é, como se sabe, um grande escritor. Politicamente alinhado, nestes últimos anos, com as teses neoliberais nem sempre os seus artigos são apetecíveis por quem perfilhe posições opostas às suas. No El Pais de hoje publicou um interessante artigo sobre o excelente livro de Edmund Wilson, (To the Finland Station), "Rumo à estação Finlândia", a propósito da recente tradução castelhana, já publicada ou a publicar. Não sei se há tradução do livro em Portugal, conheço-o por via de uma tradução brasileira, da Companhia das Letras, de 2006. É de facto um livro fascinante, talvez valesse a pena que o nosso Amigo Manel Valente, Manuel Alberto Valente, ponderasse a possibilidade de o publicar, caso não haja edição portuguesa, como penso que não há.


https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Felpais.com%2Fopinion%2F2020-08-15%2Fhacia-la-estacion-de-finlandia.html%3Fssm%3DFB_CC%26fbclid%3DIwAR3-rNOaUyUdQvINKl9DweJNun4vXy6EJ_dgEL9DWDt5zFMCRP3Ej3hMNtY&h=AT3UZZJXq7cXjVm4NC2dEKkydgIYmKgV8gMriT-tQZi_ElMC3u3WqEJTiZ_SGeFZptXY3j9FI6H6i6JCXzt7t04kHkajghZHsI9siWkeBgaqbcYV8vvz5F2qfgSgthENAw&__tn__=H-R&c[0]=AT31OvaojIqldtGvqYmuJxVPa60dKKJO3lboRw_1_FnY7E3ZHTrRbh2Tyacg0GDOMSmQd0XVDxSQmwegGKW_tKRL3fJ_o4L5P_55_vGan6Z6Pb5PMRvTgMLr5GXFvNvWqxBci56aUjv-cS5x31L4ZfL9-f3S2XHk-f30TSs

16/08/20

LARES

Face ao que se vai lendo não pode deixar de responsabilizar-se pelo que está a acontecer, em primeiro lugar, os responsáveis directos pela administração desses lares e logo a seguir todos aqueles que durante décadas andaram a fazer a propaganda das IPSS com o objectivo de afastar o Estado da administração directa das questões de natureza social, sem contudo deixar de as financiar. Entre estes estão o actual Presidente da República, cujo espírito caritativo o levou a defender sempre, incondicionalmente, o chamado sector social; depois os partidos de direita, PSD, CDS e os que no PS alinharam nessa conversa (e muitos foram, alguns dos quase tiveram como programa da candidatura presidencial as IPSS, sem contudo deixarem de servir o sector privado da saúde); e, finalmente, o Estado, ou seja, quem o representa (o Governo) por se ter deixado levar por aquela propaganda e por não ter tomado medidas draconianas sempre que o resultado da fiscalização as exigia.

Quem nada tem a ver com o que se está a passar são os que sempre defenderam um sector público de saúde forte e uma assistência social sob gestão directa do Estado, reconduzindo o dito sector social ao mínimo indispensável e apenas sob a direcção de quem já deu provas sobejas de competência e honestidade.

17/08/20

CONVERSA DE VELHO

Quando eu tiver uma conversa de velho sem saber que estou a ter uma conversa de velho, é porque estou mesmo velho.

Velho como sinónimo de ultrapassado, de incapacidade de compreensão do tempo presente.

Exemplos: porque me considero um "senador" fico muito incomodado quando alguém discorda do que eu digo ou escrevo e, mais ainda, se quem o faz age com vivacidade.

Ou porque, julgando me um sabichão, acho que tenho respostas para tudo, desprezando o saber dos mais novos e a sua maneira de pensar.

Ou porque acho que é uma manifestação de arrogância a discordância que a nova geração manifesta relativamente às gerações anteriores, como, por exemplo, a de repudiar a estatuária de falsos heróis erigidos em símbolos intocáveis do nosso passado histórico.

