sábado, 11 de abril de 2020

11 DE ABRIL DE 1970





HÁ CINQUENTA ANOS 

Inquietações Pedagógicas: Coimbra 1969 Uma revolta abafada pela ...


Na sequência da crise académica de 1969, Veiga Simão substituiu José Hermano Saraiva como Ministro da Educação Nacional, em Janeiro do ano seguinte. Cerca de um mês depois, o Reitor da Universidade de Coimbra, Andrade Gouveia, foi substituído por José Gouveia Monteiro.

Não obstante a repressão exercida sobre certos estudantes das ex-colónias (Garcia Neto e Fernando Sabrosa, presos pela PIDE) e de haver estudantes punitivamente incorporados nas forças armadas, pode dizer-se que a nomeação de Gouveia Monteiro, sendo embora uma escolha do Ministro, representou uma vitória do movimento estudantil por não haver memória nas décadas anteriores de vigência do regime salazarista da nomeação de um reitor capaz de ouvir as reivindicações estudantis e até de se identificar com algumas delas.

Foi neste contexto, nesta nova composição do ministério e das autoridades académicas, que germinou a ideia entre estas, alguns professores e os estudantes mais destacados do movimento associativo o ano anterior, de uma delegação da Universidade de Coimbra pedir uma audiência ao Presidente da República, Almirante Américo Tomás, para explicação dos incidentes ocorridos em 17 de Abril de 69 nos quais este esteve envolvido, tanto como interlocutor forçado quer como destinatário privilegiado dos protestos que então tiveram lugar.

Veiga Simão, como Ministro, tomou a seu cargo trabalhar nos bastidores para que dessa audiência saísse satisfatoriamente reparada a figura do Presidente da República que retribuiria o gesto satisfazendo o pedido de benevolência que lhe deveria ser formulado no decorrer da dita audiência.

Essa audiência teve lugar no dia 11 de Abril de 1970, no Palácio de Belém, em Lisboa.


A delegação da Universidade de Coimbra, recebida por Américo Tomaz, era constituída pelo Reitor, por 9 professores entre os quais Teixeira Ribeiro e Paulo Quintela e oito estudantes, mais directamente envolvidos nos acontecimentos do ano anterior. 


Com o Presidente da República estavam o Ministro da Justiça, Mário Júlio de Almeida Costa e o Ministro da Educação Nacional, José Veiga Simão
. 
Nessa audiência, começou por usar da palavra Alberto Martins, Presidente da AAC em 1969 – o mesmo estudante que em 17 de Abril de 69 havia pedido a palavra a Américo na inauguração do Edifício das Matemáticas – que leu o seguinte texto:

“ Os oito estudantes aqui presentes dirigem a V. Ex.ª as mais respeitosas saudações e ratificam com esta presença expressamente tudo o que os seus professores houverem por bem declarar sobre o seu caso”.


Seguidamente usou da palavra o Reitor Gouveia Monteiro que entregou ao Presidente da República um documento assinado por 151 professores e assistentes sobre os incidentes de 17 de Abril, no qual se apelava à compressão e benevolência do Chefe de Estado..


Depois interveio o Prof. Teixeira Ribeiro que leu o seguinte texto:

“Os professores e assistentes da Universidade de Coimbra, abaixo assinados, afirmam a V. Ex.ª o seu alto respeito e lamentam que V. Ex.ª tenha reflexamente sofrido incómodos morais aquando da sessão inaugural do Edifício da Secção de Matemáticas da Faculdade de Ciências.

Permita se venha, no entanto, pedir compreensão e benevolência para os graves factos ocorridos. Eles só podem explicar-se pelo clima emocional criado entre os estudantes por circunstâncias que V. Ex.ª bem conhece”


A resposta de Américo Tomás, contrariamente ao que em regra acontecia, foi lida. São suas as seguintes palavras então proferidas:


“ Vêm V. Exas pedir compreensão e benevolência para os graves factos ocorridos em 17 de Abril do ano passado, por ocasião da inauguração do Edifício da Secção de Matemáticas da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, e fazem-no com visível sinceridade, na primeira oportunidade de que dispuseram para concretização dessa diligência.

Sempre a verdade me norteou e repudiei a mentira, pelo que não deverá estranhar-se a franqueza com que vos digo não poder corresponder, totalmente, ao vosso pedido. Não é, evidentemente, a benevolência que eu nego, pois esta audiência não a concederia se não me sentisse disposto a ela. A minha dificuldade reside somente na impossibilidade de compreensão, para o que me não é possível compreender. Eu explico.

Fui convidado para presidir à inauguração de um majestoso e apropriado edifício, expressamente construído para o ensino da Matemática na Universidade de Coimbra. Prontamente acedi ao convite, a que não foi insensível o antigo estudante de Matemática, que fui.

