sexta-feira, 18 de setembro de 2009

AS INACREDITÁVEIS DECLARAÇÕES DO PR E O INCRÍVEL DEPOIMENTO DE JM FERNANDES NA SIC

DESENVOLVIMENTOS DA NOTÍCIA DO DN

Assistimos hoje a um dia político como há muito tempo não se vivia neste país. Logo pela manhã tivemos oportunidade de comentar a notícia do DN sobre as alegadas escutas da Presidência da República. E estranhámos, nos muitos comentários que ouvimos e declarações de vários responsáveis políticos, que ninguém, rigorosamente ninguém, se tivesse preocupado com as duas questões fundamentais que nessa notícia estavam em jogo: o comportamento do director do Público e o comportamento da Presidência da República.
Evidentemente, que também havia o caso das alegadas escutas e das acusações, sem provas de nenhuma espécie, que JM Fernandes tratou de pôr a circular logo que soube que tinha sido apanhado.
Ambas são questões importantes, mas para tratar depois, caso o seu tratamento se justifique.
O que era importante comentar era a participação do director do Público numa conspiração e o envolvimento de pessoas muito próximas do Presidente da República nesse acto. Somente ao fim da tarde e depois, à noite, na televisão ouvimos Luís Delgado focar estas duas questões com desassombro e também Bettencourt Resendes que, de certa maneira, o seguiu.
Entretanto ouvimos as inacreditáveis declarações do PR e o incrível depoimento de JM Fernandes na SIC.
Pelo depoimento deste último ficámos a saber sem qualquer sombra de dúvida que quem lhe encomendou o serviço foi a Presidência da República. E depois disso assistimos àquela tentativa naif de nos fazer crer que a notícia de Agosto nada tinha a ver com o e-mail de Abril de 2008, quando toda a gente percebeu que o assunto é sempre o mesmo e que apenas aguardava a “hora certa” para ser publicado. E ficou a saber-se também que houve várias conversas com gente da Presidência da República, muito próxima do Presidente, sobre o tratamento de um assunto que, a ser verdadeiro, poria em causa o regular funcionamento das instituições e legitimaria a exoneração do Governo.
E a questão que se coloca é esta: como é possível que um assunto desta importância seja tratado com o Director do Público sob a forma de conspiração? Sim, conspiração, porque o que se pretendia ao fazer intervir num assunto desta natureza um órgão de comunicação social, ainda por cima com indicações sobre a forma como o tema deveria ser tratado, era a prática de um acto de descarada luta político-partidária com vista à criação de um clima que levasse à desqualificação do governo em funções.
Tão grave quanto isto são as declarações hoje prestadas pelo PR sob o assunto. Afectando uma candura que não convence ninguém, o Presidente veio dizer que não pretende entrar na luta político-partidária, etc, etc., para no fim concluir que há um problema de segurança, do qual tratará findas as eleições.
Como é possível que o PR reconheça implicitamente a suspeita (ou a certeza) que o Público noticiou e não tenha ao fim de um ano e meio actuado através de todos os meios institucionais que tem ao seu dispor para investigar e resolver o assunto? Como é possível que o Presidente não desautorize e, pelo contrário, com o seu silêncio e meias palavras confirme a actuação de gente da sua Casa Civil num assunto tão melindroso?
A conclusão que se retira de tudo isto é que JM Fernandes é um político frustrado que se tem prevalecido do jornalismo para fazer política pelos piores meios e que Cavaco é um mau político, pouco inteligente politicamente, que sem os meios que outrora teve ao seu dispor se revelou um homem de média-baixa capacidade intelectual, apesar de ainda perdurarem em muitas mentes os efeitos de uma outra imagem laboriosamente construída ao longo de dez anos de governação.

3 comentários:

JMV disse...

Subscrevo sem reserva alguma.

Por outro lado ainda, julgo e sinceramente creio que a 27 SET tudo isto se irá traduzir no momento do voto, possivelmente de uma forma até surpreendentemente pesada para a ersatz de saias do actual e ainda PR.

Já viu a quantidade de pró-cavaquistas que hoje por fim "sairam da caverna" e viram a essência de tartufo deste dito político-não-profissional e que disso deram já público testemunho...

AMH disse...

20 valores !

Antoine disse...

Podemos, agora, verificar o mal que a ditadura e todos os ministros de educação (governos)retrógrados posteriores a Abril fizeram ao povo deste País: - Como é possível elegermos para o mais alto cargo político uma pessoa tão parca de valores e, culturalmente, tão básico?
Paralelamente corremos o risco de ter como PM uma pessoa que não consegue falar português. Como é que esta pessoa escreverá? E como pensará? - Com erros, evidentemente.