Ou as de continuar a manter na galeria das virtudes pátrias, feitos que não passam de actos criminosos qualquer que tenha sido a época em que foram praticados.

Em conclusão: sempre isto aconteceu em todas as épocas históricas, por vezes de forma muito mais dramática e traumática, sendo desta luta contra o velho que se alimenta o progresso e que civilizacionalmente se progride.

17/08/20

JOAO MIGUEL TAVARES

O artigo deste plumitivo no "Público" de hoje assemelha-se, para quem conhece os arquivos da PIDE, a um relatório de um bufo, os famigerados informadores do fascismo.

Com duas diferenças, antigamente eram secretos (era como se a própria polícia e os seus esbirros tivessem vergonha de os exibir publicamente), hoje são públicos e quem os faz vangloria-se do feito. E a segunda consiste em agora serem redigidos por gente mais instruída.

Este JMT não era o tal do "elevador social"? Então, continue que ainda vai chegar ao tecto...

20/08/20


ELEIÇÕES AMERICANAS II

Assistindo de longe à Convenção dos democratas algo me diz que Trump ainda tem fortes hipóteses de ganhar.

Os discursos dos Obamas são mais do mesmo, o de Biden é, como sempre, sonolento, o de Kamala tem contra si o seu passado e de tudo isto resulta que não me parece ter havido algo capaz de empolgar o eleitorado.

A ver vamos...

20/08/20

ELEIÇÕES AMERICANAS III

Acabei de ver um programa da CNN sobre a política externa dos Estados Unidos.

E repito o que disse há quatro anos. Se tivesse de votar nas eleições americanas não votaria em nenhum dos dois candidatos. Mas se como europeu, de esquerda, me perguntassem quem gostaria que ganhasse, a resposta seria clara: Trump.

Do mal, o menor. E se Trump "corresse" com Pompeo e mudasse de vice-presidente, então nenhuma dúvida subsistiria...

24/08/20

NAVALNI E O ENVENENAMENTO

Os médicos russos que trataram NAVALNI em Omsk declararam que não havia sinais de envenenamento. Os médicos alemães do hospital de Berlim, cidade para onde o doente foi transferido, entendem que Navalni pode ter sido vítima de envenenamento.

Quid júris? Nada mais fácil. Quem alinha pela política externa ocidental não tem a menor dúvida de que o veredicto dos médicos alemães é o que conta, por ter a sua origem numa fonte independente que não se deixa pressionar nem influenciar pelo poder político.

Quem, pelo contrário, desaprova a política imperialista do Ocidente e do cerco à Rússia pelas forças da NATO, entende que a opinião dos médicos alemães relativamente a um assunto relevante, do ponto de vista da política internacional, é tão credível ou tão pouco credível como a dos russos.

Estes têm porém a seu favor o facto de não terem tido qualquer problema em transferir o doente para a Alemanha.

Só mesmo uma junta médica verdadeiramente independente poderia apresentar um diagnóstico ou um resultado credível. Assim, fica sem se saber o que realmente se passou.

25/08/20

WUHAN

Aconselho a leitura de um artigo publicado no Le Monde de ontem sobre Wuhan

"Wuhan, vitrine chinoise d'un monde post-Covid"

Mantenho a opinião que desde o início exprimi: o combate a este vírus é, primeiro que tudo, um combate do foro político. E somente quem vencer este primeiro combate poderá depois vencer o combate sanitário.

A CRISE POLITICA

Sobre este assunto creio haver duas posições.

Uma seria apostar politicamente nessa crise, quer obrigando o PS a negociar à direita, quer aceitando correr o risco da dissolução do Parlamento, se o PS o não fizer.

Outra consistiria em negociar. Negociar pressupõe da parte de quem precisa do negócio aceitar incluir no seu programa objectivos que não são os seus e deixar cair alguns dos seus. E pressupõe também, da parte de quem aceita negociar, ter em conta a real correlação de forças, ou seja, não pode pretender desfigurar o programa de quem precisa de negociar nem tentar que o negócio se converta num meio de realização do seu próprio programa.