Pensei ir assistir a um acontecimento que só deveria constituir motivo de júbilo para toda a Universidade. Nessa plena convicção e no desconhecimento completo de tudo o resto, me dirigi a pé da reitoria da Universidade para o novo edifício. Só à chegada e a seguir a ela, me apercebi de que qualquer coisa de insólito poderia ocorrer: os cartazes exibidos e o esboço de sussurro verificado durante a cerimónia religiosa realizada no átrio da entrada foram sinais bem visíveis e audíveis a chamarem a minha atenção.

É do conhecimento de todos o que se passou na sessão solene que teve lugar no anfiteatro do novo edifício, onde consenti que entrassem todos os estudantes que nele coubessem, mas não os cartazes de que alguns eram portadores. Dentro do anfiteatro não se verificou qualquer sussurro, mas ele era bastante ruidoso fora dele, mormente durante o primeiro e o ultimo discurso da sessão.

O amor à verdade a que sou fiel, manda-me afirmar ter sentido não ser eu o alvo directo das turbulências que mancharam um dia que apenas deveria ter sido festivo. E o mesmo amor à verdade me manda dizer, também, que o estudante que a meio da sessão e após o discurso do professor de Matemática, se ergueu na parte central da sala e me pediu licença para falar, acatou prontamente e sem qualquer palavra mais, a decisão por mim tomada e que, na altura, e dados os antecedentes, não podia ser outra.

A característica essencialmente festiva da inauguração e a presença do Chefe do Estado, que com ela honrava a própria Universidade, deviam ter obstado, com indiscutível evidência, aos acontecimentos ocorridos e não há clima emocional que o possa explicar. Daí a incompreensão que manifesto.

Estas minhas palavras deverão ser tomadas como um desabafo, magoado e legítimo, de quem sempre teve a preocupação de ser correcto e estava habituado a ser recebido com as maiores manifestações de civismo e de simpatia em todos os locais de Portugal que, na sua incansável peregrinação, tem visitado.

Termino transmitindo ao senhor Ministro da Justiça, aqui presente, o que farei igualmente ao senhor Ministro da Defesa Nacional e do Exército, o desejo de que seja dada satisfação ao pedido de benevolência que acabou de me ser feito. O homem firme que me prezo de ser, nunca foi insensível a qualquer pedido semelhante: também o não é desta vez, crente de que o seu gesto será devidamente compreendido, em toda a sua extensão.”


 A sessão não terá terminado muito bem. O Reitor agradeceu a benevolência mas tentou também fazer compreender a Américo Tomás que não se justificava a incompreensão por ele manifestada, explicações que este não aceitou. O Prof. Teixeira Ribeiro terá tentado explicar por outro modo o que o Reitor pretendia dizer, mas Américo Tomás cortou-lhe a palavra e deu a audiência por terminada.

Deste pedido de clemência resultou, segundo a comunicação, cerca de quinze dias mais tarde, do Ministro da Educação Nacional feita perante os representantes do Senado Universitário e de estudantes de Coimbra, a amnistia pelo Chefe de Estado do crime de ofensas às suas funções, no processo-crime instaurado ao Presidente da AAC, o arquivamento de todos os processos disciplinares instaurados na sequência do 17 de Abril e o licenciamento de os todos os estudantes que, pela sua participação na luta académica, tinham sido chamados a prestar serviço militar.


Do lado de largos sectores da esquerda, bem como do movimento associativo de Lisboa, este pedido de clemência a Américo Tomás, apesar de genericamente apoiado por uma deliberação da Assembleia Magna que autorizou a ida a Lisboa de uma delegação académica para prestar explicações ao Presidente da República, foi interpretado como uma cedência inadmissível do movimento associativo de Coimbra, ou dos seus principais representantes, que manchava a luta antifascista, mas também a tradição do movimento estudantil antifascista que nunca durante a ditadura havia até então terminado uma luta apelando à clemência das autoridades e à benevolência do poder por mais duras e injustas que tivessem sido as sanções aplicadas, rompendo assim com uma tradição, anterior ao salazarismo, muito corrente na Universidade de Coimbra de as lutas académicas terminarem ora com o “perdão dos Lentes”, ora com o “perdão por estes solicitado”, consoante o “destinatário da ofensa”.


Do lado do regime, os sectores salazaristas censuraram asperamente a atitude laxista do Ministro da Educação e responsabilizaram-no pela agitação universitária subsequente que, segundo aqueles sectores, ficou favorecida e incentivada pela acção conjunta do Presidente do Conselho (Marcello Caetano) e do Ministro da Educação (Veiga Simão) que levaram o Chefe de Estado a perdoar comportamentos que deveriam ter sido severamente punidos. Mais grave ainda, deste mesmo ponto de vista, foi ter-se permitido o adiamento do serviço militar a agitadores estudantis que aproveitaram essa benesse do governo para continuarem a instabilizar em Coimbra a vida universitária com acções cada vez mais reprováveis bem como a propagação do seu exemplo a outras universidades nos anos seguintes.


E assim se junta mais um elemento à história do “17 de Abril de 1969”.

terça-feira, 7 de abril de 2020

NOVO CORONA VIRUS III (COVID19)

PARA MEMÓRIA FUTURA
Novo coronavírus. Que cuidados a ter?

Textos publicados no Facebook

RTP E COVID 19
O tipo do telejornal continua eufórico sempre que as percentagens sobem e deprimido quando baixam.
20/04/05


COVID19 E A CRISE ECONÓMICA

A crise económica decorrente da actual pandemia será inevitável. Uma inevitabilidade que nenhum Estado poderá impedir ou sequer contornar. Se um Estado fosse autónomo, ou seja, se fosse plenamente soberano ele teria de resolver a situação de acordo com as medidas tradicionais em situações parecidas. Parecidas já que iguais nunca houve. E o princípio orientador não seria muito diferente do que já foi encetado pelos Estados Unidos e certamente também será pelo Reino Unido.
Para os países da zona euro não adianta estar com meias palavras ou fazer proclamações relativamente abstractas como algumas que já vieram a público. Os Estados mais afectados como a Itália, a Espanha, a França, Portugal e outros devem dizer claramente o que pretendem.
E o que pretendem não pode andar muito longe disto: o BCE tem de financiar os Estados emitindo a moeda necessária para o efeito. E esse “efeito” não poderá andar muito longe de um montante correspondente à quebra do PIB.
E a EU que chame a essa operação o que quiser. Chamem-lhe tecnicamente o que entenderem para os tratados se não sentirem ofendidos. Até lhe podem dar um nome que nada tenha ver com a realidade. E a realidade é esta: esse dinheiro nunca vai ser pago com dinheiro quer em juros quer em amortizações. Esse dinheiro vai ser pago com a "economia", com o desenvolvimento económico. Impensável, portanto, que figure na dívida para efeitos relevantes.
A União Europeia terá de fazer as contas e ver o que lhe fica mais barato...ou mais caro: acabar com a UE ou financiar os Estados. E não venham com a conversa da inflação porque não haverá inflação nenhuma como se viu com a compra da dívida pública por Draghi. Não haverá nunca um excesso de procura, se a oferta for mantida. Se os economistas "europeus" não perceberem isto, para que servem?

20/04/06

MARCELO

Porta-voz dos bancos?
O que é que os bancos estão a fazer de excepcional?
Além de que está a falsear a realidade quando afirma que os bancos pagaram tudo o que lhes foi emprestado. Pagaram? Não pagaram o que tivemos de pagar por eles nem pagaram o que lhes competia pagar. Dizem que vão pagar em décadas.
Mas ainda bem que o Presidente elogiou os bancos. Ficamos todos mais esclarecidos. Mais do que, quando, como comentador, não conseguiu esclarecer o que se passava no BES!
20/04/06 


BORIS JOHNSON
PM britânico em dificuldades.
Pertence a uma nova geração de políticos que embora esteja longe ideologicamente de muitos de nós tem virtualidades que os anteriores do mesmo quadrante ideológico não tinham.
Não são tão hipócritas ou não o são de todo, são menos agressivos no sentido bélico do conceito, detestam o politicamente correcto e alguns são humanamente simpáticos, como é o caso de Boris Johnson.
Que regresse depressa e restabelecido são os nossos votos.
20/04/06

ESTADOS UNIDOS EM GUERRA
Se estar em guerra significa prestar melhores cuidados de saúde aos seus cidadãos, nada a opor. Tanto mais que muitos deles, sem essa ajuda excepcional, não teriam quem os tratasse, bem ou mal.
Todavia, quando nos Estados Unidos se ouve falar a guerra, o mundo fica preocupado.
Que o establishement americano e os falcões não identifiquem por detrás do VIRUS um inimigo em que possam descarregar as suas frustrações pelo inêxito que estão tendo no combate ao "inimigo invisível".
É o que se exige.
20/04/06

ESTADOS UNIDOS E COVID19

Os Estados Unidos parece que vão, finalmente, pôr a sua extraordinária capacidade industrial a trabalhar para combater a pandemia.
O material de protecção será fabricado às dezenas de milhões e a investigação científica parece também começar a estar mobilizada a cem por cento tanto para combater a doença como para a produção de uma vacina que a possa erradicar.
Esta é mais uma lição dada a essa pútrida instituição que se dá pelo nome de União Europeia.
Mesmo num dos momentos mais críticos da história da humanidade a União Europeia continua a receber ordens do grande capital, ao serviço do qual sempre esteve, e revela se absolutamente incapaz, nem que seja por um curto período de tempo, de o pôr a trabalhar em prol de um projecto de interesse comum.
20/04/06

