segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A MINI REMODELAÇÃO DOS “AJUDANTES”






 
O MINISTÉRIO DA ECONOMIA
 
A remodelação dos secretários de Estado do Ministério da Economia significa politicamente o reconhecimento da falência da acção política do ministério. Como Passos Coelho e Relvas não podem mexer no Ministro, rodearam-no de gente sua na esperança de que daqui para a frente as coisas possam ser um pouco diferentes.
Não podem mexer no Ministro porque a sua substituição traria imediatamente à tona os apetites do CDS pelo ministério, para cuja pasta se perfilam desde o início dois conhecidos “gabirus” intimamente ligados ao grande capital e à alta finança. E essa “prenda” era tudo o que Passos e Relvas jamais dariam ao CDS na presente conjuntura política.
No Ministério da Economia manteve-se o homem do Relvas, ligado às privatizações, feitas ou a fazer, na área da sua competência. É também por intermédio dele ou sob a sua influência que se contratam para “acompanhar” as privatizações os escritórios de advogados de gente do PSD politicamente íntima de Relvas. Para além do dinheiro que esses escritórios ganham na “nobre tarefa” de que são incumbidos, em regra uma tarefa para o desempenho da qual as Finanças já lá tinha os seus, eles ficam também a saber tudo o que se passa nas respectivas empresas e sobre as respectivas empresas. E esse conhecimento é muito importante…pois permite à gente do Governo que os recomendou ficar muito “habilitada” para as conversas que costuma ter com os potenciais compradores, conversas, como eles reconhecem, indispensáveis para a realização de um “bom negócio”. As coisas ainda se tornam mais interessantes quando por um daqueles acasos em que a vida é fértil existe uma ligação estreita entre os que assessoram o Governo e os que assessoram os potenciais compradores…
Entre os novos, lá vem o homem da SLN. Uma escolha na qual é impossível não ver a mão de Relvas e do seu “irmão siamês”, Passos Coelho….bem como daqueles que estando afastados lhes são próximos. Todavia, o Álvaro pode não estar completamente inocente na escolha de Franklim Alves. A “Viseu connection” é muito provável que tenha desempenhado aqui algum papel, dado a importância que teve e continua a ter na SLN, bem como no PSD. Mas esta escolha é também um aviso e um xeque-mate a Cavaco. Como Cavaco tem por resolver aquela questão das acções da SLN, eles acharam que o poderiam formalmente co-responsabilizar pela nomeação, já que lhe faltava autoridade para formular qualquer objecção, mesmo em jeito de conselho paternal.
O comentário do Prof. Marcelo sobre a conversa que teve com Franklim é uma boa explicação …mas apenas para aquelas aulas das disciplinas que o Relvas frequentou para se licenciar….
Por explicar fica a substituição da Secretária do Estado do Turismo. Provavelmente alguma questão interna do CDS. Quanto ao do Emprego, é um “rebuçado” à UGT que juntamente com o Álvaro muito tem feito pela “reforma” do trabalho…
Para terminar: é óbvio que o que se passa no Ministério da Economia em matéria de “crescimento” não tem nada a ver, ou tem pouquíssimo a ver, com a inoperância do Álvaro. O Álvaro tem feito, com a colaboração da UGT, o que lhe é pedido na destruição da regulamentação laboral e nessa medida tem cumprido integralmente. Seria difícil ir mais longe. Mas quanto ao resto, por muita capacidade que ele tivesse, nada poderia fazer. Posto perante uma política de deflação salarial em grande escala, que ele continua a ajudar a pôr em prática, de cortes maciços no investimento público, com vista à brutal retracção da procura interna, como iria ele promover o crescimento? Com incentivos à exportação? Isso até já se fez em muito maior escala no governo anterior. Mas não chega. Embora os resultados sejam relativamente favoráveis, não se pode perder de vista que num país com uma estrutura económica como a do nosso as exportações serão sempre insuficientes para relançar o crescimento. Mas  já teriasido possível, se as coisas não estivessem a ser tratadas no domínio do mais obcecado fundamentalismo, promover o crescimento da produção interna com vista à substituição ou, pelo menos, à redução das importações, em sectores importantes da economia portuguesa. Só que disso o Governo não cura, convencido como está de que uma fénix acabará por renascer das cinzas resultantes da destruição do modelo económico herdado.
E assim se vai afundando o país para níveis anteriores ao 25 de Abril, como já acontece com o consumo de cimento! Nenhum país pode aspirar a um nível razoável de bem-estar sem uma robusta procura interna por mais pequeno que seja o seu mercado no contexto mundial. A arte está em saber direccioná-la para a produção nacional, ou de grande valor acrescentado nacional, nos domínios onde tal seja possível. E isso o Governo não faz, nem quer fazer.


1 comentário:

Rogério Pereira disse...

Se escrevesse algo parecido assim
Também escreveria "Franklim"

É a competência em para-raios o seu maior atributo...