Em conclusão: tanto num caso como noutro quem fica a ganhar será sempre o PS. O PS só ficaria a perder se negociasse com a direita. Costa, já se percebeu, sabe disso. Este o drama da esquerda.

31/08/20

TEXTOS PUBLICADOS NO FACEBOOK EM JULHO

 PARA MEMÓRIA FUTURA




COVID19 E A DEMAGOGIA

Há maneira de conter a propagação do vírus na grande Lisboa? Sim, claro que há. É muito simples: testar, retirar imediatamente do seio da comunidade as pessoas infectadas e isolá-las em hospitais de campanha ou em qualquer outro alojamento com condições para as acomodar. Rastrear logo a seguir as pessoas que contactaram com os infectados e juntá-las aos anteriores se estiverem contaminadas. Por último, vigiar policialmente todas as regras (e não as simples recomendações) que não estejam a ser cumpridas – distanciamento social, ajuntamentos, máscaras, higienização, etc.

Há condições para fazer isto em Portugal ou num qualquer outro país ocidental? Não, não há.

Então, se não há por que se insurgem contra quem não o faz? E por que igualmente se insurgem contra quem o fez e continua a fazer…com êxito?

A isto se chama demagogia

20/07/02

A DECADÊNCIA

Durante anos e anos os anglo-saxónicos e, em geral, os ocidentais atacavam a URSS e a República Popular da China, bem como os demais países socialistas, por recusarem o "free market” e terem instituído um sistema económico que não lhes permitia satisfazer as necessidades das suas populações.

Durante anos e anos imiscuíram-se despudoradamente na política interna desses países para os destabilizar politicamente através dos mais variados meios (entre os quais nunca faltaram as sanções e as ameaças) de modo a criar um clima que pudesse levar ao seu colapso.

Hoje, esses mesmos países atacam a República Popular da China por inundar o mundo com os seus produtos e passam o seu tempo a acusá-la, juntamente com a Rússia, de ingerência nas suas políticas internas. Invocam razões de segurança nacional para esconder a sua derrota no "free market", ou seja, no campo em que eles até há bem pouco exigiram que se jogasse.

A isto chama-se perder a hegemonia. E a perda da hegemonia terá como consequência inevitável a decadência do mundo ocidental.

Todavia, perder a hegemonia ideológica mantendo, ou supondo manter, a hegemonia armamentista é um perigo para toda a humanidade. A arrogância e o desespero, unidos, não auguram nada de bom para o futuro do mundo.

20/07/17

 

MARK RUTTE

Alguém acredita que o PM dos Países Baixos esteja a actuar por conta própria? Alguém acredita que a Holanda, um verdadeiro viveiro de lacaios americanos na NATO e de batedores especializados em abrir caminho a fins inconfessáveis dos seus mandantes na União Europeia (primeiro, durante muitos anos, os ingleses e, ultimamente, os alemães), tenha a ousadia de apresentar propostas radicais numa reunião tão importante como a que desde ontem está a ter lugar em Bruxelas?

Eu não acredito. Evidentemente, que as propostas neerlandesas não são para aprovar tal como são apresentadas, mas destinam-se a criar uma barreira intransponível ao primitivo sentido dos financiamentos a fundo perdido, transformando-os em fundos condicionados a um conjunto de exigências que nada tenham a ver com a causa que os determina.

Ou seja, houve quem no quadro trágico causado pela pandemia tivesse sentido a preocupação de apagar a péssima imagem que a UE deixou nos cidadãos europeus pela sua actuação nos primeiros meses da propagação da doença na Europa mediante o anúncio de um programa em que afloravam alguns elementos altruístas inabituais no comportamento corrente da União Europeia. Obtido esse efeito propagandístico, conviria encontrar alguém que pudesse fazer reverter ao seu sentido habitual os fundos destinados ao dito "programa de recuperação económica".

