quinta-feira, 2 de junho de 2011

PORTAS ENCARECE PARTICIPAÇÃO NO GOVERNO



UM COMPLETO BLUFF



No Diário de Notícias de hoje, Portas marcou diferenças relativamente ao PSD e encareceu a participação do CDS no governo. O que Portas quer toda a gente percebe, até Passos Coelho, daí que talvez não tenha sido uma boa ideia o modo como ontem se exprimiu.

Portas não quer o PS no Governo. Quer obviamente o voto do PS na revisão constitucional e eventualmente noutras matérias a decidir no Parlamento, mas sabe que a presença do PS no governo o fragiliza. Por outro lado, sabe que o eleitorado de direita (PSD/CDS) prefere uma coligação do PSD com o CDS a qualquer outra. E como o PSD, se ganhar, precisa de fazer um governo maioritário, sendo o CDS o seu aliado natural, Portas trata de vender caro a sua participação de modo a evitar uma distribuição dos Ministérios, em quantidade e em qualidade, proporcional ao peso eleitoral dos dois partidos, como de certo modo aconteceu com a coligação feita com Barroso.

Desta vez Portas, sentindo o PSD ”entalado” entre a necessidade de negociar uma coligação e a obrigação de chegar a um resultado muito rapidamente, aposta numa participação mais onerosa para o PSD na convicção de que os negociadores “laranja” não teriam grande margem de manobra para a recusar as suas propostas nem para protelar as negociações, dada a urgência, face aos compromissos assumidos, de ter o governo o mais rapidamente possível em funcionamento.

Não deixa de ser uma aposta arriscada, mais ainda vindo de quem tudo tem feito para ser governo, desta vez com a estabilidade que da outra faltou a partir do momento em que Barroso se pôs a andar.

Claro que o PSD reagiu como se esperava, pedindo mais votos para si e menos no CDS, enquanto o PS procurou tirar o partido possível desta putativa situação de conflito.

Porém, tudo vai depender de Sócrates. Se Sócrates ficar, Portas pode ter êxito na manobra que desde o princípio da campanha vinha pondo em prática e que hoje ficou clara. Mas se Sócrates se for embora, Portas que se cuide, já que há guardres probabilidades de a sua eventual participação no governo ficar muito desvalorizada…

Sabe-se lá, aliás, que acordos já não existem. Alguém se lembra do contexto em que foram disputadas entre o PS (Mário Soares) e o PSD (Mota Pinto) as eleições subsequentes à queda, já na fase Balsemão, da “Aliança Democrática”?

2 comentários:

Rogério Pereira disse...

Não sou particular adepto nem me posiciono como expectador dos jogos de condicionamente de cada um aos outros dois (e vice-versa) para a criação do espaço negocial para a participação no poder. Acho que essas manobras eleitorais vão tropeçar no que está delineado pelos credores e pelas exigências ja feitas e dos três já conhecidas. Mas também acho que analisa bem as jogadas. Gosto (e subscrevo) do seu parágrafo final. Acho que é assim. Tal e qual.

Anónimo disse...

Pelo que Antonio Costa disse ontem, o PSD terá que perder a face para ter um acordo com o PS. Não me parece que existam acordos pré-eleitorais por debaixo da mesa, o que existe e não é pouco é o acordo c/a Troika.
Para o PS é bem melhor não ir para o Governo e deixar que as condições se deteriorem inevitavelmente.Uma vingança deve servir-se fria.
A hipotetica maioria que a direita
tem para governar é altamente ilusoria e volatil. Alimenta-se mais do cansaço dos eleitores e da mais repugnante manipulação mediatica que há historia.
Desvanecer-se-á rapidamente.
Monday reality bites again.