sábado, 19 de maio de 2012

“RELVAS NÃO É DE CONFIANÇA”



E POR ISSO VAI FICAR PELO CAMINHO


Os trabalhadores da RTP manifestaram publicamente um ponto de vista partilhado pela generalidade dos portugueses que acompanham de perto os “negócios públicos”. Relvas não é de confiança, disseram eles.
Apesar de terem dito o óbvio, é importante que o tenham dito. Relvas é para muita gente o legítimo continuador dos “grandes nomes” que no PSD, principalmente com o cavaquismo como pano de fundo, se notabilizaram pelo rasto de "notoriedade" que deixaram na sociedade portuguesa. E existe até a fundada esperança de que daqui a algum tempo possa suceder a Relvas o mesmo que aconteceu àqueles notáveis vultos.
Mas também há quem pense que se for apertado e vigiado de perto, Relvas não aguentará o cerco e movido por uma ansiedade de quem teme tudo perder acabará por exibir aquela “notoriedade” associada ao exercício de funções mais cedo do que se supõe.
Este texto com mais algumas considerações que não chegaram a ser escritas estava para ser publicado na sequência do comunicado emitido pelos trabalhadores da RTP em 14 de Maio. Acontece que os acontecimentos na Grécia, e tudo o mais que a eles anda ligado, relegaram para um plano secundário as façanhas de Relvas.
Não que elas não tivessem interesse, mas talvez por se admitir que a voracidade com que Relvas actua acabaria por expô-lo mais dia, menos dia. E foi o aconteceu.
Primeiro foram as ligações espúrias a um agente das "secretas" de cujas consequências aparentemente se livrou nos mesmos termos em que conhecidos “cavalheiros de indústria” se têm entre nós livrado das malhas de justiça com base na conhecida e repetida falta de provas ou pela ausência do famigerado “dolo específico”.
Mas como aqui premonitoriamente se previu, Relvas, apertado e vigiado de perto, não aguentou a pressão e com a intenção de cortar cerce qualquer tentativa de continuação de tratamento jornalístico de um assunto de que aparentemente se tinha “safado”, acabou por se enredar ainda mais na teia em que desde há muito está enleado. Tentou amedrontar uma jornalista do Público que o interpelou sobre o depoimento que prestara no Parlamento com as habituais ameaças de boicote do jornal e com um outro tipo de ameaça que acaba por o incriminar mais a ele do que molestar a ameaçada: expor na internet detalhes da vida privada da jornalista se a insistência no tema das "secretas" continuasse a ser notícia.
E por aqui se vê que Relvas está muito longe de possuir a tal agilidade intelectual que alguns propagandisticamente lhe atribuíam, pois o seu comportamento demonstra que ele não percebeu que uma ameaça daquele género o expunha gravemente pela natureza das fontes a que necessariamente tivera de recorrer para a poder concretizar: a que serviços, a que detectives, a que espionagem terá recorrido Relvas para conhecer os dados da vida privada da jornalista?
O Público, a direcção do Público, como seria previsível, tentou abafar o caso, não lhe dando publicidade. Felizmente, os jornalistas do Conselho de Redacção num gesto nobre e corajoso puseram tudo a nu num comunicado hoje publicado. Posta perante a divulgação dos factos, a direcção, embora desvalorizando o assunto, acabou por confirmar as ameaças.
É o começo do fim de Relvas. Pode não ser demitido. Provavelmente não será. A teia que o enleia, enleia também muita gente. Mas politicamente está ferido de morte. Daqui se concluindo que Relvas, contrariamente ao que se supunha, não vai estar à altura dos “grandes nomes” do PSD. Ainda lhe falta muito para chegar às performances desses "grandes nomes". Mal começou a dar os primeiros passos institucionais logo ficou pelo caminho…

6 comentários:

Anónimo disse...

Basta olhar-lhe para a cara. Este Relvas é um daqueles que atestam a actualidade de Lombroso.
V

Anónimo disse...

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A liberdade de expressão traz perigos, sim... mas... a implementação do lápis azul (vulgo censura) traz perigos muito muito maiores!!!... Entre 'n', veja-se este exemplo: ao mesmo tempo que José Sócrates argumentava que falar em determinados problemas... era algo que iria minar a confiança dos agentes económicos (e prejudicar o desenvolvimento económico)... o país ia fazendo uma alegre passeata rumo à bancarrota.

Anónimo disse...

O assunto é simples:
Como é que ele sabia das coisas que ameaçou dizer sobre a vida privada da jornalista.
O resto é treta.

João Carlos disse...

A única grande figura do PSD que ouvi falar, porque não os conheço de lado nenhum são duas: Salazar e Caetano.
O resto é lavagem cerebral.
JcD sem medo.

D., H disse...

A imagem “sensata” que Relvas ia mostrando antes de fazer parte do governo não tinha nada a ver com aquilo que a realidade nos mostra: uma ambição desmedida pelo poder, relações obscuras no mundo dos “fins que justificam os meios”. Afinal, atrás da tal imagem escondia-se um autoritário sem escrúpulos. Vai sendo hábito...

Anónimo disse...

Julguei-te ainda nos antípodas. Não foste ao 10º A de Timor?
Esse Matan Ruak era da confiança dos australianos quando estes montaram o golpe para afastar Alkatiri. Este quando foi eleito denunciou o acordo anteriormente feito com os australianos altamente lesivo para Timor e os australianos não gostaram.
Raimundo