O COVID19 NA UNIÃO EUROPEIA
Infelizmente não tenho lido tanto quanto gostaria sobre como combater as devastadoras consequências económicas causadas pela pandemia do COVID19. Todavia, pelo que se vai vendo nas televisões e pelo que se vai ouvindo dispersamente parece não haver dúvidas de que esta é uma crise completamente diferente de todas as que ocorreram nos últimos 100 anos. Ela não tem a sua origem em nenhuma das causas que ciclicamente assolam, com maior ou menor intensidade, o sistema capitalista.
Desta vez a causa é externa ao sistema embora se repercuta nele com consequências devastadoras. Perante a situação que todos conhecemos, os Estados são chamados a desempenhar um papel muito activo e interventivo para defender a saúde das suas populações e para defender a actividade económica se não querem ver soçobrar as suas economias, com danos tanto maiores quanto maiores forem as suas hesitações ou não intervenções, sejam elas ditadas pela mais pura ortodoxia ideológica, sejam por outro qualquer motivo.
Um Estado soberano afrontará a crise económica resultante do COVID 19, de acordo com as suas capacidades, em dois planos, correspondentes a dois distintos momentos de intervenção: um primeiro plano, caracterizado por uma intervenção de emergência, destinado a fazer face às situações mais dramáticas, quer as relacionadas directamente com a doença, quer aquelas que indirectamente dela decorrem; e um segundo plano, de natureza estrutural, visando o relançamento da economia mediante a reconstrução do tecido económico entretanto destruído ou fortemente danificado.
Em princípio, nenhum Estado tem suficientes recursos acumulados que lhe permitam fazer face a estas necessidades, tendo de resolver a situação mediante a emissão de moeda (pelos respectivos bancos centrais) e pela contracção de dívida em tudo o que não possa ser pago pelos seus próprios meios.
Esta ideia não parece sofrer nenhum tipo de contestação nos Estados Unidos, na China, no Canadá, na Rússia, no Reino Unido e em qualquer outro país plenamente soberano. A discussão que tem havido - e essa muito importante – não é sobre a origem do dinheiro, mas sobre o destino do dinheiro.
Infelizmente, nos países que vivem em total vassalagem monetária, como acontece com a maior parte dos Estados da zona euro, se não mesmo da União Europeia, a ideia que parece estar a fazer o seu caminho no “Eurogrupo”, com Mário Centeno na presidência, é a de que Estados que necessitarem poderão recorrer quer ao “Mecanismo de Estabilidade Europeia” para suprir, de acordo com os procedimentos que lhe são próprios, algumas necessidades estruturais, quer a alguns fundos de outras proveniências, destinados a outros fins, recentemente desviados para acudir a algumas das actuais situações de emergência.
Isto é absolutamente inadmissível, como inadmissível é que um português, em representação do seu governo, tenha o descaramento de advogar este procedimento para fazer face às consequências imediatas e mediatas da pandemia.
Centeno mostra-se tal qual é: um homem da TOIKA, cuja diferença é apenas esta: enquanto os anteriores vestiam de preto, ele veste de cinzento!
Vamos acalmar-nos e dizer as coisas como elas são: este procedimento é, do ponto de vista estratégico, um procedimento imbecil. Ele cria logo à partida uma desvantagem da União Europeia relativamente aos outros grandes espaços económicos, como os Estados Unidos e a China. Enquanto estes actuam com recursos financeiros facultados pelos respectivos bancos centrais e apenas recorrem marginalmente ao crédito, todos os meios financeiros da União Europeia, ou quase todos, são angariados mediante recurso ao crédito, ao endividamento dos Estados. Do ponto de vista interno, este procedimento é desastroso para a própria União Europeia na medida em que vai agravar o fosso já considerável entre os mais ricos e os outros, liquidando qualquer hipótese de coesão do espaço europeu.
De facto, os Estados já fortemente endividados verão crescer exponencialmente a sua dívida e isso acabará por ter reflexos inevitáveis na futura taxa de juro já que nada garante que a actuação do Banco Central Europeu de compra, no mercado secundário, da dívida pública destes Estados, se mantenha no futuro. Acabar com esse procedimento é aliás, um objectivo declarado da ortodoxia financeira alemã. Por outro lado, os empréstimos trazem condicionalidades de toda a ordem, por muito que agora digam que eles não ficarão sujeitos ao mesmo tipo de condicionalidade de 2010/2011 e lá teríamos novamente a Troika, com este ou com outro nome, a ditar a nossa política interna, económica ou de outra natureza.
O argumento “jurisdiscista” que fundamenta esta actuação com base nos tratados, na famosa proibição de o BCE não poder financiar directamente os Estrados membros, vale tanto como vale a falta de previsão neles da pandemia do COVID19, que é o mesmo que dizer, para novos e imprevisíveis problemas, novas e adequadas soluções, digam os tratados o que disserem. Os economistas e os juristas que encontrem no quadro das soluções que se impõem os termos e as figuras económicas ou jurídicas adequadas para que os tratados se não sintam ofendidos.
Portanto, o que está em cima da mesa para decisão é de uma gravidade extrema, quaisquer que sejam ou venham a ser as palavras com que “isto” esteja ou venha a ser apresentado aos europeus mais atingidos pela crise. Se o projecto se consumar, eles vão ficar mais endividados, vão ficar mais pobres, vão ficar mais dependentes e vão sofrer condicionalismos de toda a ordem na sua política interna.
Não vamos antecipar culpados nem vamos identificar prováveis executores deste plano. Vamos apenas dizer que Portugal não pode aceitar este plano da União Europeia, devendo apoiar e fazer frente comum com os Estados que defendem outro ponto de vista, outra solução..
A União Europeia insistindo numa proposta anti-solidária e egoísta vai sulcando o caminho que levará os povos europeus a tomá-la como o seu verdadeiro inimigo dos tempos modernos e que ditará mais ano menos ano a sua extinção.
20/04/07

