segunda-feira, 28 de novembro de 2011

SEGURO E O ORÇAMENTO

OS NEGÓCIOS DO PS



Com o euro à beira do colapso, crescem as suspeitas de que o PS de Seguro se prepara para fazer mais uma negociação com os fundamentalistas neoliberais do Governo, aceitando o confisco de dois ordenados de uma parte considerável de funcionários e reformados.

Depois de ter aceitado a divisão entre trabalhadores do sector público e do sector privado, Seguro prepara-se agora para promover a divisão no próprio seio de funcionários e pensionistas, indo inclusive contra aquilo que ainda há dias parecia ser a sua “última palavra”.

Apesar das conhecidas limitações do PS na hora da verdade com as quais os portugueses já estão habituados, sempre justificadas em homenagem a interesses que somente os socialistas vislumbram, desta vez, a acontecer o que já parece inevitável, bem se poderá dizer que o PS ultrapassou todos os limites.

De facto, quando do outro lado do Atlântico, tanto a Norte como a Sul, já se escarnece abertamente das políticas seguidas na Europa para superar a crise e se anuncia o fim próximo do euro, é lamentável que os ditos partidos “socialistas” e “social-democratas” europeus continuem reféns do neoliberalismo que, desde a década de 80 do século passado, tanto ajudaram a consolidar.

Bem pode Mário Soares, que já percebeu as profundas debilidades da actual liderança do PS, lançar um movimento cívico destinado, na prática, a tentar fazer aquilo que o PS não faz, que isso já nada adiantará relativamente ao futuro dos socialistas.

Se o euro cair, como tudo indica que vai acontecer nas próximas semanas, com ele cairão também os partidos “socialistas” e “social-democratas” colonizados pelo neoliberalismo, ao serviço do qual estiveram durante mais de trinta anos. Não há refundação que lhes valha…

E, todavia, não obstante a aparente vitória dos “mercados” sobre a democracia, a verdade é que o mundo caminhará para a superação do paradigma neoliberal, alicerçado na defesa ilimitada da liberdade individual, na desregularão dos mercados, na ganância do capital financeiro e na desvalorização da cooperação a todos os níveis – entre as pessoas, entre os Estados, entre uns e outros e meio ambiente que os circunda.

O mundo desenvolvido do Norte está nos limites da sua própria consistência como sistema. A crise que desde finais de 2007 se instalou nos Estados Unidos e depois na Europa, sob facetas diversas, mas subordinada ao mesmo denominador comum – desemprego, brutal desigualdade de rendimentos, endividamento e domínio absoluto do capital financeiro - não é uma crise como as outras, susceptível de ser vencida pela superação da conjuntura. É uma crise estrutural, de falência do sistema, que vai inevitavelmente levar ao seu fim tal como hoje o conhecemos.

Certamente que não será um fim fácil, nem alcançável num prazo curto. Múltiplas convulsões, mais ou menos violentas, acompanharão o seu agonizante estertor, não sendo sequer de pôr de parte a hipótese de uma guerra. Esse o maior perigo com que a humanidade se debate, pois não é crível que um sistema baseado na ganância e na rapina se desintegre tão pacificamente como outros que nos nossos dias já vimos desintegrar, mas que tinham pelo seu lado a enorme vantagem de não estarem alicerçados na propriedade privada, fonte primeira de todos os conflitos!

3 comentários:

Lamiré disse...

Concordo literalmente com a reflexão do post e acrescento :
"Portugal terá de pagar juros de 34,4 mil milhões de euros pelo salvamento de 78 mil milhões acordado este ano com o FMI, BCE & UE – ou seja, o total a ser devolvido aos ditos "salvadores" será de 112,4 mil milhões de euros (juros+principal). Um salvamento assim é como atar um peso de chumbo a alguém que esteja a afogar-se. Tal empréstimo jamais poderá ser pago – o objectivo deliberado da troika foi submeter o país de modo permanente à servidão da dívida.
A verdadeira saída para esta situação, a única que atende realmente aos interesses do povo português, é a recuperação da soberania monetária do país e a libertação das peias da UE. Os custos da saída do euro são inferiores aos custos da permanência no mesmo, com a consequente escravização eterna à ditadura do capital financeiro."

Rogério Pereira disse...

"a verdade é que o mundo caminhará para a superação do paradigma neoliberal"


Não há, de modo visível, um plano B (nem C)
Para mudar o paradigma, vamos fazer o quê?

ZéZé de Moledo disse...

A "Lamiré":

Meu caro, eu comprei um T3 -clase média- numa cidade de província quando era P.M. o grande estadista e agora defensor da soberania dos Povos -Mário Soares. Na altura como ninguém era escravo de ninguém (porque imperava a vontade dos povos e seus lídimos representantes)o banco, com quem "negociei" as condições, exigiu-me apenas a hipoteca do andar, tendo eu "concordado" em entrar com 33% do valor de compra, e uma amigável taxa anual de juros de 31% (está a ler bem :31%!!). A prestação mensal correspondia aproximadamente a 2,5 S.M.N. Quando liquidei o empréstimo, passados 23 anos, paguei em termos nominais o dobro do que tinha pedido. Portanto paguei de juros várias vezes o valor do empréstimo inicial Trata-se de um exemplo absolutamente real e pessoal e termino por aqui para porque já estou a abusar do espaço do dr Pinto Correia. Cuidado! Quanto a ditaduras, venha o diabo e escolha!! e olhe que está muita gente com ganas que desapareça o espartilho europeu....