segunda-feira, 2 de março de 2009

A MORTE DE NINO VIEIRA


QUE DESTINO PARA A GUINÉ-BISSAU?



Estamos já muito longe do romantismo que rodeou as guerras de libertação nacional e dos anos que se seguiram às independências. Hoje já ninguém se lembra de dizer que “Um homem novo veio da mata”, nem de cantá-lo como fez Zeca Afonso no “Enquanto há força”. A dura realidade da vida, ditada por um subdesenvolvimento crónico, que nenhum objectivo do Milénio consegue extirpar, acabou por impor-se.
Privada do seu chefe carismático, fez há pouco 36 anos, a Guiné-Bissau, que travou uma luta exemplar e vitoriosa contra o colonialismo português, tanto no plano político como militar, nunca conseguiu verdadeiramente recuperar do enorme trauma causado pela morte de Amílcar Cabral. E até a sua principal herança, a rejeição de qualquer espécie de tribalismo, parece ter sido repudiada nos episódios sangrentos desta madrugada.
Mergulhada no narcotráfico e na miséria, a mal-amada do colonialismo português caminha inexoravelmente para o destino sombrio das suas congéneres da África ocidental, algumas delas tão magistralmente descritas por Ryszard Kapuscinski, em Ébano.

2 comentários:

Carlos Santos disse...

Caro amigo,

Pedindo desculpa por fugir ao tema queria convidá-lo a vir a um argumentário contra os insurgentes que hoje propõe o desemprego explicitamente.
http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/03/as-falacias-neoliberais-proposito-de.html

Ana Paula Fitas disse...

Estimado amigo,

Comoveu-me a sua referência ao "Um homem novo veio da mata" do Zeca Afonso... tendo escrito em A Nossa Candeia um comentário sobre a morte de Nino Vieira, quero, contudo dizer-lhe que gostei muito do seu sentido e objectivo texto.