MAIS DUAS OU
TRÊS NOTAS SOBRE FUTEBOL
No futebol há gente séria como em todo o lado, há também
muitos aldrabões e vigaristas e há os sabujos, que usam a demagogia como arma e
a adulação como modo de vida.
Dos aldrabões e vigaristas vão ter de tratar a polícia e o
Ministério Público, se cumprirem os seus deveres.
Dos outros temos de tratar nós.
Comecemos pelo rescaldo decorrente da eliminação da selecção
portuguesa de futebol. Os tais demagogos e sabujos de que acima falámos não têm
dúvidas de que Martinez é o grande responsável, juntamente com um ou dois
jogadores oriundos de clubes que eles têm por missão denegrir. Antes de mais
nada é preciso relembrar que a selecção fez o mesmo que sempre tem feito em
anteriores participações. Nas nove vezes em que participou em fases finais do
Mundial de futebol, somente por duas vezes a selecção conseguiu chegar ao fim
do torneio, ou seja às meias finais, que tanto permitem determinar os dois
finalistas, sendo o vencedor o campeão, como os lutarão pelo terceiro lugar, classificando-se o
derrotado em quarto.
Somente por duas vezes a selecção chegou às meias finais, a
primeira foi em 1966, sob a direcção de Manuel da Luz Afonso e Otto Glória e a
segunda foi em 2006, sob a direcção técnica de Luís Filipe Scolari. Em 1966,
ficou em terceiro lugar, em 2006, ficou em quarto. Portanto, não se percebe
onde está o espanto.
Toda a gente sabe, toda a gente, menos a da CMTV, que a
selecção e alguns jogadores foram altamente prejudicados por o seleccionador
estar obrigado, por um lado, a aceitar que Ronaldo se convoque a si próprio
para integrar o elenco da selecção (o próprio Ronaldo o disse com todas as
letras na véspera do jogo contra aa Espanha) e por outro a aceitar também que
seja Ronaldo a determinar o tempo que jogará em cada jogo, que é, como também
já vimos, o tempo todo, ou seja, o tempo que o encontro durar.
Com este constrangimento de vulto e também com a pouca habilidade que o seleccionador
tem demonstrado para compreender o jogo, esperar outro resultado seria mesmo
irracional. Se é irracional esperar outro resultado, já não tem nada de
irracional fazer de conta que os constrangimentos citados não existem. Existem
e todos sabem que existem, mas quase nenhum dos comentadores o poderá dizer
aberta ou veladamente. Uns porque são empregados de Ronaldo, como os do Correio
da Manhã, outros porque não podem nas estações onde trabalham, como acontece
com as públicas, assumir abertamente esta evidência.
E então assiste-se a um espectáculo vergonhoso, onde nalguns
casos a sabujice atinge proporções inimagináveis. O comentador Vítor Pinto da
CMTV/Record, que se passou a assumir como uma espécie de Mark Rutte de Ronald,
descobriu que o Ronaldo tinha cometido o enorme feito de, pela primeira vez,
ter marcado um golo num jogo a eliminar. Imagine-se que grande feito Ronaldo
cometeu depois de ter participado em 6 mundiais e em mais de uma dezena de
jogos a eliminar. MarK Rutte é um sabujo de Trump, até lhe chama “Paizinho”,
mas não é tão estúpido a ponto de apresentar como um feito de Trump uma prova
da sua extrema fraqueza, porque Trump, apesar de ser um ególatra, não é burro
ao ponto de não ver que elogio semelhante somente o desmereceria.
Mas esse Vítor Pinto vai mais longe, o seu descaramento na
sua vertente anti-benfiquista, leva-o a considerar Bernardo Silva culpado pelo
golo de Espanha. É desonesto e ele sabe que está a ser desonesto e pretende
desde já dar graxa a Jorge Jesus por razões que agora não vou explicar. Nem
sequer vale a pena discutir o lance …As imagens falam por si. A Espanha ganhou
na sequência desse lance como poderia ter ganhado noutro qualquer …
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