domingo, 21 de dezembro de 2014

ESPÍRITO DE NATAL



 
A PROPÓSITO DO NASCIMENTO DE NOVAS FORMAS DE GOVERNO


Já dissemos no Politeia tudo o que, do nosso ponto de vista, sobre a TAP havia para dizer.Supúnhamos que tínhamos dito. Afinal, enganamo-nos. Vender a TAP a brasileiros é reservar-lhe o mesmo destino da CIMPOR e da PT. Este governo que os portugueses puseram em São Bento é uma das maiores vergonhas da História de Portugal. A Ministra das Finanças tem a desfaçatez de discordar da compra pelo BCE da dívida pública dos Estados, alinhando ao lado do BundesBank que defende interesses que nada tem a ver com os interesses portugueses. O Ministro da Economia não tem problemas em vender a Pátria aos pedaços com a mesmo à vontade com que vende sumos de laranja ou de ananás. O Primeiro Ministro não tem na sua conduta corrente um leve assomo de dignidade patriótica. A sua pátria é o mercado. O CDS, intrinsecamente perverso, faz o que for necessário para se manter no poder e eleitoralmente fora dele, afiançando a sua presença com um feroz combate aos pobres, aos doentes e aos velhos, que exibe, sempre que necessário, como credencial de fidelidade ante os devaneios de Portas que tem por missão olhar para os votos.

E lembrarmo-nos nós que este povo que elege esta gente é feito da mesma massa daqueles que há umas décadas gritavam enfurecidos: "Portugal é do povo não é de Moscovo!".

O que obviamente levanta quer se queira quer não o problema dos limites da democracia como forma de governo. Hoje sacralizada e dogmatizada, a democracia deixou de estar sujeita ao ciclo corrector das degeneradas formas de governo. No passado a democracia degenerava-se e degradava-se pela demagogia. Hoje, é pelo dinheiro, pelo mercado e o seu entorno. No fundo, bem no fundo, as causas de degenerescência da democracia como forma de governo tem a ver com o seu contexto. Com o modo como esse contexto condiciona e limita gravemente as pessoas. Por isso remédio não estará, como alguns dizem, em mais democracia, mas na alteração radical do contexto em que ela se manifesta e actua. E para mudar o contexto vai ser necessário abrir um novo ciclo.

Que, como sempre aconteceu, entregará o governo aos melhores. Sem isto queira dizer que o novo ciclo não encerre igualmente perigos, desde logo o de os "melhores" deixarem de atender ao interesse geral para atender ao interesse do grupo. Mesmo assim é preferível abrir um novo ciclo quando a forma de governo vigente se degenera gravemente. É que da regeneração da ruptura sempre fica algo bem mais positivo do que a generalizada degenerescência que antes existia.

 

3 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Este "espírito de Natal" é uma consequência (quase) directa do "som do silêncio", penso.

jlsc disse...

A esse nascimento chamaria eu segundo renascimento e sobre ele diria que urge.
Mesmo que muitos sejam capazes de o ver com a mesma cegueira com que recusam garantias a quem odeiam, mesmo que fiquem nus.

JM Correia Pinto disse...

Rogério...