sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O CDS METEU O "RABINHO ENTRE AS PERNAS"


 

PORTAS LEVA FORTE PUXÃO DE ORELHAS, MAS MANTER-SE-Á ATENTO

 

Como se esperava o CDS meteu o “rabinho entre as pernas” e prontificou-se a representar o papel que o PSD lhe atribuiu. Aliás, como já foi dito e redito, o CDS nunca esteve, nem está, contra a austeridade nem contra as medidas que injusta e brutalmente oneram o trabalho directa ou indirectamente. O CDS apoiou-as e continua a apoiá-las. O CDS estará, isso sim, contra os impostos que onerem os ricos ou que onerem os ricos em função da sua riqueza. Contra isso o CDS está de certeza (basta ouvir Pires de Lima e Lobo Xavier). Mas não está contra o confisco das pensões dos reformados (isso são “cortes na despesa”, diz Portas) nem contra o confisco dos salários dos trabalhadores da função pública (que também não passam de “cortes”), nem contra outros soezes ataques aos rendimentos de quem trabalha e ganha pouco. Contra isso o CDS não está, assim como não está contra os milionários subsídios que os colégios privados recebem do Estado, nem a favor do controlo da utilização desses subsídios, nada fazendo, por exemplo, para impedir que os patrões desses colégios obriguem os professores a assinar uma carta impedindo-os de reclamar as várias horas lectivas que estão a prestar a mais sem remuneração. Contra isso o CDS não está, mas está, e com ele o seu pérfido Ministro da “Solidariedade Social", contra o subsídio social de inserção recebido pelo “cigano” ou por quem é pobre por tanto um como outro serem aos olhos do CDS suspeitos.

Portas, apesar de estar de alma e coração no Governo – o que iria ele fazer a seguir? -, assustou-se com a manifestação e quis ficar com um pé em cada lado, por temer as piores consequências. Depois percebeu que, para já, não vai acontecer nada. Percebeu também que a convocação do Conselho de Estado faz parte da encenação e talvez acredite ainda que a manifestação de sábado pode ser assim algo parecido com a de 12 de Março do ano passado. Mas continuará atento, para não voltar a ser apanhado de surpresa como foi em 2005 com a demissão de Santana Lopes. Desta vez vai querer saltar fora antes que seja tarde. Só que pelo próprio apego ao lugar e pela natural desvalorização dos factores adversos acabará por se enganar no timing. E é também essa certeza que o PSD tem sobre a natureza da coligação que vai fazer com que esta nunca mais supere a crise em que está mergulhada não obviamente por causa das deslealdades do CDS mas por força da rejeição popular da política do governo.

Aliás, quem esteja atento aos sinais depressa concluirá que do lado do PSD se quebrou definitivamente o vínculo mínimo de confiança que o unia, no governo, ao CDS, mas concluirá também que em certos sectores mais lúcidos do partido (e mais lúcidos não quer dizer necessariamente menos reaccionários), não completamente comprometidos com o Governo, pelo menos na aparência, começa a haver um ténue discurso alternativo que embora não fugindo, para já, à matriz imposta pela Troika começa, na realidade, a dela se distanciar. A ideia de falar com a Itália, tanto quanto se fala (melhor: se escuta) com a Alemanha, a sugestão de exigência de juros mais baixos, a preocupação de não afundar completamente a procura interna, enfim, são pequenos, pequeníssimos passos, todavia indiciadores de que algo muito brevemente vai mudar.

O mais importante é saber quem vai protagonizar essa mudança. Só que não se pode responder a esta pergunta sem primeiramente se perceber o que é que o PS de Seguro quer…

 

1 comentário:

Rogério Pereira disse...

Por vezes no wrestling há um ou outro golpe fora do combinado e um dos contendores sai magoado... mas depois passa...