quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SOBRE O QUE SE PASSA AQUI E NA EUROPA



A CRISE DA DÍVIDA E O EXCESSO DE HIPOCRISIA



Em múltiplos posts defendemos neste blogue a ideia de que a dívida dos países periféricos tinha em todos os casos a mesma origem, apesar de se apresentar com diferentes matizes.

Defendemos igualmente a ideia de que tal crise não era imputável aos desvarios deste ou daquele governante, não com a preocupação de inocentar quem quer que fosse, mas pela pura e simples razão de que a crise era uma consequência inevitável do sistema, já que as assimetrias que o integravam bem como as regras que o regiam tendiam, com a passagem do tempo, a agravar essas diferenças, tanto mais quanto maior fosse a aparente prosperidade dos que caminhavam alegremente para a bancarrota.

Evitar o desenlace que está à vista de todos teria sido possível mediante uma recusa do sistema que o gerou, coisa que nenhum dos hipócritas justiceiros que exigem “punição” teria sequer em sonhos admitido.

É que o capital tem as suas regras e supor que ele se pode mover por outro interesse que não seja a sua máxima rentabilidade é uma idiotice que nem sequer exige reflexão para ser rebatida.

Paul Krugman considera sábias as palavras de Kash Mansori sobre o que se passa na Europa. Elas vão exactamente no mesmo sentido do que aqui tantas vezes foi dito e que tantas críticas amigas nos valeram daqueles que entenderam que estávamos a desvalorizar excessivamente a acção deletéria dos anteriores governantes.

Enquanto o povo português, ou, pelo menos, aqueles que honestamente procuram a compreensão do que se passou, não atinarem com a análise correcta sobre a crise da dívida, melhor dizendo, do euro, vamos continuar a bater-nos, com a melhor das intenções, contra moinhos de vento!


4 comentários:

Ana Paula Fitas disse...

Vinte estrelas, meu amigo... vinte estrelas!
Abraço.

pvnam disse...

Sem dúvida que o objectivo final de tudo isto [Biliões para os banqueiros = Dívidas para as populações] é a implosão das soberanias!


--> A superclasse (alta finança internacional - capital global, e suas corporações) não só pretende conduzir os países à IMPLOSÃO da sua Identidade (dividir/dissolver identidades para reinar)... como também... pretende conduzir os países à IMPLOSÃO económica/financeira.
--> Só não vê quem não quer: está na forja um caos organizado por alguns - a superclasse: uma nova ordem a seguir ao caos... a superclasse ambiciona um neo-feudalismo.



-> Muito muito mais importante do que a crise... é o DIREITO À SOBREVIVÊNCIA!
Resumindo e concluindo:
- há que 'cortar' com aqueles que criticam a repressão dos Direitos das mulheres… e em simultâneo, para cúmulo,… defendem que se deve aproveitar a ‘boa produção’ demográfica proveniente de determinados países [aonde essa 'boa produção' foi proporcionada precisamente pela repressão dos Direitos das mulheres]… para resolver o deficit demográfico na Europa!;
- há que 'cortar' com aquele pessoal (vulgo Terrorismo_CGTP) que 'martelam' os mais fracos (um ex: aqueles que, como eu, estão dependentes dos transportes públicos para ir trabalhar)... e que (quando vêm os aumentos) varrem para debaixo do tapete o facto da entidade pagadora ter necessidade de pedir dinheiro emprestado a (perigosos) especuladores, etc;
- não vamos ser uns 'parvinhos-à-Sérvia'... ou seja, antes que seja tarde demais, há que mobilizar aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para se envolver num projecto de luta pela sobrevivência... e SEPARATISMO!...

JVC disse...

Concordo inteiramente, como é costume.

Infelizmente, principalmente entre gente da nossa geração e mesmo bons amigos nossos comuns estão tão influenciados pela luta política tradicional - em que deram o seu melhor - que hoje não são capazes de fazer o que dizes e eu também. Continuam com uma visão retórica da política, superestrutural, fechada nas regras, usos e mentalidades da política formal. É assim muito mais fácil pensar a crise em termos redutores - e menores - de quem fez o quê, Sócrates ou Coelho.

Lembro que o meu Moleskine teve como post inaugural coisa sobre isto, a necessidade de uma nova abordagem sistémica e de economia política. E por isto tenho na barra lateral a frase conhecida "It's the economy, stupid!"

Ana Paula Fitas disse...

... fiz link, claro!
Obrigado :))