sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A SAÚDE MENTAL DOS POLÍTICOS



UM ASPECTO A QUE NEM SEMPRE SE ATENDE

Frequentemente partimos do pressuposto que os políticos são pessoas normais, pessoas mentalmente saudáveis, embora a história, a todo o momento, nos esteja a dizer o contrário. É mau que seja a história a dizê-lo, porque nessa altura já será tarde para precaver efeitos, mas já será muito saudável levantar a questão em plena actuação desses políticos. Pode ser que qualquer profissional competente, com base nos dados de que publicamente dispõe, ponha os cidadãos de prevenção sobre o que se está a passar.
Agora que muito se fala em segredo profissional e deontologia, creio que se poderá defender a tese de que, relativamente a alguém que está ou pode estar à frente dos nossos destinos ou que pode influenciar esses destinos, há a obrigação moral de quebrar aquele dever, sempre que se demonstre que o que se está a passar não é normal e indicia a existência de um problema de saúde mental. Há certamente aqui um conflito de deveres que tem de ser resolvido a favor da sociedade. Sei que actuação dos médicos somente se justificaria quando se está de posse de elementos suficientes para emitir um juízo, mas sei também que, mesmo nestes casos, os médicos sempre teriam muita dificuldade em defender e entender aquele ponto de vista, apesar de juridicamente não haver muitas dúvidas sobre o assunto.
No post que ontem escrevi sobre a estratégia político-eleitoral do PSD, atribui o fraco desempenho do Partido à inexperiência (pouco provável) dos seus estrategas ou à falta de inteligência política. Hoje, ao ouvir parcialmente a Quadratura do Círculo – é sempre parcialmente que ouço certas coisas, exactamente para preservar a minha saúde mental – eu percebi, no meu parco entendimento sobre as coisas da mente, que Pacheco Pereira não está bem. Poderia atribuir-se muito do que ele tem dito e escrito a perversidade, desespero, má formação moral e intelectual, mas creio, francamente, que não é nada disso que se trata. Pura e simplesmente ele não está bem.
E como tem uma superioridade intelectual indiscutível sobre MFL, Aguiar Branco e outros que por lá andam, e vem, além disso, aureolado do prestígio de ter pertencido ao famoso e restritíssimo gabinete de crise (ou gabinete político secreto, ou lá como se chamava, de Cavaco enquanto PM) não tem tido dificuldade em impor ao PSD as suas ruinosas estratégias, todas elas indiciadoras, sem ofensa, de uma mente com problemas.
As psicopatias nos políticos são mais frequentes do que se julga e por isso, quando há suspeitas sérias, devem ser investigadas.

5 comentários:

Ana Paula Fitas disse...

Caro Amigo,
Vou fazer link... aliás, também ouvi "A Quadratura do Círculo"... Um grande abraço :)
Ana Paula

Anónimo disse...

Caro "Blogger", costumo ver o programa, um pouco excepcionalmente não vi o último. Mas, ainda que não tenha qualquer afinidade político-partidária com ele, sempre lhe direi que, muitas vezes, diz aquilo que poucos têm dito, ainda que sem ser consequente. Estou a lembrar-me, por exemplo, do que tem dito acerca dos meandros dos aparelhos partidários, inclusive, dizendo que nesse aspecto (mafias locais, corrupção generalizada etc.) não há diferença assinalável entre PS e PSD e, nessas intervenções, António Costa faz de conta que nem ouve. Como simples observador, sem acessos aos meandros, quer parecer-me que toda este afrontamento, PR/PSD vs PS, não passa de uma estratégia, mais ou menos tacitamente concertada, para credibilizar o SISTEMA e evitar o aprofundamento de fenómenos como a abstenção. É o que acho, pelo menos hoje.

a.m. disse...

Concordo, globalmente.
Muito simplesmente, o Pacheco não aguentou o tranco.
Também, quem aguentava?
Ponha-se no lugar dele...
Não diz que certas coisas só as vê parcialmente para ressalvar a sua saúde mental?
Pense agora, se as visse do princípio até ao fim!
Abc

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Um apetite moderado pelo poder ou pela riqueza são coisas perfeitamente saudáveis: temos que ter algum poder e alguma riqueza para sermos livres.

A fronteira do patológico transpõe-se quando este apetite se transforma em ganância e obsessão. O poder e a riqueza já não são instrumentos da liberdade e passam a ser fins em si mesmos; e o resultado é que, por mais que se tenha deles, nunca se tem o suficiente.

Tenho para mim, portanto, que os políticos são quase todos psicopatas. As raras excepções são aqueles sobre quem o poder caiu como subproduto dum esforço dirigido a outro fim.

O mesmo se poderá dizer dos muito ricos. Os que encaram a riqueza como um fim em si mesma são todos loucos; salvam-se os que enriqueceram ao prosseguir um sonho doutra natureza.

Francisco Clamote disse...

Absolutamente de acordo. Cumprimentos