sábado, 12 de maio de 2018

MARCELO E A DIPLOMACIA PORTUGUESA


O PROTESTO DA ASSOCIAÇÃO SINDICAL DOS DIPLOMATAS PORTUGUESES
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Por ocasião da condecoração dos irmãos Sobral com o grau de comendadores da Ordem de Mérito, no aniversário da sua vitória no Festival da Eurovisão de 2017, Marcelo nos elogios que teceu aos dois cantores afirmou a dada altura que eles são embaixadores mais qualificados e mais eficientes do que a generalidade da nossa diplomacia”.

Os miúdos, que, pelos vistos, são bons e de quem os portugueses gostam, ficaram maravilhados com a sinceridade do Presidente da Repúblico. No público, em geral, a declaração do PR foi também acolhida com agrado.

Esta seria mais uma não notícia ou uma notícia cujo relevo ficaria circunscrito à efeméride que a ditou, sem prejuízo do interesse e da honra que aquela condecoração e os elogios do PR terão pela vida fora para os manos Sobral, não fora dar-se o caso de a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses (ASDP) ter vindo, dias depois, qual virgem ofendida, lamentar que o Presidente da República tenha vindo com as suas palavras pôr (eles dizem “colocar”) “em causa a competência e profissionalismo de toda uma carreira especial do Estado, denegrindo a sua imagem e, como tal, a própria credibilidade das instituições públicas”.

De facto, as declarações do PR teriam ficado por ali e teriam sido compreendidas pelo significado que realmente têm não fora este ridículo protesto da ASDP. O Presidente limitou-se a dizer aquilo que é óbvio: que um feito individual ou colectivo, alcançado por um cidadão, uma equipa ou um grupo de pessoas de um qualquer país, imediatamente amplificado e repercutido nos quatro cantos do mundo ,vale mais, incomparavelmente mais, para esse país do que a acção de todos os diplomatas juntos num ano ou em vários.

Só mesmo um corporativismo retrógrado de feição medievalista, postiçamente snob, inseguro quanto ao seu valor pode reagir tão epidermicamente a uma afirmação que qualquer cidadão normal interpreta no sentido que ela realmente tem. É caso para perguntar, tão despropositado é, aparentemente, o protesto, se por detrás dele não estará a subliminar necessidade de defender o estatuto de que os diplomatas gozam, frequentemente acusados de na função pública beneficiarem de privilégios e mordomias que nenhuma outra classe profissional tem. Estatuto que alguns têm tentado justificar com o argumento, falso, de que nenhuma outra classe profissional na função pública tem de ultrapassar provas de acesso tão exigentes quanto as da carreira diplomática.

Basta falarmos na carreira dos médicos especialistas nos hospitais públicos, na carreira universitária e na magistratura judicial para imediatamente se perceber que aquela afirmação é falsa e também demagógica quando reiterada. Mais: todas estas são carreiras cujo progresso está sujeito à prestação de provas públicas ou actos escrutinados por todos os cidadãos sem compadrios corporativos de pares ou de responsáveis políticos.

E fiquemos por aqui no muito mais que se poderia dizer quanto à “substância” da função e da sua contingência em função do pais que a integra….

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Associação Sindical dos Diplomatas Israelitas (ASDI), constou-me, que também leu o que aqui escreveu!