domingo, 9 de novembro de 2014

SOBRE A HEGEMONIA AMERICANA

A INTERVENÇÃO DE PUTIN EM SOCHI
 


 
Vale a pena ler a intervenção de Putin em Sochi, no dia 24 de Outubro, na última sessão do Club Internaciomal de Valdai, sobre a situação política internacional, aqui transcrita da Internationalnews com a devida vénia (tradução para português no fim do texto francês):
 
 

Le 24 octobre, au cours de la dernière séance du Club international de discussion Valdaï à Sotchi (lieu des Jeux Olympiques d’hiver 2014), le président russe Vladimir Poutine est intervenu pour énoncer, avec fermeté, la position de la Russie. Son discours de grande envergure aura une résonance dans les années à venir, notamment auprès des Etats-Unis auxquels il signale clairement, la fin du monde unipolaire qui est, selon le chef d’Etat, « l’apologie de la dictature des peuples et des Etats ».

Le thème de la discussion porte le titre suivant : « nouvelles règles du jeu ou un jeu sans règles ». Selon le président russe, « la Russie ne prétend à aucun leadership mondial et la thèse selon laquelle la Russie prétendrait à l'exclusivité est complètement fausse. » C’est pourquoi, il a appelé à mettre en place un « système explicite d'engagements et d'accords mutuels », afin de prévenir l'anarchie mondiale.
Le système actuel est, selon Vladimir Poutine, « sérieusement affaibli, morcelé et déformé. Les institutions internationales et régionales de coopération politique, économique et culturelle traversent une période difficileLes Etats-Unis, qui se sont proclamés vainqueurs de la guerre froide, ce que je trouve assez présomptueux de leur part, ont estimé qu'aucune réforme n'était nécessaire », a déclaré le chef de l’Etat russe. « Au lieu de mettre en place un nouvel équilibre des forces apparaissant comme la condition indispensable de l’ordre et de la stabilité, les démarches qui furent entreprises, accentuèrent radicalement le déséquilibre », poursuit le président russe.
« Lorsque le système actuel des relations internationales, le droit international et les contrepoids en place font obstacle à leurs objectifs, ce système est déclaré sans valeur et obsolète. […] L’objectivité et l’honnêteté ont été sacrifiées à l’opportunisme politique. Les normes juridiques ont été remplacées par des interprétations arbitraires et des estimations biaisées. Alors que simultanément le contrôle total des systèmes mondiaux d’information permettait, selon leurs souhaits, de vendre le blanc comme étant du noir et inversement. […] Les ambitions de ce groupe [Etats-Unis et leurs alliés, ndlr] ont grandi démesurément, au point que les approches définies dans ses officines sont présentées comme celles de la communauté mondiale, ce qui n’est pas la réalité », affirme Vladimir Poutine.
Le président russe poursuit son intervention avec la notion de « souveraineté nationale » qui, « pour la majorité des Etats, est devenue relative » car « plus l’allégeance au centre principal d’influence est forte, plus la légitimité de tel ou tel régime sera forteCeux qui oseront s’opposer à la politique de ce groupe, subiront des pressions économiques, la propagande et l’intervention dans leurs affaires intérieures. […] Les gouvernements qui ne conviennent pas, seront mis à l’écart. Il est prouvé qu’ils recourent au chantage, à l’égard de certains dirigeants. Ce n’est pas pour rien que celui que l’on appelle "Big Brotherdépense, sans compter, des milliards de dollars pour la surveillance du monde entier et de ses alliés proches ! »
La question que nous devons nous poser, selon Vladimir Poutine, est de savoir si nous sommes heureux de vivre dans ce monde, si le leadership des Etats-Unis est un bienfait pour nous et si leurs interventions répétées dans les affaires du monde apportent la paix, le bien-être, le progrès, le développement et la démocratie. « Je me permettrai de dire que ce n’est pas le cas, ce n’est pas du tout le cas », répond le président russe.
« Le diktat unilatéral et l’imposition de leurs propres modèles apportent le résultat contraire : au lieu de régler des conflits, c’est l’escalade et au lieu d’avoir des Etats souverains et stables, c’est l’expansion du chaos, et en lieu et place de la démocratie, c’est le soutien à des populations douteuses : des purs néo-nazis aux islamistes radicaux », note le président russe.
« En Syrie, comme par le passé, les Etats-Unis et leurs alliés ont entrepris de fournir directement des armes et de financer des combattants, de renforcer leurs rangs de mercenaires originaires de différents pays. Permettez-moi de vous demander d’où ces combattants tiennent-ils l’argent, les armes et les spécialistes militaires ? D’où cela provient-il ? Comment se fait-il que ceux qu’on appelle l’EI ["Etat islamique", ndlr] se soient transformés en une réelle et puissante armée ? », s’interroge Vladimir Poutine avant de conclure :
« Nous comprenons bien que le monde est entré dans une ère de changement et de profondes mutations et que nous avons tous besoin d’un certain niveau de prudence pour éviter les démarches insensées. Dans les années qui ont suivi la guerre froide, les intervenants de la politique mondiale ont un peu perdu ces qualités. Le temps est venu de s’en souvenir. Dans le cas contraire, l’espoir d’un développement stable apparaitra comme une dangereuse illusion et les secousses actuelles seront les prémisses de la chute de l’ordre mondial ! »


Tradução


No dia 24 de Outubro, no decurso da última sessão do clube internacional de discussão Valdai, em Sochi (sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014), o Presidente russo Vladimir Putin interveio para enunciar, com firmeza, a posição da Rússia. O seu discurso de grande envergadura terá ressonância nos anos futuros, nomeadamente nos Estados Unidos relativamente aos quais ele assinala com clareza o fim do mundo unipolar, que é, segundo o Chefe de Estado russo, “a apologia da ditadura dos povos e dos Estados”.