segunda-feira, 6 de abril de 2020

NOVO CORONA VIRUS (COVID19) - II

PARA MEMÓRIA FUTURA 

COVID-19: FAQ´s - OMV - Ordem dos Médicos Veterinários


Continuação da publicação dos posts editados no Facebook depois de 20 de Março


A COLUNA VERTEBRAL DOS INVERTEBRADOS

Os que agora, desde que Trump lhes deu o mote, começaram levemente a insinuar que o vírus é manipulado e que tem por fim destruir "o modo de vida ocidental" são exactamente os mesmos que no começo da crise se insurgiram contra as notícias que insinuavam ser americano o vírus que "estava a destruir" a China.
A verdade de tudo isto, uma verdade que nem os comentadores a soldo, nem as habituais agências de intoxicação podem desmentir, é que a China (e não somente a China) teve êxito no combate ao vírus enquanto as chamadas "democracias ocidentais" estão com imensas dificuldades e algumas delas já estão a registar trágicas derrotas nesse combate.
Esta é que é uma verdade que não deixará de ter consequências...
20/03/21


GUTERRES

O que está fazendo Guterres para que sejam levantadas as sanções aplicadas a países que estão a ser flagelados pelo Covid19?
E é bom não esquecer que há dois tipos de sanções: as que decorrem de decisões das Nações Unidas, nos termos da Carta, que são, por isso, licitas; e as sanções unilateralmente aplicadas por Estados poderosos à revelia da Carta das Nações Unidas e que são, portanto, ilícitas.
Mais do que ilícitas, estas últimas são, no contexto da actual crise de pandemia mundial, verdadeiros actos terroristas que privam os países afectados dos recursos necessários para acudir aos seus nacionais.
O Secretário Geral da ONU não pode ficar calado e os países que têm constitucionalmente a obrigação de acatar as normas e os princípios de Direito Internacional, como é o nosso caso, também não.
20/03/22

COVID19 - O NÚMERO DE MORTES
O número de mortes causadas pela pandemia COVID 19 tem aumentado consideravelmente nestes últimos dias, como todos sabemos.
Há, porém, divergências assinaláveis nos grandes países infectados entre o número de infectados e número de mortes. As percentagens diferem muito.
Estará a contagem a ser feita em todos os países segundo os mesmos critérios?
É que ninguém se vai esquecer daquela jornalista que praticamente exigiu à Dra Graça Freitas que contabilizasse como vítima do COVID 19 a senhora de 94 anos que somente depois de morte se soube que estava infectada e cuja causa da morte teria sido imputada a uma das várias patologias de que padecia. Reclamação que a DGS aceitou, tendo-a incluído no número das vítimas mortais portuguesas do novo corona vírus.
Ora, isto faz toda a diferença.
Por isso importa saber se são verdadeiras as notícias ontem e hoje postas a circular segundo as quais na Alemanha somente são contabilizadas como vítimas mortais aquelas cuja causa exclusiva da morte seja o Covid19. Isto é, que não tenha outras patologias associadas.
Se assim for, não admira que o número de mortes da Alemanha seja percentualmente, por relação ao número de infectados, muito mais baixo que o da Itália, Espanha e França.
É que nestes países, tal como em Portugal, são contabilizados como vítimas mortais do COVID 19 todos os que estejam infectados, mesmo que tenham associadas 6, 5 ou 4 patologias de outra natureza.
20/03/23

CONSPIRAÇÃO

Muito me enganaria se os Estados Unidos defrontados com a sua incapacidade para combater com êxito a crise sanitária não apresentassem, em breve, "provas inequívocas" de que o vírus foi posto a circular por inimigo externo.
Mais difícil será acertar na escolha do "inimigo", embora a experiência aponte para uma média potência e não para uma superpotencia por razões óbvias.
20/03/23

UNIÃO EUROPEIA

Para que se não diga que apenas a China, Russia e Cuba prestam ajuda à Itália, a Alemanha, ciente da sua grandeza, ofereceu aos italianos 8 camas de cuidados intensivos a prestar na Alemanha.
20/03/23

