quarta-feira, 10 de julho de 2013

A PROPOSTA DE CAVACO


 

A CONFUSÃO ESTÁ INSTALADA

 

Para começar tenho de fazer autocrítica por ter formalmente antecipado uma conclusão que os factos posteriores desmentiram. Substancialmente as conclusões não estarão erradas, mas formalmente Cavaco quer outra solução.

Cavaco não acredita nestes dois tipos que estão à frente da coligação, além de que está ressabiado com eles pelas razões que se conhecem. E sabe-se como ele é vingativo…

Acontece que a proposta de Cavaco não foi entendida. Pelo menos é essa a conclusão que se tira doa primeira hora de comentários e das reacções partidárias. É provável que Silva Pereira estivesse a desconversar enquanto a direcção do partido se não pronunciasse formalmente. Alberto Martins, habitualmente pau para toda a obra, acabou dizendo que o PS estava como sempre disposto a participar no diálogo.

Mas vamos ao que interessa: Cavaco fez uma proposta que desautoriza Coelho e Portas e que pode dar lugar à maior das confusões se não vier a ser aceite nos termos em que foi pensada. É provável, por isso, que por esta altura Cavaco saiba mais do aquilo que disse…

O que Cavaco realmente propôs foi a constituição de um governo de salvação nacional que assegure a governação do país até às próximas eleições, em 2014, logo a seguir ao fim do chamado “programa de assistência”.

Esse governo tanto quanto se percebe seria chefiado por uma personalidade independente aceite pelos três partidos - PSD/PS/CDS – e contaria com o apoio dos mesmos durante todo o tempo da sua vigência. Não foi dito, mas depreende-se da natureza do dito acordo, que o governo assim constituído não contaria com os líderes partidários nem obedeceria às típicas regras das coligações governamentais. Contava apenas – e já seria muito – com o apoio parlamentar tripartido.

Tendo em conta a natureza dos partidos envolvidos, é de prever que a maior dificuldade virá do CDS e do PSD, nomeadamente do CDS, que já estava a “afiambrar” com aquele imenso “pote” que o “náufrago” Passos Coelho lhe ofereceu. Do lado do PSD, as dificuldades não serão menores principalmente por pressão das máfias concelhias e distritais que, como já se viu, estavam dispostas a tudo para, pelo menos formalmente, se manterem à frente do Governo.

O PS, ao contrário do que possa pensar-se, é o que estará mais perto de o poder aceitar. Vê-se livre deste governo. Põe Portas e Coelho em “casa”, ou seja, no Parlamento e pode continuará garantir que não participou no governo deles como sempre havia dito. Além do mais, os inimigos de Seguro, tacticamente silenciados, aproveitarão esse entretempo para lhe “fazer a cama”.

Este acordo, na proposta de Cavaco, iria para além das eleições e destinar-se-ia a assegurar o compromisso daqueles três partidos no período pós Troika relativamente às questões importantes para os credores e os “mercados”. Só que ninguém se vai preocupar muito agora com um assunto que acontecerá apenas aqui a um ano…

Em conclusão: Cavaco “matou” mesmo Portas e Coelho que depois desta intervenção deixaram de ter espaço para continuar. Ou eles ou Cavaco…

Substancialmente nada do que está dito no post anterior se altera. O objectivo desta proposta de governo é fazer aquilo que Portas e Coelho já não estão em condições de levar a cabo.

3 comentários:

O Puma disse...

Um dia falaremos de gente séria

Cavaco - o coveiro -
cada vez mais se enterra

Antonio Cristovao disse...

Quem nosvgovernavjá tinha dito que quer alguem para assinar em Junho e que os garotos brinquem mas só dentro do smuros do recreio e que não se ouça de fora.Foi traduzido por Cavaco e mais a tentativa de evitar aparecimento dum D.Sebastião porque os eleitores estão mais que desejosos que ele avance, o que obvio estragava o regime se fosse bem vitorioso!! e acabava com o recreio dos garotos de vez; e das corporaçoeso que já é mais grave.!!

Anónimo disse...

Não vai haver "pós-Troika" coisissíma nenhuma. Se o houver, estaremos no pós-Euro, muito provavelmente, se essa for a escolha dos poderosos, acompanhados pela Espanha, para além da Grécia claro! Nesse cenário não será de excluir, ante spelo contrário, fome em larga escala e, consequentemente, violenta convulsão social. O braseiro até pode ter origem na vizinha Espanha onde a real falência do sistema bancário se combina e potencia mutuamente com o seccionismo, Então havereria condições para um novo Caudillo? Se acontecer lá ...

Mas...quem vai decidir não é o Cavaco nem o Rajoy nem sequer a Merkell... é o Imperador. Também é verdade que os acontecimentos nem sempre correm de acordo com a vontade de imperador.