sexta-feira, 14 de junho de 2013

ESGOTARAM-SE AS PALAVRAS


 
O QUE FAZ FALTA!

 

Há dias, na Aula Magna, o Reitor da Universidade de Lisboa, António da Nóvoa, referindo-se à situação portuguesa, à crise em que os portugueses estão mergulhados há vários anos, disse com toda a clareza: “Esgotaram-se as palavras. Está tudo dito!”.

É exactamente isso o que a maioria dos portugueses sente. Não há mais nada a dizer sobre o que se passa em Portugal. É preciso mudar radicalmente o que se passa em Portugal.

Já ninguém tem mais paciência para escutar as justificações do Governo, as suas mentiras, o seu comportamento doloso, sua completa indiferença sobre o sentir da esmagadora maioria do povo português e sobre o seu sofrimento.

Já ninguém tem mais paciência para escutar Cavaco Silva, o seu desavergonhado apoio ao Governo, a sua cobardia política, a sua ausência de apego aos valores democráticos, os seus mesquinhos jogos de bastidores no apoio a instituições internacionais malfeitoras contra instituições internacionais malfeitoras, tentando fazer crer aos portugueses que a resolução dos seu problemas depende dos outros em vez de dependerem da sua própria acção, a começar pela dele.

Já ninguém tem mais paciência para ouvir as falsas e hipócritas autocríticas do FMI ou as pretensas boas intenções de uma Comissão Europeia, completamente lacaia dos grandes interesses económicos e inteiramente subjugada à vontade dos “patrões” da Europa, uns e outros apenas empenhados em servir o mais diligentemente possível os interesses do grande capital, nomeadamente o financeiro, com completo desprezo pelos direitos e a vontade dos povos que tentam escravizar com as suas políticas.

Já não há mais paciência para ouvir a “Troika” do PS sobre os prazos que o Governo encurta para despedir, espoliar milhões de portugueses que deram a Portugal o melhor do seu esforço na nobre missão de defender o Estado contra os malfeitores que de vários lados o atacam e descaradamente o roubam a começar, sempre, pelos governos que desde há anos a esta parte têm tido como objectivo primeiro do seu programa transferir ilicitamente para os grandes interesses privados o esforço coletivo de várias gerações. Já não há paciência para ouvir essa Troika do PS falar do acessório para propositadamente escamotear o essencial.

Já não há paciência para continuar assim por mais tempo. Temos que restaurar e recriar a democracia, sendo agora absolutamente necessário, como há décadas, fazer algo de muito novo e surpreendente para acabar com este estado de coisas.

 

6 comentários:

Rogério Pereira disse...

As palavras, o bom senso e o poder, para serem bem usados, são recursos escassos mas que nunca acabam... a precipitação é o erro de quem gere mal a penúria... tenha calma... isto vai, no momento certo de ir...
(julgo eu)

Anónimo disse...

Ter calma?

Pois, e a minha reforma a baixar, a baixar, e os tubarões a engordar, a engordar!

outeiro

ARD disse...

Portugais, encore um effort!
Tem razão, o tempo do paleio acabou.

Anónimo disse...

Não é preciso ser-se muito inteligente para ver que este é mais um “relatório” encomendado ao FMI pelo governo. Ninguém com dois dedos de juizo acredita que era o FMI que ia dizer, taxativamente, que o governo tinha de cortar nos reformados e funcionários publicos, exactamente, aquilo que o governo desde sempre vem sonhando em fazer, para deixar intactos os privilégios de todas as clientelas. Só algumas, poucas, pessoas em nome individual vem denunciando as poucas vergonhas que por aí vão campiando, há longo tempo. É o caso de Vossa Excelência que, honra lhe seja feita, vai ajudando os portugueses a compreenderem todos estes embroglios em que o metem.
O governo tenta resolver os problemas do País, exclusivamente, à custas dos pobres e reformados. Aquilo que mais revolta os Portugueses não é terem consciências que têm de fazer alguns sacrifícios, mas verem a classe dos privilegiados a serem completamente protegidas pelo governo e continuarem a viver à tripa forra à custa dos sacrifícios dos pobres. Está apostado em resolver os problemas do País, deixando intactos os privilégios dos das PPPs, institutos fundações, gestores públicos, observatórios, assessores de todo o jaez,etc., etc., com todas as mordomias inerentes. Não sei se o Senhor Dr.já reparou que está em curso uma grande ofensiva dos privilegiados contra o povo e os pobres que consiste em encharcarem os media com gente bem paga, para incutir na opinião pública que a via que o governo está a seguir é a única possível! O Senhor Dr. não vê ninguém, desde o parlamento às manifestações de rua a exigir que o governo corte na despesa das PPPs, institutos , fundações, gestores públicos, observatórios, assessores de toda a espécie,etc., etc.. Quando alguém fala na redução dos gastos do estado vêm logo os interlocutores dizer que é preciso cortar na educação, saúde e segurança social, desviando logo a conversa que é para as pessoas deixarem de falar nos cortes da despesa pública dos privilegiados. Viu alguma vez no parlamento aqueles partidos ditos de esquerda fazerem discutir algum proposta para acabar com as mordomias referidas? Não viu nem vê. Alguém lhes paga para estarem calados?
Quanto ao que disse o Senhor Doutor António Novoa eu pergunto: então só agora é que deu por ela? Onde tem andado este tempo todo?
Peço-lhe aceite os meus mais respeitosos cumprimentos

JM Correia Pinto disse...

Conheço a sua argumentação, Rogério. Ou dito de outro modo para não parecer arrogante: julgo conhecer a sua argumentação. Creio, porém, que a História lhe não dá razão. É certo que tem de haver um determinado contexto, vulgarmente apelidado de "condições objectivas", mas daí para a frente...Enfim, fiquemos por aqui.
E não se esqueça: as Revoluções mais consistentes são aquelas cujos efeitos perduram por séculos...
Estamos a falar por meias palavras, mas creio que nos fazemos compreender.

Luis Eme disse...

exactamente.

já não há palavras, têm de existir gestos, que consigam mudar tudo isto.