MARCELO

Não tem manifestamente jeito para estas coisas. Há resquícios de uma conversa de outros tempos, com recurso a imagens pouco consensuais embora pretendam o contrário, enfim, não sei bem como dizer, embora eu esteja a andar às voltas para ver se digo de outra maneira aquilo que quero dizer. E o que eu quero dizer é isto: há aqui um misto de catolicismo de sacristia (depois da confissão) e de salazarismo requentado.
Até pode ser com boas intenções, mas aquela coisa de que somos um exemplo, que somos diferentes, que os outros nos olham com reservada admiração, etc., que estamos unidos porque participamos todos no mesmo espectáculo ou no mesmo jantar é uma conversa que não pega.
No comentário político, na intriga, nos afectos, nas máximas do livro da IV  classe da década de 50, enfim, está muito mais à vontade.~
20/03/24

TESTAR, TESTAR, TESTAR
Diz Paulo Portas, dizem também outros virologistas de ocasião e replicam a mesma receita certas televisões.
A questão é simples: Paulo Portas está disposto a ir às compras? Consegue comprar 8 ou 9 milhões de testes? E outros tantos para 15 dias depois? Tem quem lhos forneça?
Ou será mais fácil comprar submarinos?
20/03/24

TESTES

As pressões exercidas sobre o governo de Espanha para que fizesse testes, testes, testes, teve a consequência que se conhece.
Compraram a uma empresa não credenciada e os testes não funcionam. Certamente, que aqueles que mais pressão fizeram são os mesmos que agora acusam o governo de irresponsabilidade.
Esta é uma boa lição que Portugal deve ter em conta. Que deixe falar o virologista Paulo Portas, os "dâmasos" de todos os quadrantes e siga em frente com a estratégia delineada, tanto mais que, como toda a gente de boa fé já percebeu, a procura é incomparavelmente superior à oferta.
20/03/26

UNIÃO EUROPEIA
Telegraficamente: prevejo um enfrentamento de consequências imprevisíveis entre a França e a Alemanha resultante da crise económico-financeira provocada pelo Covid19.
Portugal vai ter de se preparar para um cenário muito diferente dos anteriores e é legítimo perguntar se um partido como o Socialista, devoto da Europa, estará em condições de o fazer.
20/03/26

MARCELO

Tal como acontece com outros fenómenos também Marcelo dá sinais de querer manter-se activo.
As queixas do Bastonário da OM já foram "homologadas", a "cavaca", é certo, ainda não está no mesmo plano do companheiro de luta, mas diz me a minha intuição que um "pedrógão" pode acontecer em qualquer altura.
20/03/26

TUCÍDIDES

Para quem tiver à mão a "História da Guerra do Peloponeso" vale a pena ler (ou reler) a descrição que Tucídides faz da peste de Atenas no Livro II logo depois da famosa "Oração fúnebre" de Péricles.
Quatrocentos e trinta anos antes de Cristo, ou seja, há cerca de 2500 anos, a peste que assolou a Ática que, aliás, vitimou o próprio Péricles e que também não poupou Tucídides, embora este tenha sobrevivido, terá começado "nas regiões altas da Etiópia sobranceiras ao Egipto", descendo depois para o Egipto e para a Líbia e daí para o Pireu e seguidamente para a parte alta da cidade de Atenas com efeitos verdadeiramente devastadores. Tanto pelo número de mortes que provocou (um terço da população) como pelo sofrimento quer infligiu aos infectados.
Na descrição de Tucídides sobressai a miséria e a grandeza humana de quem é confrontado com uma doença mortífera que recai "sobre todos" (epidemia).
Vale a pena ler - Ed. SÍLABO, págs. 199 a 203.
20/03/27

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Numa altura em que se reforçam as medidas destinadas a impedir o contacto social com vista a limitar o contágio faz sentido permitir que comentadores televisivos apelem ao incumprimento dessas medidas seja porque não concordam com elas seja porque as acham ilícitas?
20/03/28


BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS
Há algo de estranho neste homem. Nas semanas precedentes, queixas, denúncias, alarme.
Hoje, parecia haver no seu rosto uma espécie de secreto prazer quando nos comunicou que o pior estaria para vir.
Pode até nem ser o caso, mas que ele não tem um facies à altura das circunstâncias, isso é evidente.
20/03/29

