quinta-feira, 16 de maio de 2013

CAVACO E THOMAZ


 

SE CAVACO APENAS ESTIVESSE PASSADO…
 

Depois das invocações da Senhora de Fátima, de “como a minha mulher me chama”, de S. Jorge e dos “cidadões” é normal que nas redes sociais ou, comentadores mais arrojados, nos media institucionais se questione a saúde mental de Cavaco e as consequências que daí poderiam constitucionalmente retirar-se.

Todavia, com o Tribunal Constitucional debaixo de fogo e com uma Procuradora Geral da República escolhida pela Ministra da Justiça pelo “seu amor” ao Ministério Público, não é de que por esse lado se chegue a algum resultado, tanto mais que aquela que pela sua proximidade poderia prestar o testemunho mais convincente é, tanto quanto se sabe, a inspiradora dos últimos grandes pensamentos do Presidente, como ele orgulhosamente tem referido.

 E não adviria grande mal ao mundo se Cavaco apenas estivesse “um pouco passado”. O pior é que ele faz parte daquele grupo de pessoas, e tem nele um papel cada vez mais activo, decididamente empenhado na destruição da economia e da democracia.

E é por isso que a comparação com Thomaz se torna inevitável, mesmo para aqueles que o julgavam inimitável.

De facto, apesar das diferenças – Thomaz não dava calinadas no português típicas de uma quarta classe mal feita, as suas eram quase sempre ligadas ao realce de uma efeméride ou de uma coincidência: “É a primeira vez que cá estou desde a última vez que cá estive”; “O Chefe de Estado pela primeira vez vem pela segunda vez à feira de Santarém”; “Hoje visitei todos os pavilhões, se não contar com os que não visitei”; “Manteigas é uma terra bem interessante, porque estando numa cova, está a mais de 700 metros de altitude”; “Comemora-se em todo o país a promulgação do despacho número Cem, um texto de grande importância para a Marinha Mercante de Portugal, e a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriormente promulgados”- há muitas semelhanças.

Para usar uma terminologia do Governo, Cavaco está cada vez mais em linha com Américo Thomaz. A malta mais nova não conviveu com Thomaz, mas a mais velha sabe perfeitamente que quanto mais os portugueses se riam dele e das suas imbecilidades, mais decisiva era a sua influência na condução política do país.

Por isso, o importante é evitar que a História, sempre que tem condições para se repetir, não seja necessariamente uma farsa…

3 comentários:

Anónimo disse...

As calinadas de uma quarta classe mal feita parece crítica de classe, como se o homem tivesse culpas de ter frequentado a escola comercial em vez do liceu de Faro.

É uma nódoa pq sim, não por causa da escorregadela em "cidadões", um escorrego em quem, aliás, sempre ouvi pronunciar bem, por exemplo, o plural de acordo (acôrdos) ao contrário da errada maioria que aí se ouve (acórdos)

Anónimo disse...

Meu caro, se há alguma coisa certa nisto tudo é o facto de a mulher o chamar de São Jorge. Então não sabe que há fundadas dúvidas sobre a existência de São Jorge...
Mas, nos eu caso, eu compreendo esta lacuna. :))
Abraço
JR

Rogério Pereira disse...

Escreve melhor, do que eu escrevo
o meu próprio pensamento...