sexta-feira, 28 de agosto de 2009

QUEIROZ, O NÁUFRAGO



A CAMINHO DO ABISMO

Carlos Queiroz já deu sobejas provas de que é incompetente, tanto como treinador de equipas de clube como de selecção. A substituição de Scolari não era fácil, mas dificilmente poderia ter sido pior. Nisso Queiroz não tem qualquer responsabilidade, nem sequer a de aceitar um lugar para o qual não está capacitado, porque ele pensa que está. A culpa vai inteirinha para a Federação e para o seu inenarrável presidente, que há muito deveria também ter sido substituído.
Depois de Scolari, o mínimo que se exigiria era que a escolha tivesse recaído sobre alguém que percebesse o que é uma equipa de selecção, algo que nos dias de hoje não é uma realidade substancialmente diferente de uma equipa de clube, com a vantagem de, a cada momento, poder dispor de uma base mais ampla de recrutamento. Mas esta vantagem tem de ser administrada sabiamente, sob pena de se transformar numa grande desvantagem. Além desta capacidade, o seleccionador, em países como Portugal, tem de ser uma personalidade consistentemente independente e com provas já dadas nesse domínio. Enfim, tudo características que Queiroz não possui.
A recente convocação de Liedson é a prova do que acaba de ser afirmado. Queiroz actuou mais como um náufrago, que busca desesperadamente uma tábua de salvação a que se agarrar, do que como um comandante que sabe manter o sangue frio para encontrar o rumo certo para sair da tormenta.
Não se trata de fazer a defesa de qualquer tipo de nacionalismo retrógrado. Trata-se antes de fazer ou de recompor uma equipa. Está convencionado que as selecções nacionais só podem ser constituídas por cidadãos nacionais do país que representam. A nacionalização apressada de um jogador de futebol apenas ditada pelo objectivo ou, mais do que isso, a promessa, de ser convocado para a selecção do país cuja nacionalidade pode juridicamente obter, é uma verdadeira fraude à lei, independentemente de estarem presentes os requisitos formais que a permitem.
E estas coisas reflectem-se sobre a equipa, digam os jogadores o que disserem. Além de que Liedson tem todo o ar de se estar positivamente nas tintas para a selecção nacional, como de resto já esteve, em momentos chave, para o Sporting. Se tudo correr bem, ficará satisfeito; se correr mal, esse será seguramente o lado para o qual ele dorme melhor. Escolhendo um jogador que nada tem, nem terá, com a equipa, Queiroz despreza novos talentos que todos os anos despontam no futebol português e copia na própria selecção a pior política desportiva de alguns clubes.

1 comentário:

FJCoutinhoAlmeida disse...

Embora se trate de tema que toca a futebolite, ele insere-se na questão da descaracterização da representação desportiva do Pais. Por isso, vou comentar ...
'Se bem me lembro', a entrada de naturalizados (quase todos de proveniência brasileira) na Selecção Nacional de futebol, já vem de muito longa data. Primeiro, com DAVID JÚLIO (da África do Sul), a seguir com LÚCIO, ambos do Sporting; depois, com CELSO do Boavista.
Mais recentemente, com o selecionador Scolari -é bom não esquecer- entraram (e continuam os ex-portistas DECO e PEPE. Agora -com o 'eterno 2º' Queiroz- vem o 'levezinho' LIEDSON, com mais de 30 anos, para 'resolver'.
Num quadro de globalização, de superação do nacionalismo, de vitórias a todo o custo, com a ausência de normas uefeiras ou fifeiras, quem pode travar esta tendência?
E quanto ao desperdício de talentosos jovens originários, são os próprios clubes a dar o exemplo.
Quem sabe se, com reais oportunidades, não se afirmariam mais jogadores como Varela ?