quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A REPORTAGEM DA SIC SOBRE O BPN


 

A INDEPENDÊNCIA DOS REGULADORES

A reportagem da SIC sobre o BPN, que hoje começou a ser apresentada, é a prova evidente da promiscuidade que existe no mundo financeiro entre os reguladores e o capital financeiro, bem como entre estes e os chamados auditores externos, constituídos por conhecidas multinacionais que operam em todo o mundo.

O que se diz dos reguladores do capital financeiro pode dizer-se de quaisquer outros reguladores cuja pretensa acção fiscalizadora incida sobre actividades apenas ao alcance do grande capital, como a energia, os combustíveis, as telecomunicações, etc.

Todos eles são realmente independentes da democracia e do poder democrático, ao qual não prestam contas de nenhuma espécie, não obstante da sua actuação resultarem para os cidadãos em geral consequências tão ou mais importantes do que as que resultam da actuação dos governos e dos parlamentos. Mas dependem em todo o lado, tanto na Europa como na América, daqueles cuja acção eles têm por função fiscalizar. Só podem ser nomeados para os respectivos lugares se tiverem a aquiescência dos “regulados” e as decisões que vierem a tomar estão sujeitas ao prévio controlo ou são mesmo induzidas pela vontade real ou presumida do "regulados", que os reguladores, por pertenceram ao mesmo meio, conhecem perfeitamente.

O caso do BPN é a todos os títulos paradigmático: Oliveira e Costa, o banqueiro, já tinha pertencido à supervisão do Banco de Portugal e Constâncio, o regulador, era e é um homem desde sempre ligado ao capital financeiro.

Por que haveria de actuar Constâncio se o essencial do que o BPN fazia era praticamente o mesmo que todos os demais bancos estavam fazendo?

No caso BPN - e isso não deveria dar lugar a dúvidas - não há maus e bons. São todos iguais: os que o geriram, os que o fiscalizaram, os que o nacionalizaram e os que o venderam.

O grande erro foi ter-se começado a dizer que o BPN era um “caso de polícia”. Não é isso o que o distingue. O que o distingue é a incompetência dos seus gestores, que não souberam apresentar como um “negócio financeiro normal” a actividade do banco e a voracidade de um conjunto de ladrões recém-saídos da pobreza ou de uma situação remediada que quiseram em muito pouco tempo acumular grandes fortunas pessoais, coisa que nos bancos com tradição tem outro ritmo e outro tempo de concretização. Essa a especificidade do BPN.

 

15 comentários:

Luis Eme disse...

concordo com a análise.

não me lembro de gente tão hábil a servir-se do poder, como os "cavaquistas".

mamaram em todas as "tetas" da comunidade europeia...

Rogério Pereira disse...

Aquilo a que chama incompetência eu chamaria tosca precipitação (auto-confiança de que se julga incólume). O resto subscrevo e aprecio.

Anónimo disse...

todos iguais!
bem fez o sr. do banco espírito santo...
a culpa não é do gatuno, é do estado que não preveniu,ou não castigou!
a culpa não é do violador, é da segurança social que não adivinhou!

desejando responsabilizar e punir todos de igual modo qdo. os suas responsabilidades são diferentes,naõ se faz justiça e iliba-se toda a gente...ainda que pareça o contrário!

Anónimo disse...



o regulador e gatunos no mesmo saco dá mesmo jeito a quem?
a politeia sabe, a politeia o diz.

o cidadão...esse paga os erros,devaneios,estratégias e planos dos que o elegem como objecto da sua luta.e dos que se propoem...como alternativa sem quadro mental diferente.

beco com saída bloqueada!

jorge carvalheira disse...

Todos iguais?!
Mas que porra é esta?!
Poeirada no ar já há muita!
Não é preciso o Politeia levantar mais!

Anónimo disse...

Mais de 60% das casas que recebem televisão terrestre ficaram sem acesso à TDT. A Anacom sabe. A Anacom não faz nada. É o regulador. Defende quem? As grandes empresas. Há mais de um ano que a situação se mantém. O que espera a Anacom? Que as pessoas deixeem de ver televisão ou que contratem um serviço de cabo? sim, todos iguais!

JM Correia Pinto disse...

Está a levantar alguma incompreensão a afirmação de que são "todos iguais". Não vou desenvolver qualquer explicação suplementar nem apresentar outros argumentos. O post é claro e só não o interpreta correctamenter quem não quer ou quem não percebe o que é hoje a chamada "função reguladora" por intermédio de "entidades independentes" ou, dito de outro modo, como age hoje o neoliberalismo ou, ainda de outro modo, como se destroem as funções essenciais do Estado. E chega...

Anónimo disse...

O anónimo anterior também confunde o género humano com o Manel Germano.
É lamentável, mas não surpreendente.

Anónimo disse...

O último parágrafo sintetiza a natureza do caso. Não vi o programa mas, pelos relatos que já há, há anos, sabe-se perfeitamente que o Oliveira e, sobretudo, o Loureiro (o Conselheiro de Estado predilecto de Sua Exª)agiam como membros relevantes do poder cavaquista. O PODER é uma teia complexa com múltiplos nós. Que poderia o Constâncio(imagine-se que queria!)e outros reguladores "independentes" contra alguns desses nós? Nada.
Quem conhece o país, sabe que estes toscos do BPN encaixam bem no militante-tipo, em grande número pé-rapado, que povoa as estruturas do PSD, mas também do PS, que pelo país fora substituiu a antiga guarda salazarista, medrando com a chegada de dinheiro, primeiro da RFA e depois da CEE.
Repito, no último parágrafo está tudo dito.
lg

Anónimo disse...

De facto, não precisa de elaborar mais sobre esse "todos iguais". Quem contesta a frase neste contexto são os que se servem da situação.

Jorge Carvalheira disse...

Julguei eu que os pontos de vista do Politeia se distinguiam da retórica do Paulo Portas. Enganei-me, porque há fatais momentos em que coincidem.
É verdade que já na década de 30 do séc. passado, na república alemã de Weimar, sucediam tais coincidências, com os resultados conhecidos.
Mas isso agora não interessa nada e já ninguém se lembra!

JM Correia Pinto disse...

Olhe, Jorge Carvalheira, quem está a perfilar-se par fazer alianças com Portas não sou eu. Espere que logo verá...
E já agora o que se passou na década de trinta do século passado interessa mesmo muito. Mas isso seria uuma longa conversa...
Obrigado pelo comentário.

JM Correia Pinto disse...

Depois do programa de hoje - Parte II- fica claro que o dinheiro deixa rasto. Todavia, ninguém (isto é: ninguém com poder e competência para tal)quer ir no rasto do dinheiro do BPN.
Conclusão: hoje mais iguais que ontem...

Anónimo disse...

Pois é, este post mostra que muita gente não sabe ler lá muito bem. Ou isso ou deixaram a honestidade intelectual em casa.

JM Correia Pinto disse...

Continuando...Para quem duvida que sejam todos "farinha do mesmo saco", ai vai mais esta:
http://economico.sapo.pt/noticias/washington-revela-emails-suspeitos-da-standard-poors_162145.

E os exemplos poderiam multiplicar-se.
Ou destruímos o poder do capitalismo financeiro ou ele nos destroi a nós!