sexta-feira, 18 de novembro de 2011

EPISÓDIOS DA JUSTIÇA PORTUGUESA



SÓ NO DIA DE ONTEM



A Ministra da Justiça diz que os portugueses têm razões para não confiar na Justiça e confirma a existência de um clima de impunidade que - ela não o disse, mas é óbvio - favorece os ricos e não aproveita aos pobres.

O Marinho Pinto diz que o Ministério da Justiça foi entregue a um escritório de advogados e, além disso, acusa a Ministra de nepotismo. A Ministra defende-se, alegando falsidade, diz que Marinho lhe inventou um cunhado, mas fica-se por aí. É a Praça da Ribeira no seu melhor…

O Procurador Geral da República não gostou nada que os jornalistas estivessem à espera das diligências da Judiciária na casa do Sr. dr. Duarte Lima, nem do modo como a comunicação social estava a tratar o caso.  Mas não revelou nenhuma preocupação pelo facto de o suspeito ter sido previamente avisado do que lhe ia acontecer, nem tão-pouco se mostrou minimamente incomodado com as acusações da Justiça brasileira. Não sabe de nada. À Procuradoria ainda não chegou nada. No ouvinte fica a ideia de que essa coisa de o Duarte Lima ser acusado de homicídio no Brasil é lá uma coisa deles, dos brasileiros.

Germano Marques da Silva, advogado de Duarte Lima, e ao que se diz professor de Direito Penal na Católica – uma universidade que preza os “valores”, ou não fosse ela uma emanação quase divina do saber celestial – diz que “Só se o Duarte Lima fosse parvo é que se apresentaria no Brasil”!

Mas há mais. Um outro advogado de Duarte Lima, agora no suspeito caso de burla, branqueamento de capitais, fraude fiscal e sabe-se lá que mais do BPN, protesta contra a prisão preventiva do seu cliente decretada com fundamento em receio de fuga…porque o seu cliente é um foragido! Tal e qual. "Receio de fuga"? Responde, perguntando o advogado. "Só se Duarte Lima fosse tolo se ausentaria de Portugal, havendo o que se conhece com a Justiça brasileira".

Pois é, isto atingiu o grau zero da pouca-vergonha. O grande défice português não é o das contas públicas. O défice das contas públicas não passa de um pequeno afloramento de um outro défice muito maior e mais grave!


5 comentários:

Anónimo disse...

O zero absoluto diria eu! E, no entanto, fica-se com a sensação que a pestilência do pântano não incomoda grandemente o pessoal. (andam todos ao mesmo, ouve-se)
E aqui é difícil invocar a acção nefasta da "tarefeira teutónica".

JVC disse...

Desculpa a emenda. Não é Marinho Pinto, é Marinho e Pinto! Há quem não tenha mesmo o sentido do ridículo...

V disse...

O que é que se pode esperar de um Procurador Geral da República que ilegalmente negociou com os arguidos banqueiros (do BES, BCP e BPN, pelo menos) e demais gandulos (Mota Engil e quejandos) o arquivamento da Operação Furacão se pagassem ao Fisco parte do que roubaram e mantem o processo na gaveta porque há alguns que nem assim ainda pagaram?

Anónimo disse...

Poste bem, como sempre, mas curto...
Fala das bolhas (da fervura).
Devia falar da água (que ferve).

A.M.

aires disse...

é exactamente como escreve, sobre o conjunto destas intervenções todas sobre D. Duarte Lima...