O tema da discussão tem o seguinte título: “novas regas do jogo ou jogo sem regras”. Segundo o Presidente russo, “A Rússia não pretende a liderança mundial, sendo completamente falsa a tese segundo a qual a Rússia pretendia a exclusividade”. É por essa razão que ela se bate por um “sistema explícito de compromissos e acordos mútuos”, a fim de evitar a anarquia mundial.

O sistema actual está, segundo Vladimir Putin, “seriamente enfraquecido, fragmentado e deformado. As instituições internacionais e regionais de cooperação política, económica e cultural atravessam uma fase difícil. Os Estados Unidos que se proclamaram vencedores da Guerra Fria, o que me parece bastante presunçoso da sua parte, consideraram que nenhuma reforma era necessária. Em vez de institucionalizar um novo equilíbrio das forças emergentes como condição indispensável da ordem e da estabilidade, deram passos que acentuaram radicalmente o desequilíbrio”.

"Sempre que o sistema actual de relações internacionais, o direito internacional e os contrapoderes institucionalizados obstaculizam os seus objectivos, o sistema é declarado sem valor e obsoleto (…).A objectividade e honestidade são sacrificadas ao oportunismo político. As normas jurídicas são substituídas por interpretações arbitrárias e por subterfúgios. Simultaneamente o controlo completo dos sistemas mundiais de informação permite, segundo os seus interesses, vender o branco por preto e inversamente (…). As ambições deste grupo (Estados Unidos e seus aliados) aumentaram desmesuradamente a ponto de os objectivos por eles estabelecidos serem apresentados, falsamente, como sendo os da comunidade internacional".

O Presidente russo prosseguiu a sua intervenção com a noção de “soberania nacional”, que, “para a maioria dos Estados se tornou relativa”, porque “quanto mais forte for a subserviência ao principal centro de influência maior será a legitimidade deste ou daquele regime. Aqueles que ousam opor-se à política deste grupo sofrerão pressões económicas, a propaganda e ingerência nos seus assuntos internos (…) Os governos que não convém serão postos à margem. Está provado que eles recorrem à chantagem relativamente a certos dirigentes. Não é por acaso que aquele a que se chama “Big Brother” gasta, sem problemas, milhares de milhões de dólares para vigiar o mundo inteiro e os seus aliados mais próximos!

A questão que devemos colocar, segundo Vladimir Putin, é de saber se nós estamos felizes por viver neste mundo, se a liderança dos Estados Unidos constitui um benefício para nós e se as suas repetidas intervenções nas questões mundiais nos trazem a paz, o bem-estar, o progresso, o desenvolvimento e a democracia. “Eu me permito dizer que não é o caso, de maneira nenhuma é o caso”, respondeu o Presidente russo.

“O diktat unilateral e a imposição dos seus próprios modelos conduzem ao resultado contrário: em lugar de contribuírem para regular os conflitos, levam à escalada e em vez de Estados soberanos e estáveis, é a expansão do caos, e em vez da democracia é o apoio a grupos duvidosos: desde os puros neo-nazis aos radicais islâmicos”, sublinha o Presidente russo.

Na Síria, como no passado, os Estados Unidos e os seus aliados tomaram a iniciativa de fornecer directamente armas e de financiar os combatentes, de reforçar as suas fileiras com mercenários originários de vários países. Permitam-me perguntar-vos donde recebem estes combatentes o dinheiro, as armas e os especialistas militares? Donde provém tudo isso? Como é que aconteceu que aquele a que se chama EI (Estado islâmico) se tenha transformado numa real e verdadeira potência armada?” Interrogou-se Vladimir Putin antes de concluir;

Nós compreendemos bem que o mundo entrou numa era de mudança e de profundas mutações e que todos tenhamos de ter um certo nível de prudência para impedir passos insensatos. Nos anos que se seguiram à Guerra Fria os intervenientes na política mundial perderam estas qualidades. É chegado o tempo de nos voltarmos a lembrar delas. Caso contrário, a esperança de um desenvolvimento estável aparecerá como uma perigosa ilusão e as graves perturbações actuais serão o prelúdio da queda da ordem mundial!”

 

 

 


2 comentários:

Nuvorila disse...

Este Putin não regula: Então não vivemos agora no Paraíso? Então não sabemos que não há alternativa a isto? Então não se está mesmo a vêr onde as qualidades humanas e os direitos civis se encastelaram? O diabo leve a cegueira para as profundas dos infernos!!!

Anónimo disse...

Que é que esperavam os russos quando depuseram as armas sem terem dado um tiro? Que os americanos não explorassem o "exito"?