quinta-feira, 9 de junho de 2011

A SUCESSÃO NO PS

TUDO NOS CONFORMES
Assis e Seguro avançam para a liderança do partido



Como se esperava, António Costa não concorre à sucessão. Era mesmo o que faltava. O mais experimentado político do PS no activo quando concorrer é para ser primeiro-ministro. E embora ele seja o mais lídimo representante do PS, o que hoje melhor representa o partido tal qual ele é, Costa, quando for a votos, contra o PSD, quererá concorrer com a aura de homem de esquerda. E como o próximo secretário-geral está condenado a servir de muleta à direita, Costa entendeu deixar esse papel a Assis ou a Seguro. Depois, quando o serviço estiver cumprido, o que dos dois ganhar sairá, em boa ordem, como saiu Constâncio e entrará para o seu lugar o próximo primeiro-ministro.

Tem de reconhecer-se que, embora se trate de um jogo relativamente aberto, o PS o joga bem. O próximo secretário-geral vai desempenhar um papel muito semelhante ao que Constâncio desempenhou face a Cavaco. Vai passar-se o mesmo, num outro tempo e com outras consequências. Com Constâncio o PS deu a primeira forte “machada” na Constituição que, como partido maioritário, ajudara a aprovar; com Assis ou com Seguro será dada a “machadada” final para que do 25 de Abril nada mais reste de importante. A seguir virá o tal candidato de “esquerda”, tal como a seguir a Constâncio veio Sampaio.

A história tem muita força e lá está ela  para nos explicar, se não como vai ser, pelo menos como foi. Já dizia o famoso Doutor da Igreja que Deus pode fazer tudo…menos alterar o passado. Hoje, todavia, já há quem com muito menos atributos faça disso profissão. Mas sem êxito, pois como se vê há sempre quem se “lembre” de como as coisas aconteceram.

Mas voltando ao presente: Seguro tem uma relativa vantagem sobre Assis: é não dizer nada sobre o que quer que seja e não ter opinião conhecida sobre nada. Não é que Assis seja muito mais explícito, salvo quando promete ser uma muleta do próximo governo, mas como dá a impressão que é – de facto, fala muito dizendo pouco – talvez esta loquacidade sem conteúdo equilibre aquele silêncio.

De uma coisa Assis estará certo: os indefectíveis de Sócrates não vão votar no seu concorrente e Seguro até se pode dar por muito feliz se eles não puserem a circular, como material de campanha, aquele vídeo da SIC N em que Relvas agredia Sócrates e falava na ausência de legitimidade para governar, perante o mais profundo silêncio de Seguro que, no estúdio do Porto, ouvia em respeito tudo quando do seu então chefe se dizia.

Mas também nesse campo Seguro empatará, pois sem dificuldade poderá recuperar na RTP N o debate entre Assis e Aguiar Branco em que este dizia exactamente a mesma coisa, com a agravante de elogiar Assis para melhor poder atacar Sócrates, também perante o mais profundo silêncio do seu suposto contraditor.

Enfim, a campanha para as directas do PS reúne todas as condições para se tornar num dos mais fastidiosos momentos da vida política portuguesa. Ainda bem que eles têm o bom senso de a fazer quando mais de metade está a banhos e a outra parte a pensar fazer o mesmo!

8 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...

a campanha para as directas do PS reúne todas as condições para se tornar num dos mais fastidiosos momentos da vida política portuguesa. Ainda bem que eles têm o bom senso de a fazer quando mais de metade está a banhos e a outra parte a pensar fazer o mesmo!

vou roubar

Rogério Pereira disse...

Boa malha.
Deus lhes valha

Vale do Burro disse...

É o SISTEMA de ALTERNE(ância) a funcionar, só isso! O sábio POVO, que tem sempre razão e nunca se engana, precisa da ilusão de que quando está chateado pode mudar. É assim em Portugal e na generalidade das democracias formais. Veja-se o caso do RU em que os dois donos do SISTEMA se opõem a uma alteração do sistema eleitoral que possa por em causa o duopólio. Que interessa que haja uma distorção grosseira da representatividade? Eles garantem que o sistema é democrático, portanto é!

Anónimo disse...

No PS todos os lideres têm defeitos, o requisito minimo é serem humanos e errarem, não são insubstituiveis.
Só em organizações totalitarias o líder permanece e não aceita sequer criticas, é omnisciente e eterno.A bem do povo, claro.

m. disse...

Como não encontrei email, tenho que usar o comentário. Eu já sabia que o blogger é pouco fiável mas agora enlouqueceu.Os seus visitantes estão a contabilizar no meu blogue. Não sei porquê nem o que fazer. Saudações bloguísticas

Ana Paula Fitas disse...

Só há pouco li o seu texto que deveria ter lido ontem... mas, a verdade é que se o tivesso lido ontem ou hoje de manhã, não teria escrito ou que ainda há pouco escrevi :))
Grande abraço :)

aquaporina disse...

"Seguro será dada a “machadada” final para que do 25 de Abril nada mais reste de importante."

Se acha que o facto de poder exprimir as suas opiniões sem ser perseguido é uma das "menores" conquistas de Abril...

JM Correia Pinto disse...

Obrigado Ana Cristina por me encontrar consigo no humor que nos diverte; Obrigado Rogério por me entender tão bem; obrigado Ana Paula pela serena inteligência com que sempre se exprime em A Nossa Candeia; Obrigado m, pelo seu alerta, mas também não sei o que fazer - vamos esperar que tudo auto se corrija; obrigado Aquaporina pelo comentário....mas para ter liberdade de expressão não era preciso ter gasto tantas energias nem ter depositado tantas expectativas no 25 de Abril; obrigado ainda aos restantes comentários.