AINDA AS NTERVENÇÕES TELEVISIVAS DO BASTONÁRIO DA OM

O Bastonário da Ordem dos Médicos ainda não percebeu qual o seu papel neste crise pandémica nem tão-pouco compreendeu a situação com que se defronta.
Quem o ouve acha que ele actua como se estivesse perante um “prêt-à-porter” onde pode escolher o que tem em vista de acordo com as suas exigências e as suas medidas. Ou como se tivesse comprado numa agência de viagens ou na Internet umas férias “all inclusive”, sentindo-se no direito de reclamar contra tudo o que não lhe agrada e que em maior ou menor medida frustra as suas expectativas por ficar aquém do convencionado ou do que pagou.
Não é essa a situação em que ele se encontra, nem é essa infelizmente a dos médicos que ele representa. Se ele tivesse feito a guerra, se tivesse estado na frente de combate a lutar pela vida dos feridos facilmente perceberia que nessas situações falta muita coisa, vai ser necessário tomar decisões que antes ninguém previu, ou seja, vai ser preciso resolver os problemas com os meios que se tem.
Passando o seu tempo a protestar contra as condições em que médicos actuam, a denunciar situações que somente não são resolvidas ou porque faltam meios no mercado ou porque nem um empenhamento suplementar de vários sectores da sociedade é suficiente para suprir os equipamentos e instalações em falta, o Bastonário acaba por ter um papel desmoralizador da frente de combate, contribuindo para a desmobilização das vontades, abrindo caminho para a covardia dos mais fracos.
Esse efeito já se está verificar em certas tomadas de posição colectivas que se não justificam, já que nada do que falta ou do que não corre bem, não é consequência de um comportamento negligente ou desleixado, mas apenas devido à pressão internacional da procura que torna a oferta escassa e demorada no tempo.
Se o Senhor Presidente da República tivesse feito o serviço militar e se tivesse sido mobilizado para a guerra como foi a esmagadora maioria das pessoas da sua geração teria uma compreensão diferente destes fenómenos e não teria “homologado” com a sua concordância as sucessivas intervenções desmoralizadoras do Bastonário da Ordem dos Médicos.
20/03/30

SINTOMAS DE CANSAÇO.

Sintoma de cansaço causado pela reclusão é perder a paciência com os que FB se dizem cumpridores do confinamento; com os que atacam todos os que estao na rua desconhecendo o motivo por que estão na rua.
Mas já não é sintoma de cansaço atacar os chineses, ou por terem causado a pandemia ou por desconfiança total nos números que divulgam. Isso é sintoma de racismo disfarçado de preconceito ideológico
20/03/31

RTP

O tipo da RTP que lê o telejornal apresenta os números da pandemia em tom acusatório e também ele parece exultar sempre que os números sobem. E, então, se duplicam, o êxtase é completo.
Não vejo esta euforia em Espanha, em Itália ou França.
E também ficam felizes quando descobrem que as camas são insuficientes.
O é que é que estes tipos terão na cabeça?
20/03/31


UNIÃO EUROPEIA

Há muito mais mundo para lá da União Europeia do que dentro dela.
Vivemos durante 8 séculos sem a União Europeia e sem ela continuaremos a viver.
É bom que nos preparemos, sem dramas, para esse desfecho cada dia mais inevitável.
Há muito muito mundo para lá da UE e hoje todo esse mundo está muito perto.
Troikas, holandeses, finlandeses, austríacos e todos os obedecem à voz da "Dona" é que nunca mais!
20/03/31
TAP
A situação na empresa é complexa, antes da crise e durante ela, tudo isto consequência das inaceitáveis decisões do Governo Passos/Portas.
Independentemente disso, os trabalhadores da empresa, que não manifestaram nenhuma oposição àquelas medidas, comportam-se agora como Maria Antonieta.
Também eles acham incompreensível que, não havendo pão, não sejam distribuídos brioches e croissants.
20/04/01

UNIÃO EUROPEIA

Por muitos anos ficará na memória dos italianos e dos demais europeus que acompanham o noticiário internacional as imagens dos aviões chineses desembarcando em Itália toneladas de material de protecção hospitalar, das equipas de médicos e técnicos chineses especializados no combate pandémico, dos gigantescos aviões russos a aterrar nos aeroportos do Norte de Itália, dos médicos russos e cubanos para operar na linha da frente do combate à pandemia do Covid19, dos camiões russos desinfectando as ruas de Milão bem como das palavras do ministro holandês criticando, no pico da crise, a Itália e a Espanha por não terem uma reserva orçamental que lhes permita combater o surto pandémico sem se endividarem assim como da "generosa" recomendação da Sra Merkel recordando-lhes que sempre poderão recorrer ao Mecanismo de Estabilidade Europeu administrado pela Troika!
20/04/01

O SENHOR BASTONÁRIO

Não sei se o Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos tem consciência de que havia muitos cidadãos saudáveis por esse mundo fora que no Natal do ano passado, que ocorreu há apenas três meses e uma semana, não faziam a menor ideia de que passado dois meses iriam morrer de uma doença nova de que nunca antes tinham ouvido falar. E também havia muitas outras pessoas que, embora doentes, estavam longe de supor que passados trinta ou sessenta dias iriam igualmente morrer. E nenhuma dessas pessoas morreu por culpa de outrem e a maioria esmagadora delas nem sequer teve qualquer comportamento negligente a que a morte possa ser imputada. E foram milhares essas pessoas, Sr. Bastonário, dezenas milhares, quase duas centenas de milhares que assim se finaram antes de tempo.
Esta doença mata, Sr. Bastonário. Pobres e ricos, doentes e sãos, novos e velhos.
Por isso, Sr. Bastonário, é perfeitamente natural que muitos profissionais de saúde sejam infectados e outros tombem no desempenho da sua nobre missão. Na Itália, calcula-se que há cerca de sete mil nestas condições. Em Espanha, o número é também elevadíssimo. E assim será em todos os países do mundo, desde os mais ricos e mais bem apetrechados aos mais pobres e mais carecidos de todos os meios.
Os profissionais de saúde sabem, todos eles, quando escolheram essa nobre profissão e quando fizeram os seus juramentos deontológicos, que a profissão que escolheram nem sempre poderia ser exercida em condições ideais.
Por isso, Senhor Bastonário esteja calado, não esteja permanentemente a imputar responsabilidades a quem não as tem. Não esteja permanentemente a lançar o descrédito sobre os serviços de saúde. Não esteja constantemente a desmoralizar e a desmotivar os profissionais de saúde. Não esteja sempre a querer dar a ideia de que vive numa situação que só não é perfeita porque há uns responsáveis que actuaram irresponsavelmente.
Se o Senhor não é capaz de compreender a situação em que se vive e de colaborar no combate à pandemia, ao menos CALE-SE!
20/04/01