E, para isso, nada mais eficiente do que encarregar dessa tarefa quem não tenha qualquer problema em acusar os países do Sul de gastar o "dinheiro dos outros" em álcool e mulheres, ou, como se diria cá por cima, em "putas e vinho verde".

Creio que foi o que se passou e para tanto nada mais prático do que reclamar os serviços de um país especializado em “off shores”, em deslocalizações fiscais, em drogas e prostituição. A cada um o seu papel!

20/07/18

 

OS COMENTADORES DA RTP

Os comentadores da RTP acham natural que os estrangeiros interfiram directa ou indirectamente em Hong Kong, como também achavam natural que os "exemplos" de Macau e de Hong Kong “contagiassem" toda a China.

Pelo contrário, interpretam como uma grave quebra dos compromissos assumidos o exercício da soberania chinesa em Hong Kong.

Provavelmente, também acharão normal que dois porta-aviões americanos naveguem nos mares da China e que um outro do Reino Unido se prepare para rumar a essas mesmas paragens, mas certamente considerariam como uma gravíssima ameaça à paz internacional a deslocação de dois porta-aviões chineses para os mares da Florida ou das Caraíbas.

Os Estados Unidos podem estar no grau zero da sua capacidade de influenciar o mundo pela persuasão, a que chamam “soft power”, apesar de essa persuasão não dispensar os bombardeamentos cirúrgicos nem os assassinatos com “danos colaterais”, mas do que não se podem queixar é da falta de lacaios.

20/07/18

 AS DECLARAÇÕES DE RUI RIO

 No momento crítico das negociações de Bruxelas, Rui Rio fez questão de tirar o tapete ao Governo e apoiar os "frugais".

É a mania dos pobres quererem parecer ricos. Ou seja, a verdadeira pelintrice dos pobres é quererem comportar-se como os ricos!

20/07/18

 

A TAP E MARCELO

Alguém me explica que necessidade tinha MRS, Presidente da República, de no diploma em que promulgou a aquisição pelo Estado da participação accionista do sócio americano-brasileiro-maltês vir dizer que se o Governo tivesse optado pela nacionalização não o promulgaria?

Isto é formal e substancialmente inaceitável. Primeiro, porque a promulgação não é o instrumento adequado para exprimir esses estados de alma. Que Cavaco, como economista-contabilista, o não saiba, compreende-se, mas que MRS, como professor de Direito Constitucional, o desconheça é que já nos parece inaceitável.

Substancialmente, também é uma posição difícil de sustentar num quadro diferente daquele que acabou por se verificar. Basta pensar na hipótese de o tal sócio americano-brasileiro-maltês dificultar propositadamente as negociações. Iria MRS, nesse caso, arcar com a responsabilidade de deixar falir a TAP?

20/07/18

 

RUSSIA INTERFERIU NOS REFERENDOS BREXIT, ESCÓCIA E NAS ELEIÇÕES AMERICANAS, FRANCESAS, ETC.?

 Introduziu votos nas urnas? Votou pelos mortos, ausentes e abstencionistas?

Parece que não encontraram nada. Então como é que interferiu? Propaganda? Bem, mas como é possível que as mais velhas democracias do mundo, os campeões dos direitos democráticos e os velhos revolucionários da Europa se deixem influenciar pela propaganda?

Isso é o que os Estados Unidos têm feito desde há 70 anos em países atrasados ou nos outros com batotas e ameaças.

Sim, como é que Estados que estão permanentemente a dar lições de democracia ao mundo, que se gabam de ter uma população culta e ancorada nos grandes princípios democráticos, podem admitir que venham uns tipos lá das profundezas das estepes influenciar o seu bem avisado eleitorado?

