terça-feira, 25 de novembro de 2008

OUTUBRO



HÁ OUTUBROS E OUTUBROS, PRINCIPALMENTE QUANDO HÁ OUTUBROS EM NOVEMBRO

Um velho amigo deu-me hoje a conhecer o blogue Outubro da Fundação Res Publica.
Achei graça ao nome e mais ainda há frase que o encima “Outubro de 1917, quando a alternativa de esquerda ao capitalismo liberal se começou a concretizar com a tomada de posse, em Estocolmo, no dia 19, na sequência de eleições democráticas, do primeiro governo com a participação do Partido Social-Democrata Sueco (em coligação) ”.
Eu bem sei que há Outubros e Outubros, principalmente quando alguns Outubros são em Novembro, mas esta de alguns ilustres membros do partido socialista e respectivos (recentes ou mais antigos) compagnons de route recuarem até 1917 para constituírem uma alternativa ao capitalismo liberal, quando por todo lado, as referências em que se filiam, não fizeram outra coisa durante estes últimos trinta anos que não fosse advogar terceiras vias, aplicação dos princípios do “Consenso de Washington”, limitação do papel do Estado, fragilização do modelo social, hostilização aos trabalhadores em geral e tudo o mais que todos conhecemos, esse recuo a uma experiência do início do século, nem que seja como simples facto inspirador, deixa-nos na dúvida sobre se os ilustres colaboradores de Outubro não estão mais interessados em lutar contra “moinhos de vento” do que contra os verdadeiros adversários do nosso tempo!
Se alguns dos vossos colaboradores, ainda há bem pouco tempo, um mês ou dois antes de a crise rebentar, zurziam os nossos ouvidos com a prédica de que o “moderno socialismo” nada tinha a ver com a economia, como querem vocês que agente acredite no facto fundacional que vos inspira?
Não seria mais razoável e credível recomeçar em 2008, mesmo que fosse em Outubro, com uma crítica contundente à vossa teorização e prática destes últimos trinta anos?

1 comentário:

João disse...

Embora compreenda a figura de estilo, não estou certo de que interesse muito convidar essas pessoas a reflectirem sobre os caminhos que têm percorrido e que dificilmente deixaram aquelas marcas prudentes de caminheiros, para recuo e achamento de outro caminho.

É óbvio que, numa perspectiva de mente aberta e dialogante, não prescindo de conversar com eles, mas colocando-me numa posição bem definida, sem ambiguidades. Estou certo de que a partilho com o JMCP e, felizmente, com muito boa gente. O que me parece necessário é que toda essa boa gente apareça com alguma eficácia, não deixando que novas aberturas de terreno, que se têm visto, fiquem só para PS "marginais", alegristas, renovadores e estes teorizadores de uma esquerda socialista que o próprio PS se tem encarregado de transformar em ópera bufa a cargo de protagonistas compulsivos.