sexta-feira, 22 de agosto de 2014

SEGURO E COSTA: DIFERENÇAS IDEOLÓGICAS?


 

ANÁLISE SUMÁRIA DE UM ARTIGO DE OPINIÃO



 

O título é demasiado pomposo para o que pretendo escrever, mas é o título que Ana Rita Ferreira dá no Público de hoje ao artigo que escreve sobre o assunto.

Diz a Autora que Costa “dedica mais espaço ao tema da necessidade de redução das desigualdades por via das políticas sociais, e além disso, é mais taxativo no diagnóstico deste problema e apresenta mais soluções para o resolver”.

Lendo o artigo e a comparação que nele faz entre as propostas dos dois candidatos socialistas a um cargo que ainda não se percebe bem qual seja (por razões que agora não interessa explicar, mas que parecem óbvias para quem tenha uma luzes da Constituição Portuguesa), depreende-se que para ambos os “candidatos” a tentativa de redução daquelas diferenças, melhor dizendo, do fosso que nos últimos anos se tem aprofundado, assenta, por parte de Seguro, numa visão mais virada para as políticas assistencialistas enquanto, por parte de Costa, resultaria da adopção de políticas sociais mais próximas daquilo que a Autora considera a tradição do socialismo democrático.

Independentemente da justeza desta análise, que parece excessivamente severa para Seguro e benévola para Costa, e sem negar o papel das políticas sociais na redução das desigualdades mais gritantes, não é, não será nem nunca foi por via exclusiva das políticas sociais que as desigualdades sociais se combateram e que se abaterá o fosso dramaticamente crescente entre ricos e pobres.

A desigualdade social combate-se em primeira linha pela via das políticas económicas e por tudo aquilo que com elas estiver directamente relacionado, como, por exemplo, a regulação do trabalho mediante uma clara opção pelo trabalho em detrimento do capital. Não se trata de propor ou sugerir que um partido do sistema capitalista, como o PS, hostilize o capital, trata-se apenas de recordar que já foi essa a política dos partidos sociais-democratas e até de certos partidos de direita como a democracia cristã do pós Guerra, mesmo sem esquecer que hoje são outros tempos e que emergiram na cena mundial múltiplos actores, alguns bem poderosos, que nesse passado recente eram apenas tomados em conta no seu papel geoestratégico definido em função dos interesses das potências dominantes enquanto hoje são eles próprios a fazer a defesa dos seus interesses frequentemente em confronto com os “velhos países” desenvolvidos do Norte.

Tendo sido os partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas os grandes impulsionadores do neoliberalismo na Europa e nos seus respectivos países e tendo sido eles, em algumas áreas sociais, a trocar as políticas sociais por políticas assistencialistas, para amenizar alguns dos efeitos mais dramáticos do neoliberalismo, sem que contudo o fosso entre ricos e pobres deixasse de se agravar, relativa e absolutamente, não só por os mais ricos terem cada vez mais e os mais pobres cada vez menos, mas também por os mais ricos serem cada vez menos e os pobres cada vez mais, ou seja, com estes antecedentes há todas as razões para supor que nem Seguro nem Costa pugnarão pela radical mudança das políticas económicas com vista à produção de efeitos com que a maioria inequivocamente se identificaria.

 

 

8 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Embora haja risco de nos perdermos na leitura do último parágrafo, é exactamente isso o que eu acho!

Boa análise!

JM Correia Pinto disse...

E, assim, Rogério, está melhor?

Graciete Rietsch disse...

O último parágrafo é,de facto, demasiado grande. Mas a conclusão de que nem um nem outro optarão por qualquer mudança nas políticas económicas, disso não tenho dúvidas. Outra coisa evidente é o quanto eles são ridículos a lutar, como galos, por uma candidatura que não existe na nossa Constituição, candidatura ao cargo de primeiro ministro.
E nenhum órgão de comunicação social se refere a isso!!!!

Anónimo disse...

Emn escassos parágrafos, o dedo numa das (enormes) feridas.

De

João Vasconcelos-Costa disse...

Concordância a 99,99%, ressalvando uma picuinha. Antes da vaga de deglutição da social democracia pelo pensamento liberal, começando por Giddens e Blair, houve Thatcher.

O Puma disse...

Que se fundam

Mar Arável disse...

Obvias mentes

Anónimo disse...

Os notáveis são os Portugueses!
Seguro pode vir a ser um grande líder porque tem Valores e Humanidade.
A grande maioria dos políticos como
Costa desconhecem esses conceitos.

Costa deseja apenas protagonismo, deseja brilho e não teve coragem de aceitar o partido em dificuldades.
Agora que o PS navegava em ventos suaves ele por inveja e ambição destabilizou o partido. Um traidor!
Será que os portugueses são estúpidos? E vão eleger um homem como Costa?
Será que não repararam que Seguro não vai deixar Portugal para trás por interesses meramente pessoais?
No dia que os Portugueses se afastarem de valores como a Dignidade, Portugal afunda!
Apenas reconheço Dignidade a Seguro, não basta retórica é fundamental atitude!
Pense portugueses, pensem...
Já basta de traidores!