Isso seria passar aos seus povos um grande atestado de incompetência. Mas se essa incompetência realmente existe que legitimidade têm os governantes que dela emergem para criticar ou acusar quem quer que seja?

20/07/20

 

O "POLÍCIA" POMPEO E A EUROPA

O ex director da CIA, agora Secretário de Estado de Trump, depois de ter conseguido que Londres desse o dito por não dito a propósito da Hauwei na 5 G britânica, quer agora que Downing Street, onde está em visita oficial, alinhe com eles (americanos) na acusação de negligência chinesas na difusão do novo corona vírus

Esta acusação feita pelos dois mais "diligentes" países da comunidade internacional na contenção e combate à COVID 19, a que somente o Brasil se poderá juntar com o mesmo grau de eficiência, dá-nos uma ideia muito precisa do que é hoje Ocidente no mundo. Dir-se-á que nem todo o Ocidente se revê nesta forma de fazer política nem na mais completa desfaçatez que a caracteriza, mas a essa objecção nós responderemos que somente depois de sabermos como vai a Europa da UE responder às pressões americanas se poderá confirmar ou infirmar a validade da objecção.

A experiência até nos ensina que por mais "coices" que recebam de Washington há sempre nas banda de cá - e não apenas na Holanda, na Polónia ou nos Bálticos - quem esteja disposto a compreender e a justificar o tratamento recebido.

20/07/21

 

 

SALAZAR


Há cinquenta anos morreu Salazar. Não foi uma vitória a morte de Salazar. Para todos os que lutaram contra o fascismo salazarista, a morte do ditador, convencido de que continuava sendo o dono do poder ou fazendo de conta que continuava sendo-o (a verdade jamais se saberá), sem que antes dela tenha sido confrontado com o derrube do regime que durante um pouco mais de 40 anos tinha conseguido manter, se não foi uma derrota por não ter sido possível confrontá-lo com as consequência desse derrube, também não passou de uma triste consolação porventura expressa num duplo sentimento que, suponho, a todos perpassou: pelo menos, com ele não continuaremos, aconteça o que acontecer, e pode ser que com o seu ou os seus sucessores as coisas fiquem um pouco mais fáceis.

20707/27

 

SIC

 

Se é verdade o que acabei de ler, tenho de dar os parabéns à SIC, o que me acontece, se não erro, pela primeira vez.

Os programas de adeptos foram eliminados da programação. Até que enfim!

Desde 28 de Fevereiro que não vejo nenhum programa desportivo. Nem depois dessa data voltei a assistir a um jogo de futebol.

Os programas a que a SIC agora pôs termo, e ao que me dizem também a TVI, eram o que há de mais tóxico para o futebol. Pior que o COVID 19. Que alívio!

20/07/27

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

TEXTOS PUBLICADOS NO FACEBOOK EM JUNHO

PARA MEMÓRIA FUTURA 



RTP

A RTP escolhe a dedo os seus correspondentes no estrangeiro. Este que está na América é incapaz de contar o que se passa. Acantonou - se numa avenida de Minneapolis e está manifestamente ansioso por começar a atacar os manifestantes

Bolas, é demais!

20/06/02

CENTENO

Querem saber quem é o Centeno como Ministro das Finanças? Leiam o programa económico com que o PS se apresentou às eleições em 2015 e logo perceberão o que vale o Centeno politicamente.

Os grandes ministros das finanças da primeira legislatura de António Costa chamam-se Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, apesar de sistematicamente travados por Centeno nas cativações.

Por último, Centeno mostrou a faceta mais lamentável da sua personalidade política durante a pandemia - uma covardia política como raramente se vê.

