quinta-feira, 15 de outubro de 2015

SURPRESA E ESCÂNDALO



O CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA

Nas previsões pré-eleitorais, feitas no post “Breves desenvolvimentos sobre a declaração de voto”, publicado, em 2 de Outubro, aqui no Politeia e no FB, ao abordarmos a hipótese correspondente à situação que hoje temos, tínhamos previsto todo o tipo de pressões que fatalmente se iriam desencadear sobre o PS se o seu secretário-Geral tivesse a ousadia de tentar formar governo.

As pressões de Cavaco e da Coligação, a luta fratricida no interior do PS, o anátema lançado sobre os “usurpadores socialistas” que, tendo perdido as eleições, queriam governar com o apoio de comunistas e bloquistas, o eco de tudo isto na “Europa”, as Merkels, os mercados, os Draghi – o que não tínhamos previsto é que o representante máximo da Igreja Portuguesa – pelo menos, é assim que é visto o Cardeal Patriarca de Lisboa – tivesse a ousadia de proferir as palavras que acabámos de ouvir.

Não adianta – nem o faremos – desconversar, dizendo que as suas palavras só a ele vinculam. Não, as suas palavras são as da Igreja Portuguesa até que sejam formalmente desmentidas e desautorizadas pela hierarquia como foram, sem rodeios, as proferidas pelo Secretário-Geral da UGT.


A Igreja ao entrar directamente na luta política quebrando vergonhosamente o seu estatuto de neutralidade vai sofrer as consequências. Vai ser atacada, vai ser tratada como uma bengala da direita portuguesa, vai ser equiparada à Igreja de Cerejeira, a Igreja fascista, colaboracionista que durante décadas apoiou a ditadura. Vai-lhe ser a todo o momento lembrada a sua intrínseca hipocrisia, tanto nas questões do dinheiro como da moralidade pública - os “Marcinkus” que lhe encheram os cofres actuando como vulgares bandidos em colaboração com a Mafia e outras organizações criminosas, os pedófilos que ela protegeu e albergou. Enfim, se o Cardeal quer guerra vai tê-la!



4 comentários:

Ana Paula disse...

Nem mais!

jose manuel pereiraa bartolo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jose manuel pereiraa bartolo disse...

E, agora, Francisco.
D. Manuel Clemente é cardeal patriarca de lisboa, honrarias que lhe assentam, historicamente, e que, no essencial, o torna, como cardeal, arcebispo de Lisboa e conselheiro do Papa.
Representa, numa lógica de proximidade, o mensageiro natural do Papa. A igreja portuguesa não depende dele, mas não pode, o cardeal, deixar de influenciar esta.
A igreja portuguesa ficou marcada, nomeadamente no século passado, pelo cardeal Manuel Cerejeira, que quase fundiu o poder temporal com o poder espiritual. Cerejeira era a voz e, por vezes, confundia-se com o poder do Estado.
O estado era um estado corporativo de raiz fascista, totalitário, ditatorial, que não admitia a existência de partidos políticos.
A igreja, como instituição, não ergueu a voz contra os crimes do fascismo. Manteve-se , sempre, na sua zona de conforto.
Há heróicos padres na nossa história, democratas temperados pela luta, sofrendo nas prisões a defesa de um projecto diferente para a nossa sociedade e lutadores firmes da liberdade, nomeadamente no período fascista,
O cardeal Manuel segue-se a Santana Lopes, a Cavaco, a Passos, a Portas,aos comentadores da nebulosa de Andrómeda, conhecida pelo Observador, verdadeiros serventuários do neo-liberalismo, melhor do ordoliberalismo de Friburgo,que querem acabar com o Estado, como tal,transformando-o numa espécie de facilitador do funcionamento das grandes empresas/do grande capital.
No quadro de um Estado de direito, fique chocado quem quiser ficar chocado, não podemos, deixar passar, em claro o que o PR disse em 6.10.2015, em reflectida e amadurecida comunicação ao país, que aliás é antecedida de duas curiosas declarações, suas, de Aníbal Cavaco e Silva, uma produzida, antes do acto eleitoral e, a outra, após a realização do acto eleitoral, em que a criatura dizia que não iria presidir às comemorações da implantação da República, porque tinha de reflectir sobre a situação do país, após a realização do acto eleitoral, o senhor disse, seguindo letra à letra o que escreveu o oficioso “observador”, no texto que publicado sob a epígrafe – o discurso do PR na íntegra e descodificado, o seguinte:
-“O Governo a empossar pelo Presidente da República deverá dar aos portugueses garantias firmes de que respeitará os compromissos internacionais historicamente assumidos pelo Estado Português e as grandes opções estratégicas adotadas pelo País desde a instauração do regime democrático e sufragadas, nestas eleições, pela esmagadora maioria dos cidadãos. Em particular, exige-se a observância das obrigações decorrentes da participação nas organizações internacionais de defesa coletiva, como a NATO, e da adesão plena à União Europeia e à Zona Euro, assim como o aprofundamento da relação transatlântica e o desenvolvimento dos laços privilegiados com os Estados de expressão portuguesa, nomeadamente no âmbito da CPLP.”
“Com isto, Cavaco está a excluir o PCP e o Bloco de Esquerda, que são a favor da saída da NATO e que, no que diz respeito à zona euro, fizeram uma campanha a defender que é preciso estudar uma saída da moeda única e que não é líquido que o país fique melhor se sair da zona euro. Resta, assim, apenas o PS.”
É, neste contexto que se inserem as palavras do Cardeal Clemente. As palavras do Cardeal, como tal, não são só uma flagrante intromissão na vida politica nacional, pois da pátria portuguesa ele cala a miséria entre crianças e jovens, cala a miséria dos desempregados, dos velhos e de todos que sofrem e a estes, Clemente, clementemente, fá-los embarcar na barca dos sacrifícios necessários,
São, democraticamente, imperdoáveis, são/constituem uma intromissão do religioso no político, por quem é unidireccional nas suas críticas, aparente chefe de uma Igreja que se coloca do lado dos ricos contra os pobres,incapaz de uma boa palavra e de uma boa acção para os mais desfavorecidos,
E, agora, Francisco?
PS. Para correcção fui eu que eliminei o anterior comentário, facto que já sucera por duas vezes em mensagem anterior.




David disse...

ESTE SR. CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA, MANTÉM FIRME A IDEIA DO CDS DE 1974.
ANTES DE 1974, A IGREJA DIZIA QUE OS COMUNISTAS "COMIAM" CRIANCINHAS; E VEJAM: PRESOS POR PEDOFILIA, FORAM OS DE DIREITA; PADRES FORAM ESCONDIDOS, PSs UM PRESO INOCENTE DURANTE CERCA DE 6 MESES E, PENSO QUE SEM DIREITO A INDEMNIZAÇÃO; E COMUNISTAS QUANTOS FORAM PRESOS OU FALADOS?...
ORA, ESTE SR. CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA, DEVERIA TER SIDO MAIS COMEDIDO E DEIXAR A POLÍTICA PARA OS POLÍTICOS E IGREJA PARA OS PADRES. QUER ASSIM, ESTE SR. DAR RAZÃO A QUEM DIZ QUE A IGREJA NÃO PRESTA, PORQUE SÃO OS PRÓPRIO A INVOCAR O SANTO NOME DE DEUS EM VÃO.
UM COMUNISTA QUE SE PRESE, NÃO INVOCA O SANTO NOME DE DEUS EM VÃO.