segunda-feira, 4 de maio de 2009

O APROVEITAMENTO POLÍTICO DO INCIDENTE VITAL MOREIRA


RESULTARÁ?

O PS em coro, praticamente sem excepções, cavalga o incidente Vital Moreira e procura tirar dele todas as vantagens políticas possíveis.
Esbateu-se momentaneamente o dossier Freeport e seus derivados (inquérito sobre pressões a magistrados), relegaram-se para segundo plano as fracas prestações televisivas do cabeça de lista às eleições europeias e até as notícias sobre a gripe foram secundarizadas.
O PS faz o possível por manter o efeito e o próprio protagonista do incidente já se compara a Mário Soares e quer fazer da Alameda a sua Marinha Grande. Pobre ilusão. Mais tarde ou mais cedo, provavelmente mais cedo do que tarde, tudo regressará à normalidade e novamente as fraquezas eleitorais do candidato voltarão a evidenciar-se.
O PS sabe perfeitamente que com o alarido que está fazendo não desviará um único voto do PCP, salvo porventura o de Saramago, cuja companhia o PS não pode por aí além enaltecer, sob pena de a direita lhe cair em cima com o Saramago dos saneamentos; também não retirará votos ao Bloco, nem sequer nas suas franjas, apesar de haver cronistas bloquistas, como Daniel Oliveira, a ajudar à festa; então, onde ganha o PS, perguntar-se-á?
Onde o PS pretende ganhar com o episódio da Alameda é na direita, no CDS e no PSD. O que o PS pretende é assustar a direita com o PCP, com os perigos de uma subida eleitoral da esquerda e desse modo induzir no eleitorado daqueles partidos um comportamento de receio e temor que o leve a votar PS.
Esta a estratégia do PS. Resultará? Tenho sérias dúvidas, tanto mais que o eleitorado que vota CDS e PSD ou que agora pretende redireccionar para estes partidos o seu voto não o fará para enfraquecer a esquerda, mas na esperança de derrotar o PS.

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro CPinto:

Há quase vinte anos no PS e ainda não encontrei esses subtis congeminadores de sofisticados cenários (que alguns considerariam maquiavélicos), que conseguiste descobrir.

Por mim, embora para se ocuparem de outras reflexões mais fecundas, até não desdenharia que o PS tivesse dentro de si um organismo de verdadeira imaginação estratégica, que pudesse programar com um pouco mais de sofisticação a sua acção política.

Um abraço

Rui Namorado

Gil disse...

E pode acusar-se o PS por isso?
Por aproveitar o incidente para escamotear dos olhos do eleitorado as suas óbvias fraquezas?
Parece que não.
Ao contrário, isso só me leva a condenar ainda mais veementemente os energúmenos que lhe deram essa oportunidade.
O PS faz o que "deve" fazer - o mesmo que faria o PCP se a situação fosse a inversa (o que, convenhamos, não parece facilmente concebível)...