20/06/09

A INDEPENDÊNCIA DO BANCO DE PORTUGAL

Já aqui (no fb), e no Politeia, dissertamos longamente sobre a “independência” das entidades reguladoras. Não vamos, por isso, voltar a desenvolver o tema. Vamos apenas recordar que a “independência” das autoridades reguladoras é uma invenção do neoliberalismo destinada a afastar o Estado da defesa do interesse geral, colocando-o ficticiamente numa posição de igualdade relativamente aos privados que dominam as empresas cujas actividades as entidades reguladoras supostamente regulam. Ficticiamente, já que na realidade o que acontece é a quase completa subalternização do Estado relativamente aos interesses do capital.

Por isso, nos não parece pedagogicamente aconselhável discutir a nomeação do próximo governador do Banco de Portugal em função da sua maior ou menor proximidade com o partido X ou Y. De facto, a questão não está em saber se Carlos Costa não servia porque estava muito ligado ao governo de Passos Coelho ou se Centeno também não pode ocupar essas funções por antes ter desempenhado as de Ministro das Finanças. A questão está na falsa independência do Banco de Portugal e na desresponsabilização do governo por tudo o que nele se passa com pesadas consequências para os cidadãos em geral.

Como o tema é demasiado importante na governação de qualquer país, ele deve ser inequivocamente apresentado pelos partidos políticos que rejeitam o neoliberalismo bem como a sua institucionalização pela via dos múltiplos expedientes de que este se serve para afastar o Estado do papel que lhe compete – a defesa do interesse geral tal como o governo o interpreta em programas eleitoralmente sufragados pela via eleitoral. Embora não seja possível alterar os estatutos do Banco de Portugal nem os do BCE por via de declarações políticas, é possível contudo defender politicamente uma actuação dos bancos centrais que aponte no sentido de promover o desenvolvimento e o emprego, como interesses de primordial importância para o Estado enquanto representante do interesse geral, em vez de se aceitar passivamente uma actuação que tenha exclusivamente em vista a “estabilidade dos preços” e a defesa do interesse dos banqueiros, como desde há cerca de trinta anos tem acontecido por toda a União Europeia.

O Banco Central não existe para servir os bancos nem o capital financeiro. O Banco Central existe para defender e pôr em prática a política do governo no sector financeiro e na economia em geral. Somente por esta via se poderá garantir, nos quadros do sistema, a democraticidade da sua actuação. Erigindo-o em poder independente, politicamente irresponsável, está aberta a porta por onde tudo pode entrar sem que ninguém seja responsável pelo que entra. E foi assim que no curto espaço de 20 anos já entrou uma grande crise financeira cujas consequências se tem feito pesadamente sentir até hoje no “bolso” dos cidadãos.

20/06/09

A RTP3

Ontem à noite ou talvez já hoje de madrugada liguei a televisão. Estava na RTP 3. Joaquim Fidalgo comentava os títulos da imprensa de hoje. Falava do arquivamento do processo “Olof Palme” que, segundo o Ministério Público da Suécia, terá sido assassinado por um desenhador gráfico que se suicidou há 20 anos. Falava sobre a hipótese de ter havido ou não conspiração, sobre a hipótese de poder estar implicado algum dos inimigos políticos de Palme, ao rol dos quais logo foram acrescentados, com toda a convicção, pela fulana que tem a seu cargo o noticiário da noite, “a União Soviética e os países de Leste”. Um pouco admirado com aquela imputação, Joaquim Fidalgo limitou-se a dizer: “Muito provavelmente a extrema-direita sueca”.

Chamo a atenção deste episódio a título de exemplo e não tanto pelas eventuais consequências do comentário da senhora locutora. Esta fulana, cujo nome desconheço, mas que de há muito identifico como uma das fascistoides que pululam na RTP, é a mesma que há dois meses ou três meses ainda o Governo não tinha acabado de enumerar as medidas que havia tomado para tentar evitar a propagação da pandemia, já estava a desmerecer de tudo o que acabava de ser enunciado e a predizer as piores consequências para os portugueses, com a saúde dos quais ele se estará positivamente nas tintas, apenas se servindo deles como arma política contra todos que não partilham a sua cartilha política.

