quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SOBRE O EURO: MUITO RAPIDAMENTE



OU O BCE MUDA OU O EURO ACABA



Hoje já ninguém racionalmente saudável tem dúvidas: o BCE muda ou o euro acaba.

Mais: não basta ao BCE comprar em quantidades ilimitadas dívida soberana no mercado secundário. Isso pode acalmar relativamente os “mercados”, mas não resolve o problema. O problema só se resolve se a dívida passar a ser sustentável. E a dívida só será sustentável se a União Europeia crescer e com ela os Estados que a compõem.

O BCE tem, por isso, de financiar os Estados directamente a uma taxa de juro no máximo idêntica àquela com que financiou os bancos.

Inflação? Uma treta. Uma economia deprimida ou estagnada não corre o risco de inflação por aumentar a quantidade de moeda em circulação (vide EUA e Japão). E alguma inflação não faria nenhum mal ao euro. Pelo contrário, até lhe faria bem.

Os tratados? Sim, os tratados mudavam-se depois. Não há nada como fazer o direito depois dos factos….

Governo económico? Sim, também é necessário – governo económico democrático (quase a quadratura do círculo, a gente sabe, mas como dizia Jorge Amado a propósito de outra questão: não se perde nada em tentar e, principalmente, insistir). Mas depois de resolvido problema actual.

Se isto fosse possível, o euro salvar-se-ia. Se o referendum na Grécia, ou o seu simples anúncio, tivesse estas consequências, ele constituiria o facto histórico mais relevante deste início de século na Europa Ocidental.

Só que tudo isto não passa de um sonho de uma noite de Outono…




5 comentários:

Francisco Seixas da Costa disse...

Gostei da referência ao Jorge Amado, mas sempre era uma opção bem mais agradável. Olhe! Na vida política italiana e francesa há quem faça por isso! Um forte abraço

Palavras ao vento disse...

Corajosos,os gregos!!!

Anónimo disse...

Na minha limitada visão sobre questão tão ampla e complexa, agora inclino-me para que, sim senhor, a zona euro, pelo menos a que existe, não tem futuro. Podem, portanto, os adversários, desde os bisnetos da D. Brites de Almeida aos restantes soberanistas, comemorar porque a vitória é certa e aproxima-se. Os portugueses que estão na Suíça, Alemanha, França etc. estão a levar de volta o dinheiro que para cá trouxeram, remessas futuras são uma miragem, o resgate de fundos acelerou embora toda a gente evite falar, portanto, a coisa está a ficar no ponto para que o povo se desenvencilhe das teias capitalistas e tome o futuro nas suas mãos. Só lhe vai faltar dinheiro para pagar a pronto com que satisfazer grande parte das necessidades básicas, mas isso é um detalhe.De qualquer modo osd portugueses terão o privilégio de ver o seu futuro no espelho grego, os tais que detêm a maior concentração mundial dos hediondos porshes germânicos.

A.F.

Ana Paula Fitas disse...

Fiz link... deste e de outro post!... e agradeço muito, claro!
Um abraço.

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Carissimo Senhor José M. Correia Pinto,

Fiz link deste pertinente post no meu blogue. Manifesta uma análise cuidada, com detalhes bem interessantes e um texto escorreito sempre cativante para o leitor, como tenho reparado nas várias visitas que aqui tenho feito.

Saudações cordiais,
Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt