terça-feira, 29 de setembro de 2009

CAVACO FALOU E A GENTE SÓ SE PODE RIR



COMO É POSSÍVEL?

Então a responsabilidade por tudo o que se passou pertence a dois ou três membros do Partido Socialista que suspeitaram que assessores da Casa Civil do Presidente da República estavam colaborando na redacção do programa do PSD e reclamaram do Presidente uma explicação? Então a notícia do Público de 17 de Agosto não tem nenhum valor? Uma notícia oriunda de Belém nada vale?
O Presidente da República só pode estar a brincar connosco. A declaração de Cavaco Silva foi, com toda a propriedade, patética e pareceu mais uma conversa de comadres sobre o diz-se-que-diz-se do que uma declaração de um responsável político - do mais alto responsável político.
O Presidente não só não esclareceu nada do que havia para esclarecer como tentou desvalorizar os factos que se têm por provados, empolando, por outro lado, declarações típicas da luta política em período eleitoral. Se Cavaco atribuísse as declarações dos membros do Partido Socialista a uma qualquer suspeita de vigilância de membros da sua Casa Civil, ainda as coisas fariam algum sentido, embora fosse depois necessário justificar essas suspeitas. Agora, atribuir a essas declarações o propósito de condicionar o Presidente da República para, a partir daí, encontrar nos demais factos conhecidos uma maquinação destinada a pôr em causa a imparcialidade do PR e a distrair os portugueses dos reais problemas do país, é uma conclusão apenas à altura de uma mente semelhante à de Pacheco Pereira.
Esta declaração de guerra que Cavaco faz a Sócrates por, como aqui se disse muitas vezes, não ter a estabilidade emocional necessária nem a cultura democrática apropriada para participar na vida política em clima de divergência, vai diminuir irremediavelmente o seu papel nos cerca de 14 ou 15 meses de mandato que lhe faltam.
Acobertando-se sob a declaração de princípio de que em nome do Presidente só ele fala ou, por sua incumbência, os Chefes da Casa Civil ou Militar, Cavaco não resolve o problema da conversa de Fernando Lima com um jornalista do Público, nem tão-pouco resolve o enigma das suas declarações sobre segurança produzidas durante a campanha eleitoral. Como é possível que mantenha Fernando Lima na Presidência da República, depois que se passou? Como é possível duvidar da existência do encontro de Fernando Lima com o jornalista do Público? Como é possível pôr em causa os fundamentos desse encontro sem simultaneamente envolver o Público, nomeadamente JM Fernandes, num complot contra o Presidente? Como é possível que Cavaco ache normal que um membro da sua Casa Civil suspeite que a Presidência da República está a ser vigiada e corrobore esse estado de alma, não vendo onde está o crime de um membro do staff do Presidente ter sentimentos de desconfiança em relação a outras pessoas, sendo essas pessoas, directa ou indirectamente, pessoas do Governo? Como é possível que somente hoje Cavaco Silva se tenha informado sobre a segurança das suas comunicações, havendo da sua parte, como se demonstra, uma preocupação sobre a matéria? Ainda por cima para deixar a dúvida sobre a sua hipotética vulnerabilidade?
Cavaco, tal como Pacheco Pereira e MF Leite, não digeriu a derrota. E isso é grave para quem anda na política, em democracia…
De todas as reacções dos partidos até agora ouvidas (PCP; BE; CDS; e PSD), compreendi a do PSD, percebo também muito bem a do CDS, concordo a cem por cento com a do BE, mas não compreendi completamente a do PCP, como aliás já não tinha compreendido a de Jerónimo de Sousa no dia em que o DN publicou o e-mail do Público e os media deram contra da acusação de intrusão formulada por JM Fernandes. Não compreendi e nem sequer quero arriscar qualquer tipo de analogia entre o que agora se passa e o que se passou durante o segundo mandato de Eanes.

1 comentário:

JVC disse...

Desculpa estar a usar o teu blogue para publicidade, mas talvez os leitores gostem de ver tão grande convergência entre este post e o que eu escrevi, "Cavaco está a gozar comigo, a tomar-me por estúpido?". É coisa que me chateia, pá!