quarta-feira, 6 de março de 2013

SOBRE A MORTE DE CHÁVEZ


 
A HOMENAGEM
 
Pouco depois de conhecida a notícia da morte de Chávez, a SIC Notícias reuniu um painel de comentadores para tratar o acontecimento do dia.
Eram eles: Nogueira Pinto, Nuno Rogeiro, Pacheco Pereira e um sul-americano, cuja nacionalidade não foi indicada, nem tão pouco a profissão, salvo a vaga indicação de que era professor, sem se saber onde nem de quê.
Falou-se de muita coisa, tendo um dos temas abordados sido as relações entre Portugal e a Venezuela sobre as quais nenhum dos quatro sabia nada. Absolutamente nada, salvo que vive lá uma grande comunidade portuguesa e que Portugal e a Venezuela têm tradicionalmente boas relações. Esse desconhecimento não os impediu, todavia, de dissertarem longamente sobre o assunto.
Nas doutas análises que aquele abrangente, democrático e pluralista painel fez sobre a situação da Venezuela lá vieram as conhecidas considerações sobre a “qualidade da democracia venezuelana”, bem como os constrangimentos e as limitações da oposição.
Mas também sobre isto as palavras eram desnecessárias. Bastaria que em uníssono, ou à vez, os quatro evidenciassem, pelo exemplo, a qualidade de uma democracia exemplar, como a nossa, que eles próprios estavam praticando ao comentarem a morte de Chávez. E o espectador atento não deixaria de concluir como se impunha: na Venezuela fala só um, aqui falam quatro e dizem todos o mesmo.
Já a Inquisição e a PIDE eram muito exigentes nas provas: exigiam sempre dois testemunhos ou um testemunho e uma confissão ou duas confissões. Hoje, nas modernas democracias ocidentais como a nossa, já se deu um passo à frente: para firmar uma opinião não basta um comentador, nem dois, a dizer o mesmo. Exige-se que sejam vários, muitos, a dizer o mesmo, de preferência em locais diferentes, ficando assim garantida a pluralidade de vozes e a unicidade da mensagem…

3 comentários:

Rogério Pereira disse...

"A demonização de Chávez "
por Eduardo Galeano, no livro “As veias abertas da América Latina
Hugo Chavez é um demónio. Porquê? Porque alfabetizou 2 milhões de venezuelanos que não sabiam ler nem escrever, mesmo vivendo num país detentor da riqueza natural mais importante do mundo, o petróleo.
Eu morei nesse país alguns anos e conheci muito bem o que ele era. O chamavam de “Venezuela Saudita” por causa do petróleo. Havia 2 milhões de crianças que não podiam ir à escola porque não tinham documentos… Então, chegou um governo, esse governo diabólico, demoníaco, que faz coisas elementares, como dizer: “As crianças devem ser aceites nas escolas com ou sem documentos”.
Aí, caiu o mundo: isso é a prova de que Chavez é um malvado, malvadíssimo. Já que ele detém essa riqueza, e com a subida do preço do petróleo graças à guerra do Iraque, ele quer usá-la para a solidariedade. Quer ajudar os países sul-americanos, e especialmente Cuba.
Cuba envia médicos, ele paga com petróleo. Mas esses médicos também foram fonte de escândalo. Dizem que os médicos venezuelanos estavam furiosos com a presença desses intrusos trabalhando nos bairros mais pobres. Na época que eu morava lá como correspondente da Prensa Latina, nunca vi um médico.
Agora sim há médicos. A presença dos médicos cubanos é outra evidência de que Chavez está na Terra só de visita, porque ele pertence ao inferno. Então, quando for ler uma notícia, você deve traduzir tudo.
O demonismo tem essa origem, para justificar a diabólica máquina da morte.

j.e.simões disse...

Tal e qual!

Nada irrita mais estes "democratas", do que a Esquerda que é capaz de vencer eleições, porque amada pela generalidade do seu povo, e que, no Poder, realiza verdadeiras reformas estruturais...

Anónimo disse...

Hoje, no Público, dá-se conta que na Venezuela, uma juíza soltou um “oposicionista” ao regime que estava preso há 3 anos sem julgamento. Chavez disse que essa juíza devia ser presa e condenada a 30 anos, mais ou menos isto, e a notícia continua, dizendo que foi logo presa e que agora continua mas em prisão domiciliária.
A notícia citava uma organização internacional acreditada.
Isto mostra que Chavez para ser tão perfeito tinha que ter algum defeito. Se algo está mal no sistema judiciário venezuelano, as pessoas que tirou da miséria e as crianças que não podiam frequentar a escola por falta de documentos, perdoam a prisão domiciliária da juíza. Mas, não acredito, que o sistema venezuelano não lhe tenha pegado por algo de grave e que nada tenha a ver com isso. Fico à espera de conhecer o resto da estória.