É de facto inadmissível que na RTP haja entre os seus funcionários quem se julgue dono do programa ou dos programas que tem a seu cargo com completo alheamento do verdadeiro conteúdo da função que desempenha e dos interesses que importa servir e defender. E mais estranho é ainda que o Governo se mantenha completamente à margem do que lá se passa para já não falar na ERC cuja credibilidade é ZERO! Escudando-se na falsa liberdade de imprensa, como algo de que se podem apropriar para propagandear a sua agenda política, esta gente da RTP sabe explorar como ninguém o preconceito que infesta e tolhe a consciência dos que se sentem incapazes de intervir numa área onde qualquer intervenção será sempre qualificada de censura por quem viola os seus deveres de funcionário e desrespeita o seu código deontológico por mais legítima e justificada que essa intervenção seja.

20/06/11

SOBRE AS ESTÁTUAS

Apenas isto: lembro-me perfeitamente do entusiasmo com que as televisões e a imprensa ocidental, os jornalistas e comentadores acompanharam a destruição ou desmantelamento das estátuas na extinta URSS e nos países do leste europeu.

Apreciaram muito…

20/06/13

ALMIRANTE TENREIRO

Lembram-se de Tenreiro? Os mais velhos, certamente. O Almirante Tenreiro era um amigo de Salazar, apoiante da ditadura, que durante o "Estado Novo" era identificado com o "tachista" típico do regime, tantos e tão variados eram os lugares que ocupava, além da actividade empresarial que também desempenhava.

Nessa altura nós, nos verdes anos da nossa juventude, acreditávamos que um exemplo daqueles só poderia existir na ditadura fascista de Salazar ou de outra mais ou menos parecida, como a de Franco, por exemplo.

Hoje, 46 anos depois do derrube da ditadura, na madurez da nossa idade, certamente que muitos dirão:

"Olhe que não. Isso também pode acontecer em democracia...E não há comparação possível entre as prebendas de ontem e as de hoje."

A que propósito me teria lembrado disto?

20/06/13

O CONTINENTE AMERICANO

Nada no mundo se assemelha ao continente americano. É um continente diferente de todos os outros. Certamente, que por toda a parte houve migrações O homem de que hoje descendemos terá nascido em África e daí migrou para todo o planeta. Ou mesmo que tenha nascido em vários outros lugares não ficou nos lugares onde nasceu.

Só que tudo isto se perde na voragem e na memória dos tempos, a ponto de, quando hoje se pretende fazer a reconstituição dessas migrações, haver mais dúvidas do que certezas.

No continente americano, com a configuração que hoje tem, o que se passou aconteceu "ontem", na Idade Moderna, desde há 500 anos para cá.

E o que se passou, resume-se em três palavras: conquista, extermínio e escravatura. E isto não tem paralelo com o que passou a partir daquela mesma data em qualquer dos outros dois grandes continentes: a Ásia e a África.

Portanto, os que hoje lá vivem - e eles são, em larga medida, os descendentes dos "fizeram" aquele continente - vão ter muito que penar se quiserem reconstituir a "pureza original" e nunca o irão conseguir por mais voltas que dêem ou por mais estátuas que derrubem. Mais lhes vale aceitar a História e construir um futuro que vá, gradual ou aceleradamente, esbatendo, até a erradicar, a pesadíssima herança dessa História, concedendo ao que resta dos povos originários e às centenas de milhões de descendentes de escravos uma verdadeira cidadania que elimine de vez as raízes da sociedade dual em que a maior parte do continente, para não dizer a totalidade, continua hoje a viver.