ALEMANHA

A Alemanha, sempre tão eficaz na contabilização de qualquer actividade tanto própria como alheia, parece agora estar, em matéria de Covid19, com algumas dificuldades na contabilização das mortes, um assunto em que até já teve bastante experiência.
De facto, causa alguma surpresa a taxa de letalidade do Covid19 na Alemanha, por ser consideravelmente mais baixa do que a de qualquer outro país.
As explicações que têm sido adiantadas estão longe de ser convincentes, como já aqui foi analisado noutra ocasião, de modo que surge a dúvida legítima sobre se os critérios seguidos na Alemanha são iguais aos da Itália, de Espanha, de Portugal, etc., países em que se contam como consequência da pandemia todos os que morrem COM e POR Covid19.
Brevemente se saberá a verdade sobre este assunto, quanto mais não seja por amostragem do que se vier a passar com os doentes franceses que estão a ser tratados na Alemanha.
20/04/02

MARCELO

Hoje, esteve bem.
20/04/02

RTP3
GRANDE ENTREVISTA
COM PEDRO SIMAS

Do melhor que vi e ouvi até hoje em matéria de COVID 19


COVID19 E O MUNDO
A pandemia que assola a humanidade e que prossegue vitoriosa o seu curso devastador acabará por ter efeitos positivos que de outro modo somente ao fim de alguns séculos seriam imagináveis.
A extrema facilidade com que o VIRUS se expandiu pelos cinco continentes não poupando ninguém, nem estados seculares nem estados recém criados, nem ricos nem pobres, nem doentes nem saudáveis, nem velhos nem novos e a grande dificuldade que todos demonstraram em dele se defenderem não pode deixar de ter reflexos profundos em todos os seres humanos qualquer que seja o lugar que ocupam na escala social e qualquer que seja o grau de responsabilidade com que actuam nas respectivas sociedades.
Este VIRUS, a forma repentina com que surgiu e a vertiginosa velocidade com que se propagou, fez perceber a todo o ser humano que o valor mais importante depois da vida é a igualdade e não a liberdade como alguns tontos e algumas tontas teimavam em insistir nos primórdios da pandemia supondo que seria pela liberdade de acção individual que cada um de nós melhor o poderia combater.
E por mais que continuem a aflorar os dois dos grandes perigos que em tempos normais corrompem o homem e desvirtuam o sentido dos agrupamentos humanos – o egoísmo e o nacionalismo –, e não obstante os estragos por eles causados na presente situação, eles não têm sido suficientes para abalar a convicção de que estamos todos no “mesmo barco” nem as hipotéticas vantagens deles decorrentes têm esmorecido o fervor solidário que hoje perpassa por todo o mundo nem que seja sob a forma de uma profunda compaixão.
Hoje o mundo está mais pequeno, mais perto e mais solidário. E isso é bom. É excelente. E vai ter consequências de toda a ordem.
Os imperialismos perdem espaço para se afirmar. Quem imaginaria ainda há quatro meses que os grandes porta-aviões que sulcam os mares do Pacífico, armados do que de mais mortífero e devastador a mente humana poderia congeminar, na busca paranóica e desesperada de um inimigo que tarda, teria de regressar à base por ter sido atacado pelo “inimigo invisível” contra o qual de nada valem os seus devastadores arsenais nucleares?
As hegemonias regionais que humilham os mais fracos e lhes impõem a sua despótica vontade em nome de uma ortodoxia que somente elas perfilham vão igualmente perder espaço e a sua afirmação reduzir-se-á drasticamente.
Tudo isto porque hoje todos temos consciência de que o mundo ficou mais perto e mais pequeno passando a ser indiferente que nos relacionemos com o vizinho do pé da porta ou com o vizinho que está a milhares de quilómetros de distância. Importante vai ser a qualidade desse relacionamento e as vantagens recíprocas que dele resultam e não a proximidade nem as pseudo vantagens dela derivadas.
Estamos esperançados em que o egoísmo individual – individualismo – e o egoísmo colectivo – nacionalismo – serão os grandes derrotados desta crise, dela saindo vencedora a ideia de igualdade, como nova ideia impositiva da convivência humana!

20/04/05