domingo, 16 de março de 2014

EM DUAS PALAVRAS


 

A PROVA DE QUE PORTUGAL PERDEU A INDEPENDÊNCIA
 
 
 
A prova de que Portugal perdeu a independência é tão óbvia, é uma prova que cai em cachoeira, como dizem os brasileiros, que até se torna penoso evidenciá-la de tão evidente que ela é.
O PSD e o CDS, ou seja, Passos Coelho e Paulo Portas, não põem em prática nenhuma política que eles possam deixar de aplicar, o que não quer dizer que não estejam de acordo com as políticas que aplicam. Estão. Mas todas lhes são ditadas pela União Europeia e agora também pelo FMI, embora o que verdadeiramente conte sejam as imposições da UE. A todas as questões a que não podem fugir, e incapazes de invocar argumentos habituais de quem está fazendo as coisas por sua iniciativa, respondem dizendo que tem de ser assim ou porque é o que está no Memorandum ou porque são essas as obrigações decorrentes dos tratados aprovados ou dos regulamentos comunitários ou das deliberações do Conselho Europeu.

Por outro lado, o PS não apresenta nenhuma proposta política, absolutamente nenhuma, cuja exequibilidade dependa da vontade do próprio partido. Todas as propostas apresentadas por Seguro, Assis ou pelos que se empenham na busca de novos caminhos nos “Novos rumos” dependem da União Europeia. Da sua aceitação ou aprovação pela União Europeia.

Ora, um estado cujo governo não dispõe politicamente de meios para pôr em prática as políticas que quer aplicar ou que não está em condições de aplicar outras políticas senão aquelas que lhe ditam, não é um estado independente ou, tendo-o sido, deixou de o ser!

 

AINDA SOBRE O MANIFESTO
 
 
 
 
 
Relativamente à dívida, o establishment actua dividido e tenta pôr em prática duas tácticas diferentes.

O Governo está antes de mais interessado em consolidar uma agenda ideológica que somente o endividamento e a dependência externa lhe permitirão levar até ao fim. Mas o Governo sabe perfeitamente que a dívida é insustentável. Quanto ao seu pagamento, a táctica do Governo, embora não pareça, também é óbvia. Quer fazer tudo o que estiver ao seu alcance para parecer credível aos olhos dos credores para numa segunda fase, coincidente com a segunda legislatura, evidenciar a insustentabilidade, negociando uma reestruturação ou pura e simplesmente beneficiando do precedente entretanto aberto para a Espanha ou para a Itália ou para ambos.

Do lado dos subscritores do Manifesto, a ideia que os guia é antes de mais impedir a consolidação da agenda ideológica do Governo e romper com o unanimismo existente à volta da sua política. Subsequentemente tentar abrir uma clareira no seio da União Europeia por onde possa abrir-se caminho à renegociação da dívida, embora saibam que as propostas que apresentaram são insuficientes. São insuficientes, mas são importantes como começo. O resto virá depois.

Neste contexto quem fica francamente mal colocado é o PS oficial e os seus apoiantes oficiais e oficiosos. Porque ou não dizem nada ou quando abriram a boca foi para dizer que o timing escolhido para debater este assunto era inapropriado.

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

"Do lado dos subscritores do Manifesto, a ideia que os guia é antes de mais impedir a consolidação da agenda ideológica do Governo e romper com o unanimismo existente à volta da sua política. Subsequentemente tentar abrir uma clareira no seio da União Europeia por onde possa abrir-se caminho à renegociação da dívida, embora saibam que as propostas que apresentaram são insuficientes. São insuficientes, mas são importantes como começo. O resto virá depois."

Esse mérito, é o único, do manifesto. Para quem tem tanta fome, chega esse pouco!

BOA MALHA!