Esses descendentes dos conquistadores, exterminadores e esclavagistas, que se sentem envergonhados com a História do continente em que vivem, que juntem as suas forças aos milhões de enjeitados da fortuna, e construam uma sociedade nova que elimine de vez as raízes e as consequências da sociedade esclavagista em que nasceram e em que foram criados e educados para a perpetuar. Esse trabalho continua por fazer, tal o peso e a força das oligarquias dominantes, não obstante os esforços regularmente repetidos dos oprimidos, que de tempos a tempos parecem emergir com a força suficiente para iniciar essa mudança, mas que, ou por erros próprios ou por perfídia alheia, regularmente soçobram, e tudo volta à estaca zero sem se consolidar a parte mais importante do que parecia conquistado.

Aprender com a História significa tornar irreversíveis as conquistas dessa luta e isso, já se percebeu, não vai ser possível enquanto não for desmantelado o poder das oligarquias dominantes.

Façam isso e deixem as estátuas para mais tarde, para quando saírem vitoriosos dessa luta, essa sim, verdadeiramente refundadora do continente americano.

20/06/13

OS TELEJORNAIS

Hoje, fui vendo os três jornais da noite, saltitando de um para outro.

A primeira conclusão que se retira, mais ou menos consensual, creio, é a de que toda a informação televisiva tem a marca de direita. Não será, nem nada que se pareça, um direita extrema, mas é a de uma direita mansa que contextualiza factos e os envolve em explicações que tendem a passar por naturais, óbvias, como se não houvesse outras. É uma espécie de um estilo salazarista modernizado. É essa base.

E a segunda conclusão é a de que a Esquerda não tem uma única voz sua nos telejornais. Pode episódicamente aparecer alguém de esquerda relacionado com a noticia, como não poderia deixar de ser, a emitir uma opinião ou a defender uma posição, mas voz, voz mesmo com direito a assento, não há. Quanto muito alguém de centro ou do chamado centro esquerda, mas de esquerda, não.

O que não deixa de ser espantoso tendo em conta o número de pessoas que se situa nesse quadrante.

A CORRUPÇÃO EM PORTUGAL

Quando em Portugal há suspeitas de corrupção de pessoas ou entidades importantes, alicerçadas nas investigações das autoridades policiais e judiciais, o assunto é amplamente discutido na imprensa e nas televisões, a ponto de em algumas destas se constituírem autênticos "tribunais mediáticos", quase sempre sem a presença dos suspeitos ou de quem os defenda, que rapidamente fulminam os visados com sentenças demolidoras sem direito a recurso.

Curiosamente, está neste momento em curso um processo da maior importância, não apenas pelas entidades envolvidas como pelas consequências que o mesmo pode ter tido (e continuar a ter) para o erário público português, a confirmarem-se os indícios do MP, sobre o qual quase nada se sabe.

Não estamos evidentemente a advogar que em relação a este processo se constituam os conhecidos "tribunais pseudo populares" nas televisões nem que a imprensa vá desde já ditando as suas sentenças inapeláveis sobre o que está sendo investigado. O que gostaríamos era de ser mais bem informados sobre o que se está a passar. Em vão percorremos os jornais, revistas e as estações de televisão, nenhum deles nos presta essa informação elementar.

Por que será que tal acontece? Por que será que não faltaram centenas de artigos e debates sobre a "operação Marquês" nem sobre os múltiplos processos que o Benfica tem pendentes e não haja mais que secas notícias sobre a investigação que recai sobre dois altos cargos da EDP, indiciados pelo crime corrupção activa para obtenção de rendas excessivas? Por que será? Por que será que um assunto tão importante para o contribuinte português, que paga anualmente milhões de euros à EDP, não merece o interesse nem o empenhamento dos nossos impolutos jornalistas? Por que será?

20/06/15

RACISMO

Enquanto o grande Luís de Camões no século XVI se apaixona pela jovem chinesa, que imortaliza como a sua Dinamene num soneto que todos nós aprendemos a recitar de cor, outro grande poeta português do século XX apouca a sua grandeza defendendo aos 20 anos, aos 32 e aos 40 o racismo, a escravatura e a inferioridade das mulheres.

20/06/16