domingo, 30 de janeiro de 2011

O ATAQUE AO TRABALHO CONTINUA!



O GOVERNO SUCUMBE À POLÍTICA REACCIONÁRIA DE BRUXELAS

Já se sabia que a direita neoliberal que domina a União Europeia e pontifica em Bruxelas tinha exigido ao Governo Português mais um vergonhoso ataque aos direitos dos trabalhadores numa manifestação de arrogância e de triunfalismo de quem pretende retirar da crise económica todas as vantagens que a fragilidade da actual situação aparentemente permite.
As medidas que o Governo se prepara para tomar em consonância com um patronato explorador, pré-anunciadas por Bruxelas, depois de uma reunião de ministros em que participou Teixeira dos Santos, são mais uma prova inequívoca da ofensiva ideológica comandada pelo directório europeu com o falso pretexto de que por via delas se favorece a competitividade da empresa, quando o que está liminarmente em causa é exploração de quem trabalha, eliminando todos os direitos sociais de modo a torná-los uma mercadoria a que possam aceder apenas os que têm dinheiro.
Sócrates, no Parlamento, instado a clarificar o assunto, refugiou-se na declaração de que não aceitará despedimentos sem justa causa. A Ministra do Trabalho, essa estranha personalidade política recrutada no mundo do trabalho para fazer o trabalho sujo em matéria laboral, limitou-se a justificar as medidas que se prepara para propor com base na analogia do que se passa lá fora, nos nossos principais concorrentes.
Esta argumentação absolutamente atentatória da dignidade de quem a escuta, pela mentira e pela estupidez que encerra, revela até que ponto se chegou hoje na política. Esta sim, é que é uma verdadeira demonstração da “vil baixeza” a que se chegou.
Continuando por este caminho nada mais começa a restar aos trabalhadores europeus, nomeadamente os mais causticados pela crise económica, da exclusiva responsabilidade de quem “governa” a economia, do que imitar o povo de Tunes e do Cairo, correndo não apenas com aqueles que os governam, mas também, e principalmente, com aqueles que os exploram.
De facto, o que se está a passar, telecomandado por Berlim e Bruxelas, com a conivência cobarde dos governos nacionais, começa a ser uma questão que já não pode resolver-se no quadro institucional vigente. Ele é demasiado forte, demasiado tentacular, demasiado enleante para se deixar surpreender pela via dos procedimentos habituais. A resposta vai ter de ser outra. E mais tarde ou mais cedo vai acontecer.
Do mesmo modo que os regimes corruptos e cleptómanos que dominam os povos do norte do Mediterrâneo vão ser todos corridos, apesar de apoiados por Washington e pela União Europeia, também na Europa a continuação das políticas de exploração do trabalho, da eliminação dos direitos laborais e sociais, da marginalização económica de sectores cada vez mais vastos da sociedade nesta voragem insaciável, próprias de quem se deixou inebriar pela conjuntura e de quem já perdeu a noção das realidades, vai ter consequências terríveis para os seus autores, fautores e cúmplices. E na Europa, historicamente, as grandes convulsões não costumam ser nada suaves. Que não se espantem depois!

3 comentários:

V disse...

"A resposta vai ter de ser outra. E mais tarde ou mais cedo vai acontecer"

En la calle. Tem que ser.
V

JVC disse...

Lá me tiraste oportunidade para um "post" que ia escrever hoje... ;-)

E o Vítor está cá com uma mvontade de ir para la calle! Mas antes juntamo-nos o bando, para uma cervejada, que ajuda à festa.

j disse...

Que tempos estes!
Chama-se a isto uma sindicalista...